A descoberta do novo destino

  • por Cynthia Pereira

Meu nome é Cynthia, sou mãe da Isabella (7), Breno (16) e Bruno (26), mãe apaixonada e ativista.

A gravidez da Isabella foi muita tranquila e desejada. Foram oito meses de muita alegria e expectativas com sua chegada.

Durante a gravidez tive todo acompanhamento necessário. Exames mostravam uma gestação saudável, exame que rastreia alguma alteração genética, o da nuca do bebê, realizado no terceiro trimestre, mostravam aspectos morfológicos e marcadores ok.

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No oitavo mês de gestação a médica observou num exame de ultrassom que Isabella não estava desenvolvendo. Numa possibilidade de um sofrimento fetal, decidimos marcar uma cesariana e não imaginávamos o que realmente seria.

 

Como foi descobrir que minha filha tinha síndrome de down

Isabella – no dia 16/08/2013 às 13h30, chegou com um choro rápido e depois parou, o que já me deixou preocupada. A médica me acalmava dizendo que iria chorar novamente, foi quando após alguns segundos de muita ansiedade pude escutar seu choro fraquinho e que resultaram uns dias na UTI Natal. Lágrimas escorriam no meu rosto e quando a colocaram nos meus braços, vi que tinha algo diferente.

Já na sala de recuperação acordei com a Dra Patrícia Wagner. Com muito cuidado e muito firme comunicou sobre a síndrome de down. Disse que já havia conversado com o pai, mas que ela queria dar a notícia.

 

Como reagiria se recebesse o diagnóstico que seu filho nasceu com síndrome de down?

Nesse momento em estado de choque e já não havia mais reação, o chão parecia ter desabado. Aí começava uma nova história, um novo destino, diferente do que havia idealizado.

Já no quarto às mamães recebiam seus bebês e eu inconformada, dizendo que não daria conta, sentindo-se numa solidão enorme, inexplicável, diante de algo que não sabia lidar, foram muitas lágrimas.

No segundo dia veio ao meu coração um desejo enorme de ver minha filha, quando resolvi ir ao seu encontro. Lembro-me até hoje, de um corredor que parecia não ter fim, mas nem a dor da cirurgia me impedia de caminhar para ver Isabella.

Chegando a UTI Natal me deparei com um médico examinando a Isabella. Não previa que teria mais uma notícia, não bastando à notícia da síndrome de down: ele informou que minha filha tinha nascido com duas cardiopatias – (CIV) comunicação interventricular e (CIA) comunicação interatrial, cardiopatias mais frequentes em pessoas com síndrome de down e que precisaria de uma intervenção cirúrgica caso não fechasse no primeiro mês de vida. Deus, na sua misericórdia, fechou aquilo que me traria mais lágrimas e assim não precisando de cirurgia.
Aí começa a nossa história: a descoberta do novo destino

 

* Cynthia Pereira é mãe ativista. Ela escreverá, quinzenalmente, para o Portal de Notícias da Revista Reação, dando sequência aos artigos.

cynthiaricas@yahoo.com.br

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