Adeus vida velha e venha vida nova…

Após um período de turbulência e luto, precisava dar um salve para todos, mesmo porque existe um carinho e empatia entre nós, mas a idéia não é chorar, lamentar algo que é um processo natural da vida. Neste momento quero falar de vida e gratidão.

            Com 30 anos de casamento, meu companheiro resolveu fazer morada em outra dimensão, porque aqui já estava concretizado o projeto familiar ao qual ele foi designado. Projeto de vida concluído, vida que segue.

            Tenho muito que agradecer minha jornada de vida, pelos amigos conquistados, “inimigos” (para mim são pessoas que agradeço o aprendizado), experiências vividas que fazem parte da minha estrada, ora maravilhosa, ora linda, mas nunca ruim e esburacada, embora às vezes presenciamos retrocessos sociais que vem para nos tirar da letargia, dando uma sacudida para retirar o pó do marasmo.

            Sinto atualmente a mulher mais conectada com as outras, com mais empatia e solidariedade, estamos iniciando um cultivo positivo em convivência feminina, defendo que essa conexão seja profunda e verdadeira, basta com essas bobeiras que “mulher não é amiga de outra”, “mulher solteira e/ou separada são perigosas para relacionamentos alheios” e blá blá blá…

            Só existe “perigo” onde não houver amor, compreensão, parceria, cumplicidade, entre outras coisas. O vazio de sentimentos provoca evasão no relacionamento, há necessidade em culpar o outro pela nossa inabilidade amorosa, mesmo que seja claro como a luz do dia, ainda é culpa de outros e não nossa. Ouço muitas críticas às práticas feministas, que é ridículo elas saírem nuas ou seminuas em protestos, que defendem a imoralidade, ferem os bons costumes, contudo, não se esqueçam que foram essas mesmas mulheres que saíram às ruas, morreram para que outras tivessem seus espaços e direitos garantidos, mulheres corajosas e com garra para a luta, porque lugar de mulher é na luta e não criticando quem faz.

            Saímos, mostramos nossos corpos para que a sociedade veja o tamanho da hipocrisia que ainda está entre nós, falamos mal daquilo que não compreendemos, que julgamos ser acima dessas “falhas morais”, mas gostamos e regozijamos com as conquistas delas, então deixemos a maledicência, falsos moralismos de lado e vamos nos juntar a luta e conquistar o mundo.

            Ainda não me decidi se sairei dos movimentos sociais, estou analisando o todo, no entanto é quase certo que sim, porque meu projeto de vida como militante sinto que está findo com o início de outros caminhos mais pessoais.

            Aguardemos os próximos capítulos, para ver o que vem por aí…

Até nosso próximo encontro !!!