Autismo: dicas para estimular conexão

Autismo: dicas para estimular conexão

Já percebeu como, muitas vezes, ficamos sem saber como “envolver” mais as crianças com TEA para que sejam mais estimuladas?

Embora as brincadeiras sejam mais percebidas como lazer, elas podem ser um aliado fundamental no desenvolvimento dos pequenos com autismo, quando conduzidas de forma correta.

“Se não conquistarmos a atenção da criança da forma correta, ela acaba não se engajando nas atividades. E quando falamos de crianças com algum tipo de atraso no desenvolvimento, é muito comum existir essa dificuldade para atraí-las. Sempre sugiro aos pais e responsáveis seguirem cinco passos para fazer em casa, para que incentivem cada vez mais as habilidades de seus filhos”, comenta Bárbara Calmeto, neuropsicóloga e diretora do Autonomia Instituto, que indica também a leitura do livro “Autismo – Compreender e agir em família”, dos autores Sally Rogers e Laurie Vismara.

A seguir, Bárbara fala um pouco mais sobre esses passos.

1. Identifique o que está sob o “holofote” da criança, o que chama a atenção dela:. “Identifique algum interesse especial. Brinquedo ou não. Procure observar o que faz a criança feliz, o que faz com que fique calmo quando se irrita, o que procura quando está feliz. Observe e anote os brinquedos, objetos e brincadeiras que gosta. Por exemplo, se a criança gosta de carrinhos, vá introduzindo variações, como caminhão, motos, avião e demais meios de transporte.. Quando a criança se sente motivada, ela persiste na brincadeira e, consequentemente, é mais estimulada e se desenvolve mais”.

2. Entre no “palco” e tome sua posição: “Isso significa o cuidador se interessar por aquilo também. Uma vez que você tenha identificado o holofote da criança, é a vez de começar a participar daquela brincadeira também, desse “palco” que ela está brincando. Para começar, sempre se sente de frente para a criança, para buscar a atenção dela. Olhe em seus olhos, converse, participe. Esse posicionamento frontal à criança é essencial para você chamar a sua atenção. Imagine que seu filho está brincando, e você está lá do outro lado ouvindo, mas não participando. Não funciona. Portanto, vá observando e, aos poucos, busque a comunicação com a criança. Mas atenção: brincar junto não significa tirar o brinquedo da criança. Ela quer que brinque com ela, não que tire seu objeto de atenção. Um bom exemplo é se ela estiver brincando com um carrinho, pegue um outro e faça os mesmos movimentos”.

3. Elimine a concorrência: “Se a gente quer chamar a atenção da criança naquela brincadeira, nada pode tirar esse foco. Deixe o ambiente livre de interferência quando você e a criança estiverem envolvidos na atividade. Televisão desligada, celulares escondidos, tablets guardados. Nada pode distrair a criança. E não são apenas esses gadgets. Se a porta da cozinha, por exemplo, estiver aberta, feche, pois sempre tem alguém na casa que acaba fazendo barulho. Imagine você querendo a atenção do seu filho e alguém pega uma panela, que naturalmente faz barulho? Fique em um ambiente em que estejam apenas vocês dois, sem nada para interferir ou incomodar. Enfim, fique em um ambiente em que somente você poderá chamar a atenção da criança e evitar esses distratores. Essa interação social é fundamental para o desenvolvimento. Nessa brincadeira social, buscamos o contato visual, resposta pelo nome, interação de troca de turno com “é minha vez, é sua vez” etc”.

4. Identifique a zona de conforto social da criança e respeite o seu espaço: “Para começar, é preciso explicar o que seria essa zona de conforto social da criança. Esse é o espaço em que ela permite que você se aproxime dela socialmente, por meio do corpo, do olhar, do brincar junto. Nessa atividade de chamar a atenção da criança, não fique pegando, encostando ou transferindo ela de local. Não invada o espaço social dela. Não fique olhando fixamente, pois ela vai se sentir invadida no seu espaço social e acabar desviando o olhar. Essa fronteira é muito importante e é preciso observar. Afinal, se a gente for muito apático, não conseguimos chamar a sua atenção. Mas se formos muito “entrões”, acabamos afastando a criança. Portanto, para que ela “aceite” você, é necessário respeitar os limites dela. Use esse contato social que ela permite para, por exemplo, brincar de esconder, que é algo que adoram; entre outras atividades. E tenha sempre em mente que o conforto social da criança precisa ser respeitado para que ela deixe você participar cada vez mais do dia a dia dela. Você vai perceber que, dessa forma, com o passar do tempo, a aproximação para a interação de vocês vai começar a partir da própria criança”.

5. Junte-se à criança, seguindo a liderança dela: “Quem está comandando a brincadeira é a criança, mas nós, que vamos fazer a estimulação (sejam os pais, terapeutas, professores ou demais pessoas ligadas à família), precisamos ter em mente o que queremos alcançar com aquela brincadeira. Esse é o momento de você pegar um brinquedo parecido com o dela e começar a entrar na brincadeira. Então, se ele estiver brincando com uma torre, por exemplo, comece a montar uma torre ao lado da dela, mas com “suas” peças; se ela estiver rodando um bloco, você pega outro e faz igual. Vá seguindo a criança. Outra ideia é que depois que estiverem um tempo brincando, comece a narrar a brincadeira e a introduzir novas “etapas” junto, como fazer barulhinhos engraçados. Isso é importante para que você acesse a criança. Mas sempre permitindo que ela dite o ritmo da brincadeira, o tempo”.

“É importante lembrar que tudo isso faz parte de um treino, não é algo pontual. Os pais devem fazer esses exercícios todos os dias, várias vezes. O treino de brincadeiras, habilidades e estimulação das crianças é diário, de segunda a segunda. Não perca oportunidades de estimular seu filho, porque ele sempre pode dar um pouco mais”, conclui Calmeto.

Para os pais e responsáveis que quiserem saber mais informações sobre o tema, podem acessar o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=SNAdPeRSsf0