14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira divulga selecionados da Mostra Competitiva Brasil

14 Cine Esquema Novo

A 14ª edição do Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira contará com quatro oficinas com inscrições gratuitas que ocorrerão on-line. Três delas, realizadas em parceria com o coletivo de profissionais negros e negras do audiovisual no Rio Grande do Sul Macumba LAB, estão com inscrições abertas até 14 de março e terão tradução em LIBRAS (de acordo com a demanda das inscrições). Já o projeto Câmera Causa, que realiza pela terceira edição a atividade na programação do CEN, abrirá seleção a partir de segunda-feira, 15 de março. Todas as informações e formulário estão disponíveis no site do festival.

O 14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira divulga os selecionados para a Mostra Competitiva Brasil do evento que ocorre de 10 a 15 de abril em formato totalmente on-line e gratuito. Do total de 395 inscritos, 31 obras foram escolhidas para integrar a principal mostra da programação do festival. Foram mais de 144 horas de material avaliadas e selecionadas pelo time de curadores formado por Dirnei Prates, Gustavo Spolidoro, Jaqueline Beltrame e Vinícius Lopes.

Este ano, por conta do formato on-line, a organização do festival criou uma novidade para a Mostra Competitiva Brasil: o Caderno de Artista. A novidade estará em diversos conteúdos que serão construídos em parceria com cada um dos selecionados, que estarão disponíveis em um ambiente digital criado para cada participante. “Estamos propondo aos selecionados que escolham outra obra audiovisual que entre em diálogo com seu trabalho, para estar em exibição com seu filme no festival. Esta obra escolhida pelo artista não estará na Mostra Competitiva Brasil, mas ela fará parte do que chamamos de Caderno de Artista, uma área que reunirá, além do filme selecionado, a obra que dialoga com o trabalho em competição, entrevistas, informações e outras imagens, convidando o público a ter uma maior compreensão do universo de cada realizador”, declaram Jaqueline Beltrame, Ramiro Azevedo, Gustavo Spolidoro e Alisson Avila, organizadores do CEN, que celebra 18 anos de existência em 2021.

Conheça os selecionados da Mostra Competitiva Brasil

A seleção conta com dez projetos assinados por duos ou grupos, 8 realizadoras, 19 realizadores, além de artistas agênero e não-bináries. Temáticas como cenário político brasileiro atual, direitos humanos, fim do mundo, saúde mental, questões indígenas, memória e história, racismo, solidão na contemporaneidade, identidade queer, religiosidade, futuro, exploração da natureza, territorialidade, laços familiares, entre outras, pautam os títulos selecionados a partir de onze Estados brasileiros e duas produções assinadas por brasileiros realizadas no exterior (ou em coprodução internacional).

Eu não sou um robô (Gabriela Richter Lamas, Maurílio Almeida, Felipe Yurgel, Lívia Pasqual, Guilherme Cerón, Rafael Duarte), O Ciclope (Guilherme Cenzi, Pedro Achilles), Per Capita (Lia Leticia), Performatividades do Segundo Plano (Frederico Benevides e Yuri Firmeza), sem título #6: o Inquietanto (Carlos Adriano) e Urubá (Rodrigo Sena) têm estreia mundial no festival, além de quatro estreias nacionais: 13 Ways of Looking at a Blackbird (Ana Vaz), A chuva acalanta a dor (Leonardo Mouramatheus), As vezes que não estou lá (Dandara de Morais) e Para Colorir (Juliana Costa).

A lista também integra títulos como O Mundo Mineral, de Guerreiro do Divino Amor, artista contemplado com o Prêmio Pipa 2019 e que participa pela terceira vez do festival; 13 Ways of Looking at at a Blackbird, de Ana Vaz, que integra a mostra Forum Expanded do 71º Festival Internacional de Cinema de Berlim. O título é inspirado no poema de Wallace Stevens e a obra é composta de série de tentativas de olhar e ser olhado, que propõe um caleidoscópio de experiências, questionamentos e maravilhas de um casal de alunos do ensino médio após um ano de experiências com a cineasta, questionando o que o cinema pode ser. Aqui, a câmera torna-se um instrumento de investigação, um lápis, uma canção. “O filme é uma música que dá para ver”, escreveu um dos alunos em uma constelação coletiva de frases e desenhos feitos durante uma das oficinas.

Perifericu, de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira, traz a história de Luz e Denise que cresceram em meio às adversidades de ser LGBTQA+ no extremo sul da cidade de São Paulo. Entre o vogue e as poesias, do louvor ao acesso à cidade, os sonhos e incertezas da juventude inundam suas existências. O curta já integrou mais de 70 festivais e mostras e recebeu 25 prêmios, entre eles o de Filme Mais Transgressor e Júri Popular no 27° Mix Brasil, e melhor da competitiva do Kino Forum. “Denise e Luz descolonizam sua existência com ancestralidade e uma boa dose de deboche. Elas existem e estão aqui, todos os dias, no gerúndio, amando, dançando, sonhando, sendo o que são. Ou melhor, o que somos. Somos seres poéticos e políticos. Reais, de verdade, não apenas os retratos sem voz do noticiário policial ou dos estereótipos que outros nos dão por ai”, afirma Well Amorim, diretor de fotografia e produtor executivo do filme.

A Mostra Competitiva Brasil conta com projetos de nomes que já estiveram em outras edições do festival, como a dupla Frederico Benevides e Yuri Firmeza, com Performatividades do Segundo Plano, uma continuidade de um trabalho em dupla que mantém uma pesquisa sobre imagens projetivas que começa com Entretempos e segue questionando o poder de modulação de futuro, mas também de presente e passado que essas narrativas tomam. “Dessa vez centramos foco na performance dos figurantes e dois filmes ensaios e oito fotos lenticulares, onde aproximamos imagens que podem ser vistas apenas como sofisticações da estratificação que sempre esteve posta entre quem olha e quem é olhado”, contam os realizadores.

Leonardo Mouramatheus também é um dos criadores que já passou por outras seleções do CEN. Em 2021 ele apresenta A chuva acalanta a dor, baseado no conto Lucrèce de Marcel Schwob. No ano 74 a.C, Tito Lucrécio Caro, um jovem com ideias ousadas, tenta convencer seu amigo Mêmio que ir estudar para a cidade de Roma é uma total perda de tempo. Anos depois, Lucrécio volta da capital. Tentando encontrar um equilíbrio entre suas explicações do mundo natural e sua experiência emocional do mesmo, Lucrécio vive uma paixão profunda e conturbada com Isa, sua esposa estrangeira. O filme já participou de festivais como IFFR | International Film Festival Rotterdam, na Holanda, IndieLisboa International Film Festival em Portugal, Viennale – International Film Festival, entre outros, e estreia nacionalmente na programação do 14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira.

#eagoraoque, de Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald, expressa a ansiedade e exasperação dos realizadores com a situação política do Brasil e do mundo. “A extrema direita cresce a cada dia. Os ativistas e intelectuais de esquerda não sabem como reagir. A Universidade parece cada vez mais distante da periferia e sua gente. E agora, o que devemos fazer? Ficção e realidade se misturam nessa busca urgente por respostas”, refletem. Lyz Parayzo Artista do Fim do Mundo, de Fernando Santana, acompanha o início da trajetória artística de Lyz Parayzo, artista visual que, através de suas obras e performances, coloca em discussão qual o espaço da arte em um corpo não-binário provindo da periferia. Artista performática nascida e criada em Campo Grande, zona oeste e periférica do Rio de Janeiro, Lyz tem o corpo como principal suporte de trabalho e sua performatividade diária como plataforma de pesquisa revelando o descompasso entre o que se diz, o que se faz, o discurso e a prática.

Já Vil, Má, de Gustavo Vinagre, apresenta a história de Wilma Azevedo, uma escritora de contos eróticos e dominatrix de 74 anos, conhecida como a Rainha do Sadomasoquismo nos anos 1970 e 1980. Mas ela é também Edivina Ribeiro, jornalista, mãe de três filhos, religiosa e esposa dedicada. Wilma/Edivina conta suas histórias para o diretor Gustavo Vinagre, em um documentário que funciona como um jogo de dominação entre diretor e personagem. O filme integrou a seleção oficial na Berlinale e no Queer Lisboa. Vento Seco, de Daniel Nolasco, mais um nome que já esteve em outra edição do festival, também participou do Festival de Berlim em 2020 e traz a história de Sandro, que vive em uma pequena cidade do interior de Goiás. O protagonista divide seus dias entre o clube, o trabalho, o futebol e a vida social, além do relacionamento com Ricardo. Mas a sua rotina começa a mudar com a chegada de Maicon, um rapaz que desperta o seu interesse e do qual todos sabem muito pouco.

Obra inédita que terá première mundial na programação do festival, Eu Não Sou Um Robô é uma criação de Gabriela Richter Lamas, Maurílio Almeida, Felipe Yurgel, Lívia Pasqual, Guilherme Cerón, Rafael Duarte. O filme é uma experimentação sobre a solidão e o contato por meio do digital que se acentuou durante a pandemia de 2020. Ao falhar incontáveis vezes em um teste ReCAPTCHA, que diferencia humanos de robôs, a personagem Tânia se pergunta sobre o real e anseia por qualquer tipo de contato presencial e físico, deliberando sobre a vida com a visita de uma Mosca. Ansiosos por estarem juntos na distância durante a pandemia de COVID-19 em 2020, Gabriela Lamas, Maurílio Almeida e Felipe Yurgel fizeram diversas reuniões on-line para escrever “Eu Não Sou Um Robô”. O filme foi, então, gravado com uma equipe de três pessoas, sendo elas a diretora Gabriela Lamas e o roteirista Maurílio Almeida, que também atuam como os personagens Tânia e Mosca, e a diretora de fotografia Lívia Pasqual. “Pode-se dizer que este filme foi mais uma das tentativas de se manter são durante o isolamento e entender mais sobre o digital e a vontade de estar ‘junto”, afirmam.

Estreando como realizadora, Juliana Costa integra a lista de selecionados com o longa Para Colorir, uma investigação sobre as possibilidades e limites do cinema erótico. Já Romy Pocztaruk apresenta Antes do Azul, curta que traz a multiartista Valéria Barcellos como protagonista e que circulou ao longo de 2020 por diversos festivais internacionais. Rodrigo Sena participa com URUBÁ, obra que levanta questões espirituais do protagonista Luiz.

Davi Pretto, que em 2016 recebeu Prêmio Destaque do Cine Esquema Novo com Rifle, integra a seleção de 2021 com o curta-metragem Deserto Estrangeiro, projeto realizado durante a residência do DAAD Berlin Artists-in-residence em 2018. Um jovem brasileiro, que recém começou a trabalhar em uma imensa floresta em Berlim, é arrastado para um pesadelo envolvendo o passado colonial alemão quando tenta encontrar uma garota perdida na mata. O filme venceu em três categorias na seleção de filmes gaúchos do Festival de Gramado em 2020.

A Mostra Competitiva Brasil premiará ao final do evento o Grande Prêmio Cine Esquema Novo 2021, com um troféu criado por Luiz Roque especialmente para o festival, além de prêmios em serviços da Locall, TECNA/PUCRS e CTAV. O júri desta edição deverá ser divulgado em breve, assim como outras duas mostras não-competitivas e o restante da programação, que inclui projeções urbanas, debates em parceria com Associação dos Críticos de Cinema do RS, seminário “Pensar a Imagem” e oficinas. As obras serão exibidas gratuitamente através do site ao longo dos seis dias de festival.

Identidade visual 2021 traz assinatura de dupla de artistas visuais

Durante diversas edições do CEN, artistas visuais foram convidados a criar o conceito de identidade visual do festival. Esse ano, os artistas Leticia Lopes e Paulo Lange assinam a arte da 14ª edição. Inspirados pela beleza caótica e poética do processo de arte, de criação do tema Caderno de Artista e aludindo ainda aos célebres buracos de minhoca, um conceito da Física que trabalha com a ideia de “atalho” através do espaço e do tempo, a dupla chegou à arte de 2021.

Na Física, buraco de minhoca é o nome popular dado a uma solução exata das equações de Einstein para a relatividade geral, uma espécie de túnel que permite cortar caminho no Universo, um atalho através do espaço e do tempo. Um buraco de minhoca possui ao menos duas “bocas” conectadas a uma única “garganta” ou “tubo”, algo parecido com as viagens que fazemos na nossa busca por inspirações, referências. Um clique que nos leva a outro clique e a outro clique, e assim por diante. Os buracos de minhoca criativos, para Leticia e Paulo, são cada um dos registros encontrados em um Caderno de Artista, esses objetos cheios de referências, inspirações, o diário de bordo de quem se encontra em processo criativo. “Cada anotação, cada desenho, cada pedaço de papel guardado dentro de um objeto como esse são uma espécie de viagem sem sair do lugar”, contam.

 

Oficinas com inscrições abertas

A 14ª edição do Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira contará com quatro oficinas com inscrições gratuitas que ocorrerão on-line. Três delas, realizadas em parceria com o coletivo de profissionais negros e negras do audiovisual no Rio Grande do Sul Macumba LAB, estão com inscrições abertas até 14 de março e terão tradução em LIBRAS (de acordo com a demanda das inscrições). Já o projeto Câmera Causa, que realiza pela terceira edição a atividade na programação do CEN, abrirá seleção a partir de segunda-feira, 15 de março. Todas as informações e formulário estão disponíveis no site do festival.

O 14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira é uma realização da ACENDI – Associação Cine Esquema Novo de Desenvolvimento da Imagem. Projeto realizado com recursos da Lei nº 14.017/2020. Mais informações, acesse: www.cineesquemanovo.org | www.facebook.com/cineesquemanovocen | @cine_esquema_novo

MOSTRA COMPETITIVA BRASIL – 14º CINE ESQUEMA NOVO – ARTE AUDIOVISUAL BRASILEIRA – SELECIONADOS

#eagoraoque – Jean-Claude Bernardet & Rubens Rewald

13 Ways of Looking at a Blackbird – Ana Vaz

A chuva acalanta a dor – Leonardo Mouramateus

Antes do Azul – Romy Pocztaruk

As Vezes Que Não Estou Lá – Dandara de Morais

Atordoado, Eu Permaneço Atento – Henrique Amud & Lucas H. Rossi dos Santos

Caminhos encobertos – Beatriz Macruz e Maria Clara Guiral (diretoras); Thiago Henrique Karai Jekupe e Victor Fernandes Karai Mirim (história original)

cantar é com os passarinhos – Amanda Teixeira

Célio’s Circle – Diego Lisboa

Deserto Estrangeiro – Davi Pretto

Entre nós e o Mundo – Fabio Rodrigo

Eu Não Sou Um Robô – Gabriela Richter Lamas, Maurílio Almeida, Felipe Yurgel, Lívia Pasqual, Guilherme Cerón, Rafael Duarte

Fazemos da memória nossas roupas – Maria Bogado

Joãosinho da Goméa – O Rei do Candomblé – Janaina Oliveira ReFem e Rodrigo Dutra

Lyz Parayzo Artista do Fim do Mundo – Fernando Santana

Milton Freire, um grito além da história – Victor Abreu

O Ciclope – Guilherme Cenzi, Pedro Achilles

O Jardim Fantástico – Fábio Baldo e Tico Dias

O Mundo Mineral – Guerreiro Do Divino Amor

Os Últimos Românticos do Mundo – Henrique Arruda

Para Colorir – Juliana Costa

Per Capita – Lia Leticia

Performatividades do Segundo Plano – Frederico Benevides e Yuri Firmeza

Perifericu – Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira

Rocha Matriz – Cristal Líquido (Gabriel Menotti e Miro Soares)

sem título # 6 : o Inquietanto – Carlos Adriano

Ser Feliz No Vão – Lucas H. Rossi dos Santos

URUBÁ – Rodrigo Sena

Vagalumes – Léo Bittencourt

Vento Seco – Daniel Nolasco

Vil, má – Gustavo Vinagre

 

Banner de divulgação do 14º Cine Esquema Novo