Ataques a pessoas com albinismo aumentaram mortes durante a pandemia

Unicef Moçambique/Sergio Fernandez

O mundo teve um aumento de ataques fatais contra pessoas com albinismo durante a pandemia.

Muitas pessoas empurradas para a pobreza se voltaram para a feitiçaria esperando enriquecer rapidamente na crise. A constatação é da relatora independente das Nações Unidas sobre os direitos de pessoas com albinismo, Ikponwosa Ero, em  relatório do final do mandato.

No entanto, a primeira especialista independente nomeada ao cargo reconhece ter havido progresso em muitas frentes.

Ero expressou profunda tristeza com “o aumento notável de casos de pessoas com albinismo sendo mortas ou atacadas por causa da crença equivocada de que usar partes de seus corpos em poções pode trazer sorte e riqueza”. O documento  destaca que o mais trágico é que “a maioria das vítimas são crianças”.

A especialista disse ter passado os últimos seis anos lutando contra ataques de bruxaria a pessoas com albinismo, e estar “grata por ter havido muito progresso em vários continentes, apesar de alguns contratempos durante a pandemia”.

Apontando os avanços na questão, ela citou um plano de ação sobre o albinismo na África criado em colaboração com a União Africana.

A especialista mencionou o Brasil, ao lado do Japão e das ilhas Fiji, pelo aumento de campanhas de conscientização que elevam a compreensão sobre os desafios para as pessoas com albinismo.

Ero destaca ter havido um aumento em mais de 10 vezes na quantidade de pesquisas sobre o albinismo, que levarão a uma maior entendimento da doença e dos problemas associados à doença rara e não contagiosa.

Houve também uma maior compreensão dos direitos das mulheres e crianças afetadas pelo albinismo e a necessidade de proteção contra práticas prejudiciais.

Atos hediondos

O albinismo é uma condição genética que resulta da falta de melanina afetando o cabelo, a pele e os olhos. Um dos principais efeitos é a vulnerabilidade na exposição ao sol.

Ero destacou que embora se tenha avançado muito na luta contra esses atos hediondos, “o caminho à frente continua longo e árduo”.

Em julho, o Conselho de Direitos Humanos aprovou uma resolução condenando abusos cometidos envolvendo acusações de bruxaria e ataques rituais.

Fonte: https://news.un.org