Áudios de contos eróticos viram alternativa de prazer para pessoas com deficiência visual

Cada vez mais os brasileiros estão se sentindo confortáveis em falar, fazer e consumir sexo.

Tanto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual, no Brasil, o valor aproximado de vendas de produtos eróticos foi de R$ 2 bilhões no ano passado. Apesar de mostrar um considerado progresso em uma área que até então era tratada como tabu, o setor ainda encontra algumas questões que precisam ser discutidas para conseguir de fato mostrar que cada vez mais ele se torna plural e democrático.

Hoje é possível pagar para assistir o vídeo de uma pessoa que gosta de se exibir apenas por diversão, escolher entre diversas categorias em um site de conteúdo erótico e até mesmo enviar fotos sensuais através de uma conversa em um aplicativo de mensagens. Tudo isso parece ser algo comum na rotina de uma pessoa que gosta de consumir esse tipo de conteúdo, porém, isso muda quando estamos falando de pessoas com deficiência visual, que até então não era um público que era levado em consideração quando o assunto eram os vídeos eróticos.

De acordo com o último Censo, pessoas com essa deficiência representam 3,4 % da população. Mesmo assim, apenas nos últimos anos as plataformas de vídeos eróticos decidiram incluir audiodescrição em suas produções. “Sendo assim, os áudios eróticos acabaram sendo uma boa opção para esse público”, explica Fábio Chap, criador da primeira plataforma de áudios eróticos no Brasil, a Tela Preta.

A plataforma possui cerca de 200 contos eróticos com temas variados como masturbação guiada, LGBTQI+ e até com brinquedos. Cada semana, novos áudios são disponibilizados dentro da plataforma. Para acessar o conteúdo é preciso ser assinante, e os preços variam entre R$ 14,99 por mês ou R$ 149,90 por ano.

“Já tivemos mais de cinco mil assinantes, mas não são todos que costumam deixar um depoimento sobre a experiência com os áudios, então não temos como mensurar com precisão quantos clientes são pessoas com deficiência visual que já utilizaram nosso serviço, mas tivemos um número bastante interessante que disse que o que nós estamos oferecendo é algo totalmente inovador nesse mercado”, explica Chap.