Acessibilidade no entretenimento adulto

ilustração de site de entretenimento adulto

Estudos sugerem que o setor pornográfico movimenta em torno de US $696 bilhões anuais e que 30% de todos os dados que transitam pela rede carregam conteúdo pornográfico. Em toda essa produção há geração de conteúdos que retratam todos os corpos, gêneros, cores de pele, sexualidades e dinâmicas de relacionamento. Contudo, o assunto continua sendo pouco acessível para as pessoas com deficiência visual e auditiva. Como esse público consome esse tipo de conteúdo se o que é feito hoje tem o áudio e a imagem como estrelas?

Para debater esse tema que o podcast Gente Conversa, comandado por Ju Wallauer, abriu os microfones para três mulheres falarem sobre sexo. As convidadas foram Joana Peregrino, proprietária da Conecta Acessibilidade, empresa que transforma conteúdos de todos os formatos e gêneros acessíveis a pessoas com deficiência visual e auditiva, Claudia Rodrigues, professora, com deficiência visual e consumidora de filmes adultos, e a diretora geral do canal adulto Sexy Hot, Cinthia Fajardo. O episódio “Acessibilidade no Entretenimento Adulto” vai ao ar dia 22 de junho. Para conferir o conteúdo na íntegra acesse

https://gente.globo.com/podcast-gente-conversa-ep19-acessibilidade-em-conteudo-adulto/utm_source=press&utm_medium=referral&utm_campaign=gente_ref_press_GCEP19&utm_content=plataforma_gente_2021

“Quando pensamos em acessibilidade, temos uma visão generalizada. Contudo, é preciso levar em consideração a subjetividade de cada um, até mesmo no universo da deficiência. Em geral imagina-se que a pessoa com  deficiência é um ser etéreo, iluminado e que não sente desejos e atrações sexuais. Sem falar no grande número de casos de PcD que sofrem, ou já sofreram abusos sexuais. E isso não tem relação com fetiche, mas sim de acharem que são pessoas mais vulneráveis e que não sabem se defender. A sociedade precisa estar disponível para ver e rever essa situação”, aponta Claudia Rodrigues.

Segundo Joana, infantilizar a pessoa com deficiência torna tudo muito mais difícil. “Precisamos dar independência, e a audiodescrição ou a legenda descritiva vai trazer isso. No caso do trabalho de transformar filmes acessíveis é sempre um processo desafiador e com muitas regras. A audiodescrição, por exemplo, é uma modalidade de tradução, é uma versão. Escolhemos, com muita sensibilidade, o que é mais importante em cada cena”, explica Joana.

O Sexy Hot já disponibiliza no sexyhot.com.br filmes do selo Sexy Hot Produções com esses recursos – tanto de legenda descritiva quanto de audiodescrição. A ideia é que, com o tempo, todos os conteúdos exclusivos do canal sejam acessíveis. “Entrar no canal de conteúdo adulto para mim não foi uma experiência encarada como tabu. Minha expectativa foi trazer o olhar feminino para essa indústria que durante anos teve um olhar essencialmente masculino e machista. E hoje 80% do nosso time na Playboy do Brasil é composto por mulheres, inclusive na equipe que faz a aquisição do conteúdo”, recorda Cinthia.

 

Para ouvir acesse:

Plataforma Gente https://gente.globo.com/formato/podcast/