A importância da Escola no desenvolvimento da Isabella.

* Por Cynthia Pereira

Vendo o que estamos vivendo hoje, escolas fechadas, atingindo milhares de crianças, o prejuízo com certeza está sendo enorme. A escola vai muito além das paredes. Ela chega onde não imaginamos. Aqui vocês verão a importância delas e como a atitude do Governo em disponibilizar vacinas é essencial.
Bem, Isabella aos três aninhos, sem andar, sem falar e com terapias ineficientes, sem um plano terapêutico, rotatividade dos terapeutas na rede SUS enorme, enfim nada favorecia o desenvolvimento dela.

Ainda com muitas angústias, e aprendendo com um universo imenso. Mais uma vez fui pega por um câncer de mama e assim como não poderia ser diferente, me encontrava muito fragilizada.

A Isabella começou  sua trajetória maravilhosa na escola Emei Cinquentenário, em Belo Horizonte, MG.

Lá tudo que não teve em terapias, começou a acontecer de uma forma eficiente, com muito amor e começamos a ver realmente nossa filha desenvolver.

Por três anos esteve nessa escola com sua acompanhante Eunice que assumiu o papel de fisioterapeuta, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional. Um trabalho em parceria com a família e a Diretora Mônica, que fez total diferença na vida da nossa princesa.

Ficar em pé, dar seus primeiros passos mesmo com apoio, comer sozinha, poder brincar com os colegas no parquinho, eram sonhos que estavam perdidos diante de tantas tentativas sem sucesso.
A escola para Isabella foi tudo o que não teve até aquele momento. Foi um apoio e um acalento para o coração de uma mãe que estava sempre descrente e fragilizada com a saúde.
A Escola tem um papel fundamental no desenvolvimento global da criança, quando tem profissionais comprometidos.

Deixo aqui minha gratidão à toda Equipe da Emei Cinquentenário. A toda a direção e nossa amada Eunice: vocês fizeram total diferença na vida da Isabella.

Isabella

“Último ano com a Bella. Mais um recomeço, conquistas e desafios. A mãe da Bella queria muito tirar sua fralda. Veio a nossa parceria mais uma vez. Perguntei se ela mandava várias calcinhas e bermudas na mochila, que estava disposta a mais esse desafio. A Bella não falava, era sempre com gestos, com a nossa comunicação. Com um mês ela não fazia xixi na roupa. Sucesso. Aprendeu a comer sozinha, largou o copo de bico e passou a tomar no copo comum igual as dos colegas. Para ela era o máximo estar igual a eles, aprendeu a beber água no bebedouro para ela não tinha mais limitações, se divertia no parquinho!!!! Ela não precisava da minha ajuda no escorregador, roda roda etc. Nas brincadeiras do dia a dia das crianças ela subia e descia dos infláveis sozinha. Era só orgulho. Era o exemplo de superação da escola. Começou a falar: eram poucas palavras mas no dia da sua formatura ver ela cantando e dançando sem o meu apoio, sozinha, foi uma emoção inesquecível. Desse sucesso todo só teve um problema, começou a fugir da sala para passear na escola.

Comecei a acompanhar a Isabella quando tinha de 3 para 4 anos . Como todas as mães de crianças especiais estavam cheias de recomendações, com a mãe dela não foi diferente. A Bella com 3 anos e meio era como uma criança de 11 meses, não engatinhava e não ficava em pé sozinha. Durante a permanência dela na escola, era no colo ou sentada na cadeirinha. Comecei um trabalho diferenciado, um recomeço. Todas as suas brincadeiras eram sentadas na cadeirinha com os brinquedos sobre a mesa. Comecei a colocar Isabella sentada no chão para brincar, foi uma festa. Ela não engatinhava mas arrastava de barriga pela sala. Conversei com os coleguinhas dela para terem cuidado de não machucar. Foi um sucesso. Ela não só brincava com quem estava na mesa e sim com todos da sala, podia ir até eles. No parquinho não foi diferente, sempre no chão adorava ficar dentro de uma casinha arrastando o bumbum no chão. Todos os deslocamentos da Bella pela escola foram com meu apoio e terminamos o ano com ela ficando de pé sozinha, apoiando na parede.

No ano seguinte mais desafios, ela andava pela escola mas não subia e descia as escadas. Era no colo. Tivemos um imprevisto. Passei por uma cirurgia e não pude carregar ela por 3 meses. Eu não queria deixá-la com outro profissional. Conversei, mostrei a minha barriga enfaixada e disse que estava dodói que não poderia carregar. Que eu ia segurar a mão dela e ela ia subir e descer: ela topou. Era o que faltava para fortalecer as pernas . Não tinha mais colo. Sempre andando com a minha ajuda e dos colegas. Terminamos o ano com a Isabella caminhando sozinha com um pouco de dificuldade. Vencemos”.

 

 

Eunice é educadora e atua Emei Cinquentenário em Belo Horizonte/MG.

 

* Cynthia Pereira é mãe ativista. Ela escreve, quinzenalmente, para o Portal de Notícias da Revista Reação, dando sequência aos artigos.
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