A Educação Inclusiva em Campos do Jordão/SP

People Showing Panel - Student

* Por Andrea Bussade

 A Secretária de Educação de Campos do Jordão, cidade turística da região serrana do Estado de São Paulo, Marta Esteves, que é pedagoga com mestrado em Educação e currículo pela PUC – SP,  está à frente do cargo há 8 anos e explica que o município é dividido em 7 setores de educação infantil, onde cada setor tem de 2 a 3 escolas, totalizando 20 escolas de educação infantil, desde a creche (4 meses até os 5 anos e meio), 9 escolas de ensino fundamental I (de 1º ao 5º ano) e 6 escolas de ensino fundamental II (de 11 a 14 anos).

 Todas as escolas da rede municipal de Campos do Jordão/SP contam com o trabalho de um psicopedagogo, que faz o atendimento educacional especializado em todas as etapas, sendo que, no  ensino fundamental I, onde há uma concentração maior de casos mais complexos, faz-se um trabalho preventivo, principalmente quando a professora identifica que o aluno tem algum problema na aprendizagem e encaminha para ele, que conversa com a família para entender se a criança teve algum problema no parto, algum problema psicomotor e que faz uma avaliação psicopedagógica, corporal, de linguagem, definindo se essa criança vai passar para o AEI – Atendimento Especial Especializado e se ela precisa ser atendida no CIREPE (Centro Pedagógico de Recursos Especiais), espaço onde há atendimentos clínicos especializado de fonoaudióloga, psicologia e fisioterapias, onde as crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) são atendidas, de 3 a 4 vezes na semana, no contra turno, para que seja criada uma rotina.

A metodologia utilizada no CIREPE, são PRÁTICAS BASEADAS EM EVIDÊNCIAS. Marta ressalta que o AVE – Auxiliar de Vida Escolar, ajuda nas rotinas diárias e não têm funções pedagógicas na escola.

As escolas atendem, ainda, crianças com deficiências físicas, intelectuais, visuais e auditivas e, neste caso, disponibiliza um intérprete de Libras, em sala de aula.

Heidy Gonzalez Teixeira da Costa, Chefe da Divisão de Educação Especial e EJA (Educação de Jovens e Adultos) ressalta, emocionada, que um aluno com deficiência visual foi alfabetizado, em Braile, que está no ensino fundamental e lê fluentemente.

Segundo a Secretária de Educação, o maior desafio desse ano é a volta às aulas com 35 % dos alunos, apesar do município estar na fase vermelha, formação específica para o AEI e Libras e estruturar as salas de aulas.

* Andréa Bussade de Oliveira é jornalista e mão da Rafaela de 26 anos e do Gabriel de 19, com autismo. 

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Talentos do TEA !

* ALESSANDRO QUEVEDO

Alessandro Quevedo, 31 anos, se encantou com as fotos que seu pai, fotógrafo profissional, fez numa viagem à África e começou a fotografar em 2014, quando ganhou uma máquina fotográfica Nikon do seu pai. Ele fez curso básico de fotografia e depois ingressou na faculdade de tecnologia de fotografia, mas ainda não terminou o curso. Sempre estudando para se aprimorar. Hoje, ele faz da fotografia sua profissão. Alessandro adora viajar e aproveita para fotografar. Sua última viagem foi em 2019 para Nova York (EUA), quando fez 30 anos. Ele adora contar das viagens e fotos que fez em Cancun, no deserto do Atacama, no Pantanal, entre outras viagens. Seu maior sonho é fazer uma exposição fotográfica e ensinar fotografia para as pessoas com deficiência.

Ele irá expor suas fotos no Festival Acessibiliartes, que acontecerá no Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, no dia 25 de setembro, para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Quevedo integra o grupo SorrindoRJ, organizado pela Psicopedagoga Flavia Fabres. O grupo Sorrindo está completando 10 anos e tem como objetivo a inclusão social, entretenimento, empregabilidade, socialização de jovens com deficiência intelectual, autismo e Síndrome de Down.

Incluir é abraçar as diferenças, conviver com elas e aceitá-las !

* MARINA GALLI

 Marina Galli têm 41 anos e vive em Catanduva/SP, cidade do interior de São Paulo. Apesar de ela nunca ter recebido um diagnóstico fechado, Marina nasceu com características do TEA e várias dificuldades motoras e cognitivas. Marina frequenta há bastante tempo um projeto social de Catanduva para crianças, jovens e adultos com problemas de desenvolvimento, o “Corujas do Bem”. Lá, incentivada pela mãe, ela começou a testar pinturas em telas. Um tempo depois, uma oportunidade surgiu: o Festival Eyecontact de Artes para Autistas, criado pela Grazi Gadia e que já está na terceira edição. Marina foi uma das vencedoras do festival que aconteceu no I Congresso Baía de todos os TEAS, em Salvador/BA, em 2020, junto com mais 5 integrantes desse projeto em Catanduva/SP, que foram reconhecidos por seus talentos.

Em suas obras ela entrega uma visão lúdica, colorida e cheia de detalhes da natureza, das cidades e da cultura brasileira. No quadro premiado na Bahia, por exemplo, as famosas fitinhas do Bonfim decoram um cenário que também celebra a arquitetura e a religião de Salvador/BA. “Quando ela soube que tinha ganhado, ela ficou muito animada para viajar para a Bahia e receber o prêmio”, conta a mãe, Cristina Galli. “Foi muito emocionante. Ali, ficou muito evidente a importância de ela e os outros apresentarem algo que é deles”. Além do prêmio, Marina também chegou a protagonizar uma exposição em Catanduva/SP, o que lhe rendeu até algumas vendas de quadro. Os dois acontecimentos impulsionaram uma descoberta artística e profissional que tem feito muito bem para Marina e dado muito orgulho para a mãe. “Ela começar a pintar foi o que, de fato, integrou ela, uma mulher autista à sociedade”, explica Cristina Galli. Assim, Marina segue melhorando cada vez mais seus dotes na pintura e participando de competições saudáveis, como o concurso do congresso Rio Teama. Escola Girassol Núcleo Disciplinar. Cristina Galli amadureceu a idéia, participou de vários seminários para se especializar e fundou a Espaço Girassol, em Catanduva/SP, onde moram, voltado para adultos com necessidades específicas. Serão oferecidas várias atividades, como: pintura, música, educação física, dança, artesanato, culinária e horta. Os trabalhos de artesanato e pintura serão expostos ao público com o objetivo de dar mais autonomia, independência e serem valorizados e inseridos na sociedade através da ARTE.

* GRAZI GADIA

Grazi Gadia é de Porto Alegre, Brasil. Ela é publicitária e é a mentora do Festival Eyecontact de Artes para Autistas. Há 13 anos, ela se mudou do sul do Brasil para o sul da Flórida (EUA). Grazi também é artista plástica. Nos últimos anos, ela participou de 3 edições da ARTBRAZIL, em Fort Lauderdale (EUA), expondo a sua arte e promovendo workshops sociais sobre o tema Autismo. Há 6 anos atrás, criou o seu projeto social:  Eyecontact – Lives shaped by Autism. Através do Eyecontact ela se tornou uma ativista da causa azul. O seu projeto social tem a missão de valorizar o protagonismo de mães e pais de autistas que fazem a diferença na sua comunidade, no Brasil e no mundo. Grazi conta as histórias de vida destes pais, por meio de histórias em quadrinhos e banners, os quais compõe a “POP UP Exhibition”, que geralmente é exposta em congressos de autismo e em galerias no Brasil e nos EUA. Fora isso, ela promove, anualmente, festivais de artes exclusivos para autistas e acaba de lançar um festival de artes exclusivo para os pais e mães das crianças com TEA. Junto com o seu marido, Dr Carlos Gadia, ela ajuda a organizar congressos sobre autismo sempre com a parceria de pais e mães de autistas no Brasil, como: o TEABRAÇO, o RIOTEAMA e BAHIA DE TODOS OS TEA.