Atleta paralímpico tem barco a remo adaptado pela UFSCar

Desenvolvido especialmente para ele, o novo equipamento ajudou na classificação de Renê Pereira para os Jogos Paralímpicos de 2020, no Japão

O atleta paralímpico Renê Pereira, bicampeão sul-americano que compete na modalidade remo, ganhou uma barco adaptado para suas necessidades. O modelo foi desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia Assistiva (NTA) do Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

O projeto foi pensado para atender especificamente às necessidades ergonômicas do atleta na atividade de remar, melhorando o seu rendimento. Personalizado, o barco foi utilizado por Renê, que tem paralisia de membros inferiores, na Copa do Mundo de Remo, onde ele conquistou uma medalha e a classificação para os Jogos Paralímpicos de 2020, em Tóquio, no Japão.

Resultado de uma parceria com com a empresa Conforpés, de Sorocaba, que atua no ramo de produção e distribuição de próteses e produtos assistivos, o modelo do barco estabiliza os membros inferiores do atleta, uma das necessidades primordiais de Renê, segundo Cleyton Fernandes Ferrarini, professor do Departamento de Engenharia de Produção (DEP-So) do Campus Sorocaba e coordenador do NTA/UFSCar. ” Ao remar, ocorriam movimentos involuntários das pernas que levavam ao desequilíbrio e a consequentes perdas energéticas para retomar o equilíbrio. Também foram identificadas as necessidades de adaptações de equipamentos que compõem o ‘cockpit’ do barco”, destaca Ferrarini.

A finalização do barco demorou cerca de seis meses e contou com a participação de terapeutas ocupacionais e técnicos da empresa que tocou o projeto. O barco a remo olímpico é composto pelo casco, geralmente constituído por fibra de carbono, fibra de vidro e resina epóxi. Nele há o espaço reservado para acomodação de um (ou mais) remadores denominado “cockpit”, onde se encontram o encosto, o assento e o finca-pé.

Fixadas nas laterais do barco ficam as braçadeiras que apoiam os remos. Segundo Plínio César Marins, técnico do NTA/UFSCar, a principal diferença entre um barco a remo padrão e o adaptado está na obrigatoriedade de uso de cintos de segurança para tórax e pernas do paratleta. “Encosto, assento e finca-pé podem ser customizados de acordo com a necessidade do paratleta, porém submetidos à aprovação por comitê julgador das provas”, completa.