A Importância do Trabalho na Vida !

Andressa (nome fictício) tem 37 anos, é analista pleno em Diversidade e trabalha desde os 18 anos. É formada em administração, casada e mãe de um garoto de 6 anos. É a única pessoa da casa com emprego formal e responsável pelos cuidados de sua mãe (61 anos) acamada e portadora de doença grave, e de sua avó com 81 anos.

Além do trabalho formal e cuidados com a família, Andressa organiza festas infantis, junto com seu marido, aceita encomendas de bolos, salgados e decorações e ainda atua como voluntária em uma ONG.

Em sua atuação profissional, é a responsável por governar vários programas de inclusão de pessoas com deficiência (cerca de 132 PcD), especialmente um projeto que inclui PcD intelectual no mercado de trabalho a mais de 10 anos.

Isso tudo já seria suficiente para termos um ótimo exemplo de vida, mas essa história ganha ainda mais brilho pelo fato da Andressa possuir baixa visão (má formação congênita).

O que poucos sabem é que para alcançar esse status Andressa luta diariamente contra inúmeras barreiras e falta de acessibilidade.

“Até meus dois anos, minha mãe me criava no escuro por causa da hipersensibilidade à luz. Na adolescência não aceitava minha deficiência e ouvia orientações de que deveria dizer às pessoas que eu enxergava normalmente. No ensino médio, foi uma luta, pois eu não conseguia mais ler nada impresso e não conhecia lupa eletrônica nem nenhuma tecnologia assistiva. Tive ajuda de algumas professoras, mas outras, além de não produzirem provas com fontes ampliadas, por exemplo, ainda diziam: eu esqueci que você não é normal. Minha revolta me fez querer superar a própria presença da professora para ‘esfregar na cara dela’ que eu era capaz”, conta Andressa.

“Após o Ensino Médio, a mãe de uma amiga me chamou para trabalhar em uma pequena escola de idiomas. Lá, conquistei minha autonomia pois passei a ter renda e, com essa renda e uma bolsa parcial, consegui fazer faculdade. Em paralelo minha chefe me incentivava a prestar concursos públicos. Em 2001 passei em um concurso na Prefeitura e, ao mesmo tempo, fui chamada para fazer um estágio em uma grande empresa. Aceitei o estágio enquanto esperava ser chamada pelo concurso. Dois meses antes do fim de meu contrato, a prefeitura me chamou e foi uma luta, pois minha família queria que eu escolhesse a estabilidade pública, mesmo com remuneração menor do que o estágio que eu tinha. Assumi o risco, desisti do concurso e três meses despois fui efetivada como assistente. Após 4 anos, recebi um convite de outra grande empresa para atuar com RH, onde estou a 11 anos”, lembra. 

“Só aceitei minha deficiência e assim, aprendi a conviver bem com ela, quando comecei a trabalhar. No trabalho, ouvi que eu era capaz, diferente de tudo o que a escola, família e sociedade falavam, e ainda, fui apresentada às acessibilidades que me permitem evoluir diariamente”, afirma.

A história da Andressa ilustra a importância que o trabalho tem na vida das pessoas e como ela potencializa o progresso individual e coletivo. No caso das pessoas com deficiência, a Lei de Cotas é uma das garantias de espaço no mercado de trabalho.