Acaba de ser lançada no Brasil a bengala inteligente que identifica obstáculos !

Conhecido mundialmente como WeWALK, o dispositivo pode ser conectado ao Google Maps e foi eleito uma das maiores inovações tecnológicas do ano.

O inventor Kursat Ceylan de 33 anos nasceu na Turquia. Ele teve uma infância bastante proveitosa e aprendeu a se virar sozinho desde cedo. Foi aprovado na Boğaziçi University, a melhor universidade daquele país, onde foi estudar a língua e literatura turca. Mas a sua trajetória na antes e até a universidade não foi simples.

Na universidade, ele pedia que os amigos lessem os textos e as perguntas para ele. Kursat tem deficiência visual desde que nasceu e o smartphone que hoje lhe dá tantas ferramentas ainda não existia. E foi com base nos seus desafios diários e em tantos outros, que o jovem estudante acabou fundando a startup WeWALK, que desenvolveu uma bengala inteligente. O equipamento emite vibrações para alertar o usuário sobre objetos que encontra em seu caminho. A bengala também funciona conectada ao Google Maps e a outros assistentes virtuais, como o Alexa. Ela pode  indicar rotas, identificar lojas, escolas, hospitais, casas de amigos e parentes e outros estabelecimentos no caminho e até acessar o itinerário do transporte público.

O software da bengala – que permite uma infinidade de outras possibilidades –  recebe constantes atualizações e pode acompanhar o desenvolvimento de aplicativos e serviços. O potencial do dispositivo o levou Kursat Ceylan a ganhar o Edison Awards, um prêmio já conferido a outras figuras ilustres e importantes do universo da saúde e bem-estar. A WeWALK também foi eleita uma das maiores inovações tecnológicas de 2019 pela Revista Time. Na relação das 100 maiores inovações tecnológicas do mundo listadas pela publicação, só 4 delas são tecnologias assistivas, e a Orcam My Eye e WeWALK são 2 delas

Em recém entrevista exclusiva à “Pequenas Empresas Grandes Negócios”,  Ceylan falou sobre uma de suas novidades mais recentes: a chegada oficial da WeWALK ao Brasil. Com sede em Londres, a empresa dele já vende o dispositivo pela Internet a clientes em mais de 20 países. O Brasil é o terceiro país, depois de Reino Unido e Turquia, a ter um representante oficial. Quem vai importar e distribuir o produto com exclusividade no Brasil é a empresa “Mais Autonomia”, que foi fundada em 2017 e com foco em dispositivos que, como o nome já sugere, oferecem autonomia aos seus usuários. A empresa é a mesma responsável pela representação no nosso País, do dispositivo israelense Orcam My Eye.

 

Como surgiu a bengala

A história da WeWALK começou quando Ceylan foi aprovado em um programa de inovação da Young Guru Academy (YGA). A organização turca sem fins lucrativos desenvolve projetos que solucionam problemas das comunidades. Entre 50 mil inscritos, o jovem Kursat Ceylan foi um dos 50 selecionados. Lá ele conheceu Sadik Unlu, cofundador da startup e parceiro em outros projetos que vieram antes dela.

Os dois desenvolveram juntos, por exemplo, um dispositivo de audiodescrição que narra cenas mudas em filmes. Outro, focado em navegação, ajuda os usuários a encontrar objetos em casa ou no escritório. Em 2016, decididos a encontrar outras ideias, eles lançaram um hackaton para estudantes universitários. A ideia premiada foi a de um óculos que identificasse e ajudasse pessoas com deficiência visual a desviar de obstáculos. Com esse ponto de partida, passaram três meses conversando com pessoas que seriam o público-alvo – e concluíram que elas não queriam um dispositivo desse tipo. “Essas pessoas já têm um celular e uma bengala. O primeiro já tem ferramentas que tornam a vida muito mais fácil. Já a bengala é o que lhes dá um senso físico e uma segurança”, diz Ceylan, que já tinha essa mesma opinião. A decisão foi então reinventar o item ao qual eles já estavam habituados. Criaram duas campanhas de financiamento coletivo, arrecadando pouco mais de US$ 100 mil. Interessada na ideia, uma grande empresa europeia de eletrônicos cedeu as suas fábricas para que eles e o time de desenvolvedores tocassem o projeto. Cinco meses depois, em 2017, a primeira versão da bengala inteligente foi lançada no mercado.

Totalmente pronta para o mercado, hoje a função básica da bengala é identificar e alertar o usuário sobre obstáculos sem que sequer precise encostar neles. Isso é possível graças a um sensor biônico presente em sua parte superior, que também permite rastrear obstáculos na altura do peito. O alerta é feito por meio de vibrações, que se tornam mais intensas de acordo com a proximidade. Ela possui ainda um auto falante inclusivo, que permite que ele dê instruções e ofereça referências à pessoa. Uma das funções mais recentes informa, por exemplo, o nome do estabelecimento no qual ela está em frente. Em Istambul, a bengala já oferece informações sobre o transporte público, por exemplo. “A expectativa é oferecer esse recurso em outros locais do mundo”, diz o cofundador.

A versão que chega agora ao Brasil já funciona em português e inclui a conexão ao Google Maps. Segundo Ceylan, a funcionalidade de identificar locais deve ser disponibilizada ainda este ano. Custando US$ 500 (cerca de R$ 2 mil) internacionalmente, a bengala ainda não teve o valor definido no Brasil. Para 2020, a expectativa é entrar oficialmente em mais quatro países. A startup também negocia uma rodada de investimentos que deve ser fechada em janeiro. “Ao mesmo tempo em que já se fala sobre carros voadores, as pessoas com deficiência visual continuam usando uma simples bengala”, ressalta Ceylan. “Costumamos dizer que a WeWALK não se trata de uma tecnologia, mas de um movimento social”, finaliza o inventor.