AMI – Associação Mães que Informam

Mães mineiras acolhem e informam mulheres com filhos com deficiência, através de entidade criada em 2013 na Região Metropolitana de Belo Horizonte/MG, que já tem mais de 300 associadas. 

Levar a informação para quem mais precisa – as mães das pessoas com deficiência. Foi com esta iniciativa que nasceu em 2013 a Associação Mães que Informam (AMI), em Lagoa Santa/MG, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A fundadora e presidente da entidade, Adriane Cruz, explica que reuniu informalmente as mães das crianças com deficiência – como o seu filho João Pedro, com paralisia cerebral – e juntas decidiram ir atrás não apenas das informações necessárias para a fisioterapia dos filhos, mas também para descobrir quais locais eram acessíveis e quais não eram e, principalmente, oferecer apoio umas às outras na batalha diária contra o preconceito, as dificuldades e a indiferença na periferia da capital mineira.

Cinco anos depois, a AMI reúne 325 mães em Lagoa Santa, Belo Horizonte e Sabará, cidade onde Adriane vive atualmente com o marido e com João Pedro, de 10 anos. Ela conta que nestes 5 anos, as “Mães que Informam” fizeram passeatas, pressionaram escolas, clínicas, hospitais, prefeituras, shopping-centers, para que os espaços públicos fossem adequados e se tornassem acessíveis para as pessoas com deficiência. “É uma luta gigante. Sei que o João Pedro não viverá neste mundo com acessibilidade, mas penso que se meus netos viverem, terá valido a pena”, reflete Adriane. Segundo ela, a primeira missão da AMI quando chega uma mãe é cuidar emocionalmente da nova integrante que procura a entidade. “Primeiro queremos que esta mãe não seja destruída emocionalmente. Ela está muito cansada e com problemas. O segundo passo é cobrar o atendimento do poder público para o filho ou a filha dela. Eles têm todo o direito a ter este atendimento, são cidadãos”, reforça Adriane.

Ela prefere definir a AMI, por enquanto, como um “coletivo de mães”. A associação deverá tirar o CNPJ até o final deste ano. “Nós formalizaremos a associação até o final de 2018. Por isto prefiro definir a AMI como um coletivo”, diz Adriane.

“Em 2013 nós queríamos sair do eixo hospitais e clínicas. Queríamos aproveitar a nossa cidade. Então reuni todas as mães com crianças com deficiência e passamos a visitar os parques, fazendo piqueniques, fomos a cinemas, teatros, começamos a luta pela acessibilidade. Fomos a Belo Horizonte e mais mães se juntaram a nós”, conta Adriane. “O que nós sentimos é que não havia lugar para a pessoa com deficiência. Isto mudou pouco desde então. Algo que sempre acontece: saio com o João Pedro e vamos a um shopping center. Muitas vezes aparece alguma pessoa sem deficiência que diz: ‘Mas porque vocês trazem uma criança com doença ao shopping?’. Isto é um absurdo, meu filho não é doente. Mas ainda acontece esse tipo de situação em pleno 2018”, diz Adriane.

Segundo ela, a necessidade de conversas e troca de experiências e apoio emocional surgiu também a partir do preconceito. “Uma mãe que acompanha a outra, quando as duas levam seus filhos com deficiência para um passeio, sempre ajuda. Você escuta que seu filho é doente e sente muita raiva e tristeza. Aí a outra mãe que está ao lado é importante para lembrar a pessoa preconceituosa que a criança não é doente, ela é cidadã. Tem o direito de ir e vir, estar onde quiser. Por isto eu digo que lutamos pela causa da pessoa com deficiência, não só do meu filho, mas de todas as pessoas, independente de quem for”.

Lei Brasileira da Inclusão

Adriane comenta que a Lei Brasileira da Inclusão (Lei Nº 13.146/15) é “maravilhosa”, mas que ainda “não pegou”. Ela lembra que a maioria dos municípios não adaptaram as calçadas, o transporte público, o acesso aos edifícios residenciais e comerciais, escolas, até mesmo postos de saúde, clínicas e hospitais, para as pessoas com deficiência.

“Acho que mais importante até que a adaptação dos equipamentos físicos é a necessidade de conscientizar as pessoas de que a criança com deficiência tem direitos como qualquer outra criança. A inclusão escolar no Brasil ainda não ocorre. Muitas escolas públicas especiais foram fechadas desde 2015 e o fato é que a maioria das escolas públicas comuns não se adaptou”, comenta. “Uma criança com deficiência tem o direito de dançar uma quadrilha na Festa Junina na escola. Ela tem direito a tantas coisas… falta a escola se adaptar para recebê-la”, comenta a mãe e ativista.

A presidente da AMI diz que a prefeitura da capital mineira começou a refazer as calçadas em alguns bairros, adaptando o pavimento para as pessoas com deficiência, mas afirma que é pouco. “Belo Horizonte e as cidades vizinhas são todas cidades com muitas ladeiras. Muito tem que ser feito. Veja: estive em Brasília há alguns anos e nem os ônibus estavam adaptados para transportar as pessoas com deficiência”, diz.

Adriane comenta que, enquanto a sociedade e o Estado não cumprem com a Lei, entidades como a AMI continuarão a informar as mães das pessoas com deficiência sobre os seus direitos e levarão informações para encaminhá-las ao atendimento de entidades. “Continuaremos a dar para as mães o caminho para a APAE, Amigos do Autista e tantas associações que no Brasil fazem a diferença”, afirma.