A arte pelo Brasil e pelo mundo, com os Pintores com a Boca e os Pés !

A Associação dos Pintores com a Boca e os Pés foi fundada em 1956 quando Erich Stegmann, um artista que pintava com a boca, reuniu um pequeno grupo de artistas com deficiência física de 8 países europeus. O objetivo era que esses artistas obtivessem renda através de seus esforços artísticos e obter uma segurança de trabalho que até então eles não tinham.

Unindo suas habilidades criativas com uma visão de negócios, Stegmann fundou a Associação dos Pintores com a Boca e os Pés como uma organização corporativa que reproduz os trabalhos dos seus artistas principalmente na forma de cartões, calendários e outros produtos.

“O pequeno grupo que ele reuniu no encontro inaugural da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés cresceu significativamente e representa aproximadamente 800 artistas em 75 países ao redor do mundo”, afirma Paola Manograsso, Diretora do escritório da Associação no Brasil.

Já para Gonçalo Aparecido Pinto Borges,  Membro Associado: “um dos principais focos de Stegmann era que a Associação dos Pintores com a Boca e os Pés nunca deveria ser considerada uma instituição de caridade, pelo fato de seus membros serem pessoas com deficiências físicas”. Para Stegmann, a palavra ‘caridade’ era tão abominável como a palavra ‘pena’. A Associação sustenta que não é uma instituição de caridade e não se qualifica para a assistência caritativa.

Mais de 50 artistas integram a Associação no Brasil. “Muitos são palestrantes e demonstram as pinturas em escolas, empresas e em outros grupos interessados, oferecendo uma melhor compreensão do trabalho que está sendo feito pela Associação e as possibilidades disponíveis como oportunidade para as pessoas com deficiência”, diz Paola.

A Associação dos Pintores com a Boca e os Pés é uma organização internacional controlada pelos seus artistas membros. Para Gonçalo Borges, o propósito da entidade é: “fazer contato com artistas que perderam o uso de suas mãos, seja por nascença, acidente ou doença, e agora pintam com a boca e os pés. Manter contato também com PcD que gostariam de aprender a pintar e ganhar seu próprio sustento através dessa capacidade. Oferecemos assistência moral e informativa para as pessoas com deficiência que estejam interessadas em tornarem-se estudantes, oferecendo aos alunos apoio financeiro, prático e criativo para que sejam artistas completamente desenvolvidos e membros da Associação”.

Segundo a Diretora do escritório da Associação no Brasil, a entidade tem como objetivo: “atender os interesses dos artistas, facilitando a venda de seu trabalho, principalmente na forma de reproduções como cartões, calendários etc. Outro importante objetivo é publicar material que comunique e apoie o propósito da organização além de auxiliar os artistas com deficiência na obtenção de autoestima, realização criativa e segurança financeira”.

“Qualquer um que tenha perdido o uso das mãos e pinta segurando o pincel com a boca ou com os pés, independentemente de raça, credo ou cor, pode fazer parte da Associação”, afirma Gonçalo Borges, um dos ícones da entidade e figura conhecida em todo o Brasil pelo trabalho com a boca e os pés, e pelas palestras que ministra.

Na Associação dos Pintores com a Boca e os Pés existem três níveis de qualificação, ou seja, bolsistas, membro associado e membro efetivo. A maioria dos artistas é, normalmente, bolsista. Eles recebem uma bolsa para pagar as aulas de pintura e materiais de arte.

Para manter consistentemente padrões elevados, o trabalho dos bolsistas é periodicamente revisado por um júri, até atingir um padrão que permita que eles sejam aceitos como membros efetivos. O júri inclui o presidente da Associação ou seu representante nomeado e dois artistas convencionais eminentes e reconhecidos.

Quando aprovado, a diretoria pode admitir um novo bolsista/membro, sujeito à ratificação pelos membros na próxima convenção dos artistas delegados.

A Associação está constantemente buscando novos talentos promissores entre as pessoas com deficiência que, talvez, tenham começado a assumir a pintura como uma forma de terapia. “Os estudantes recebem uma bolsa para ajudar a melhorar o seu padrão de pintura, através de fundos para compra de material de pintura, aulas etc. Isso lhes proporciona meios para se tornarem um membro associado ou de pleno direito da Associação. Conforme um bolsista se desenvolve, melhorando a qualidade do seu trabalho, o valor da sua bolsa pode ir aumentando”, comenta Paola Manograsso.

Quando um bolsista chega a um padrão considerado equivalente ao de profissionais sem deficiência, ele pode se tornar um membro associado ou efetivo.

Para Gonçalo: “tornar-se membro significa que ele vai receber uma renda mensal vitalícia, independentemente se o aumento da sua deficiência tornar impossível a ele fornecer obras de arte para a Associação comercializar. Este acordo liberta o artista de um grande receio diante da possibilidade de perder a capacidade de pintar devido ao seu quadro de saúde”.

Os membros também se beneficiam da interação entre eles. Membros e bolsistas têm a oportunidade de se conhecerem nas conferências da Associação, exposições e outros eventos, onde eles são capazes de se reunir, interagir e aprender uns com os outros.

Os produtos à venda são: cartões, cartões de Natal, calendários, adornos, cartas floridas e kits.