A chegada da Isabella em casa

hipotonia severa

* Por Cynthia Pereira

Com o nascimento da Isabella começava uma nova história, permeada de muita alegria e muitos medos. Sim! Sem muitas delongas, essa é a palavra: medo!

Chegando em casa trazia no colo aquela menina tão linda e todas as inseguranças de um mundo desconhecido até então.

filha Isabella

Como uma mãe dedicada e disposta a entender todo aquele universo, começava ali uma constante busca de como fazer, o porquê já não habitava nos nossos corações, agora era saber como.

Nossa família é pequena. Tivemos que assumir um novo capítulo da nossa história.

Os avós adotivos foram os que mais nos ajudaram nesse início tão  mágico e incerto

Como segurar Isabella no colo? Já era mãe de dois filhos, e por incrível que pareça, segurá-la no colo era um desafio.

A Isabella nasceu com uma hipotonia severa, um corpo todo molinho, uma fragilidade e aí foi nosso primeiro mito a quebrar ,antes da t21.

Só que aí veio um manual de instruções que não conhecíamos. Tudo aquilo que se considera natural em um bebê, para Isabella precisava ser mais intenso. A todo momento era preciso um estímulo, algo a mais.

Aí começaram as informações, a linguinha não podia ficar pra fora, e aí a primeira informação: precisamos de uma fonoaudióloga para que pudesse nos ajudar em tarefas que achávamos ser tão familiares.

Não sabíamos o que a hipotonia poderia causar. Uma dificuldade para sugar. A língua para fora poderia atrapalhar a fala futuramente, e não era só as perninhas e os braços que eram molinhos. Os músculos da face também precisavam ser fortalecidos.

hipotonia severa

Os avós pediram ajuda para uma amiga que era fono. Foi a Pollyana que fez as primeiras intervenções com Isabella. Foi aí,  através da fono, que descobrimos a necessidade de uma fisioterapeuta e de terapeuta ocupacional, para que pudessem receber os estímulos que fariam a total diferença. Precisava fortalecer toda sua musculatura e ser estimulada até mesmo a segurar um brinquedo.

O banho ainda era difícil, inseguro e o psicológico ainda abalado. Não conseguia ver ainda como seria! Mas a nossa vizinha, aquela pessoa que é enfermeira e sem muitos conhecimentos sobre a síndrome de down, mas que com muito amor – fez desses momentos ficarem mais leves e mostrou que não seria tão diferente como os outros bebês. Era só resgatar a mãe que tinha lá dentro e tudo iria fluir, de uma maneira que a insegurança não tomaria conta de nós.

Já sabia que teria de me empenhar e acreditar na Isabella e assim começava um novo capítulo, o desenvolvimento da nossa pequena Isabella!

Avós adotivos

Vera e Paulo, são os avós adotivos de Isabella. “E a Isabella nasceu. A expectativa era grande. Quando Breno – irmão dela – chegou da maternidade, me chamou e disse: Isabella é especial. Especial como, perguntei. Ele disse que ela tem Síndrome de Down. O susto foi enorme. No dia seguinte Cynthia voltou da maternidade com a Bellinha. Fui conhecê-la e o amor brotou de imediato. Foram muitas indagações. Cynthia estava quase em estado de pânico sem saber como seria a vida daí para frente. Foram muitas buscas e procuras de cuidados até descobrir que Bella precisava de fonoaudiologia, então procurei uma fono amiga Pollyana para ajudá-la, o que prontamente ela fez. Muita luta, até que com ajuda divina e força da Cynthia, novos caminhos foram surgindo, felizmente Bellinha e Cynthia continuam lutando bravamente e vencendo os preconceitos e obstáculos que encontram”.

Fonoaudióloga e Isabella

A primeira Fonoaudióloga

Pollyana Dantas foi a primeira fono da Isabella. “Conheci Belinha com 15 dias de vida. Ao chegar em sua residência, encontrei uma mãe temerosa, ainda em choque com o diagnóstico da filha. Como fonoaudióloga, inicialmente realizei uma anamnese e uma breve avaliação da alimentação e da musculatura orofacial da pequena Bella.

Ao mesmo tempo, durante toda conversa estive de olhos e ouvidos atentos a uma família que precisava ser acolhida e ouvida naquele momento. Durante o tratamento tivemos alguns objetivos, como favorecer o fortalecimento da musculatura oral e estimulação precoce da linguagem oral e fala.

Ao longo dos atendimentos, fomos estreitando os laços entre terapeuta e família. Pude ver o amor de uma mãe aflorar com doçura e ao mesmo tempo com garra e força para buscar o melhor para sua filha.

Hoje acompanho Bellinha a distância, mas sempre irei aplaudir com admiração e carinho seu crescimento, seu desenvolvimento e suas vitórias”.

 

* Cynthia Pereira é mãe ativista. Ela escreverá, quinzenalmente, para o Portal de Notícias da Revista Reação, dando sequência aos artigos.

cynthiaricas@yahoo.com.br

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