A MODA pensa em você?

* Por Kica de Castro

Para 2021, vamos começar a colocar em prática tudo o que não foi possível em 2020, com cautela e planejamento. Apesar de ainda estarmos em plena pandemia, uma esperança se aproxima com os estudos para a vacinação. Vamos pensar de forma positiva para esse avanço na medicina.

No setor da moda, de forma tímida, as atividades estão começando a ser “redefinidas”. Desfiles ainda estão sem a presença de plateia, mas esse setor não pode ficar sem novas estratégias.

A tecnologia é algo que vem mais forte esse ano no mundo fashion e isso nos convida a repensar a relação entre o nosso corpo e o espaço ao nosso redor, através das roupas, calçados e acessórios que usamos. A moda é o meio usado por muitos criadores para expressar uma pluralidade em sentir e refletir o caminho que queremos atingir como tendência de mercado e consumo.

Quem constantemente pensa de forma diferente e ultrapassa o padrão estabelecido em mercado tradicional ganha notoriedade. Por isso, aqui fica a pergunta: a moda pensa em você, que é um consumidor com algum tipo de deficiência ou fora do que chamam de padrão de beleza?

Fazendo uma rápida comparação, moda é como arquitetura, uma questão de proporção. Essa reflexão faz parte do repertório da estilista francesa Coco Chanel.

Em tempos atuais, temos que avaliar quem são as marcas que pensam em todos os tipos de corpos, que de fato pensam na pluralidade.

As marcas de moda inclusiva pensam em funcionalidade, adaptações nas roupas e esquecem a estética. Marcas tradicionais pensam em estética e não pensam em adaptações. Como chegar a um meio termo? Uma sugestão seria se aproximar dos consumidores e escutar quais são as reais necessidades de um setor denominado inclusivo.

O que não se pode esquecer, quando usamos a palavra inclusão, é que ela significa pensar em TODOS os tipos de corpos.  Se um ficar de fora, isso é exclusão. E se pensar só em um tipo físico, está falando de segmentação. Cabe a cada marca escolher qual consumidor quer atingir.

Em tempos de sustentabilidade e avanços tecnológicos, sai na sempre quem pensa na pluralidade, em ter uma roupa que de fato é democrática e veste todos os corpos.

Dando espaço para pesquisa, existe um coletivo educacional, RElab Criativo, que tem como objetivo somar forças com o design universal e a moda plural, “REssignificando” sustentabilidade e acessibilidade.

Daniel Mendes tem 27 anos, nascido em Barra Longa – MG, mas que vive em São Paulo.  É coordenador consultivo de iniciativas e conteúdo do RELab Criativo e ativista de moda em prol de causas relacionadas à ampliação do olhar holístico e empático de equidade para com a pluralidade e a sustentabilidade.

Questionado sobre se a moda pensa nele: “Sim! É a resposta que deveríamos obter para perguntas como estas. Mas é o contrário, por mais que haja significativas revoluções sendo disseminadas e sementes plantadas, a maioria das marcas atualmente ainda trabalham em modelos falidos e sistemas que só visam lucro e consideram pessoas como meros números em toda a sua cadeia de produção, da concepção do produto ao consumo.

Quando falamos sobre marcas que, de fato, se preocupam com pessoas, estamos nos referindo a empresas que exercitam nos mais diversos contextos de atuação. Que perpassa pela expansão da consciência plural de forma holística, de desconstruir ideais de beleza e padrões estereotipados pela sociedade, ampliando seu olhar para a pluralidade de corpos e pessoas existentes e amplificando vozes e forças, ultrapassando barreiras e preconceitos, ressignificando que as diferenças são importantes e nos torna seres únicos e insubstituíveis.

É sobre modelos de negócio éticos, que agreguem valores sociais e contribuam para o desenvolvimento da sociedade, que pratiquem sustentabilidade, sejam transparentes e respeitem os agentes envolvidos em toda a cadeia de desenvolvimento, produção e consumo, se utilizando de recursos já existentes, naturais e orgânicos ou tecnológicos para buscar soluções e funcionalidades às demandas e necessidades do mercado, que se aplica a todos, sem distinção”.

É válido refletir. A marca que você consome de fato está alinhada aos seus valores e propósitos?

Aguardo a sua opinião em nossa rede social, instagram: @vivereficiente.  Forte abraço e até o próximo artigo.
* Kica de Castro é publicitária e fotógrafa. Tem uma agência de modelos exclusiva para profissionais com deficiência, desde 2007.  Apresentadora do programa Viver Eficiente,  que tem como objetivo dar voz e visibilidade para pessoas com deficiência.

Instagram: @vivereficiente
vivereficiente@gmail.com

 

“A pluralidade veio para a construção de um design universal”
Aline Meneses Ferreira, 30 anos, hemiparesia do lado direito, paratleta de tênis de mesa e conselheira consultiva no RElab Criativo.

 

“A moda não pensa em meu padrão, para as  marcas não sou lembranda”…
Cristiane Oliveira, 37 anos, nanismo, consultora de acessibilidade e conselheira municipal da pessoa com deficiência.

 

“Beleza e a moda são mutáveis e dependem do contexto histórico. Nesse momento estamos dando início a (des)construção para valorizar a pluralidade dos corpos existentes” …
Luiza Tamashiro, 33 anos, co-fundadora do RElab Criativo

 

RELab Criativo – Coletivo formado por pessoas com e sem deficiência para pesquisa de sustentabilidade e acessibilidade.

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