Atuação firme no Estado do Pará

* Por Andrea Bussade

 

Nayara Barbalho que é advogada, teve contato com o autismo durante uma consulta de rotina com a pediatra, que identificou sinais precoces no desenvolvimento do seu filho Pedro, hoje com 6 anos e diagnosticado com autismo. A partir daí ela e marido, Raphael Maués, também advogado, constataram a dificuldade em encontrar profissionais especializados na rede privada e imaginaram como seria na rede púbica e começaram a levantar esses dados, onde moram, no Estado do Pará.                                                                                                

Como o Pará é o segundo maior estado da Federação, com realidades muitos distintas e municípios distantes, foi formado um grupo de trabalho para se discutir políticas públicas para o autismo, e foi criada a Política Estadual de Proteção dos Direitos das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (PEPTEA) e, também, a Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (CEPA), ligada à Secretaria de Saúde, mas com viés intersetorial.

A Lei estadual Nº 9.061- 2020, assegura os direitos da pessoa com autismo, cria o Sistema Estadual de Proteção dos Direitos dos Autistas e instituiu a expedição de Carteira de Identificação das Pessoas com Espectro do Autismo, que servirá para mapear a maior demanda de pessoas com autismo do estado do Pará. 

Foi inaugurado o Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (NATEA) e implantado o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), com 300 vagas. Além disso, foi firmada uma parceria com o SEBRAE, visando a inserção de jovens adultos no mercado de trabalho: o NATEA, que oferece aos usuários, Análise do Comportamento Aplicada, Terapia de Integração Sensorial, educação física adaptada e intervenções e capacitações familiares, dentre outros serviços.

Está sendo inaugurado o Centro de Referência com foco em ser um laboratório de estudo em Análise do Comportamento Aplicada para os profissionais do estado, além de outras intervenções baseadas em evidências científicas. 

Nayara dá voz e garante os direitos da sociedade autista no estado do Pará. “Não existia, até então, no Estado do Pará, nenhum local de atendimento ao público baseado em análise de comportamento aplicada e documentação específica para o autista, e programas perenes, que pudessem atender as demandas desse público de forma intersetorial”, afirma Nayara. 

Por fim, Nayara mostra que, quando o poder público tem interesse, é possível disponibilizar serviços públicos de qualidade para o autista. 

* Andrea Bussade é jornalista e mãe da Rafaela de 26 anos e do Gabriel de 19, com autismo.

 

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