A vacinação contra COVID-19 e as pessoas com deficiência

Por Edson Maruyama Diniz

Vivemos um momento ímpar na história brasileira. A pandemia do coronavírus é nossa realidade há mais de um ano, e a julgar pelos números apresentados, esta é uma realidade que perdurará por um tempo. Estamos cansados, estressados e desejando que esse cenário mude o mais rápido possível. Vemos nas vacinas a esperança de dias melhores, de retomarmos nossas vidas e como uma maneira de eliminarmos essa doença que já provocou tantos problemas e sofrimento às pessoas de todo planeta.

Atualmente o programa de imunização avança em uma velocidade menor do que desejávamos. No Brasil, a vacinação segue cronogramas específicos, com variações regionais, estaduais e municipais, voltadas para grupos prioritários como os idosos, os profissionais de saúde, às pessoas com comorbidades, entre outros. As pessoas com deficiência também foram citadas pelo Ministério da Saúde como grupo prioritário para receber os imunizantes e começaram a ser vacinadas na primeira quinzena do mês de maio, após a aprovação do Projeto de Lei 5377/2020 na Câmara dos Deputados em 27/04/2021 que inclui as pessoas com deficiência como grupo prioritário para a vacinação contra COVID-19 no país e que colabora com o que determina a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência de 2009 e a Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, as quais colocam as pessoas com deficiência como vulneráveis, obrigando o poder público a tomar medidas necessárias à sua proteção e segurança.

Temos ainda um quadro preocupante para as quase 8 milhões de pessoas com deficiência, as quais estão mais vulneráveis a doença. Muitos deles possuem comorbidades, o que aumenta seu risco em relação à doença. Além disso, existem particularidades dentro desse grupo, que necessita de atenção especial. Muitos pacientes não toleram o uso de máscara, por exemplo, o que os deixa mais suscetíveis ao vírus. Outro ponto é que muitas pessoas com deficiência não conseguem compreender a necessidade da higiene das mãos ou do distanciamento social. Algumas pessoas cadeirantes apresentam dificuldades na higienização das mãos, assim como pessoas com déficit visual, que fazem um uso maior do tato, fatores que aumentam suas chances de exposição ao vírus. Pessoas surdas enfrentam dificuldades de comunicação devido ao uso da máscara, entre outros cenários específicos. Desta forma temos uma população vulnerável, que necessita ser vacinada com a maior brevidade possível.

Temos uma lacuna de informações em relação à pandemia de coronavírus. Não existem dados oficiais do governo federal que identifiquem o número de pessoas adoecidas com a COVID-19 tampouco outros dados como número de infectados, hospitalizados, recuperados e número de óbitos causados pela doença neste grupo no Brasil. Alguns estudos internacionais revelaram números próximos dos 60% em relação a contaminação e morte de pessoas com deficiência. Desta forma, essa carência de estudos epidemiológicos reflete uma “invisibilização” das pessoas com deficiência frente à saúde pública, o que se reflete nas ações voltadas para esse grupo.

Diante do exposto, entendemos a importância da expansão da vacinação contra COVID-19 o mais rápido possível, para todas as pessoas com deficiência, de modo a diminuir o número de mortes e complicações devido a essa doença e todo cenário advindo dela.

Portanto, vacine-se e mantenha as medidas de segurança, como o distanciamento social, o uso de máscaras e o álcool gel. Por ora, a vacina representa a ciência a favor da população brasileira e nossa melhor alternativa para vencermos essa doença. Também aconselhamos que as pessoas se informem através de meios confiáveis e não dêem ouvidos a boatos e mensagens duvidosas.  Essa é uma luta que venceremos somente se cada um fizer sua parte.

 

 

 

Edson Maruyama Diniz

Enfermeiro Estomaterapeuta – Prefeitura de São Paulo.

Mestrando em Telessaude – UERJ.

Assessor do Departamento de Comunicação e Marketing – Sobest.

Editor de Marketing e Mídias Sociais – Revista Estima.

** Este texto é de responsabilidade exclusiva de seu autor, e não expressa necessariamente,  a opinião do SISTEMA REAÇÃO – Revista e TV Reação.

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