Bom exemplo para a Agroindústria

A Copagril – Cooperativa Agroindustrial com sede em Marechal Cândido Rondon/PR, que atua diretamente nas regiões Oeste do Paraná e Sudoeste do Mato Grosso do Sul vem se destacando ao oferecer vagas no mercado de trabalho para pessoas com deficiência. Segundo a entidade, “oferecer oportunidades de trabalho é uma forma de proporcionar a integração social a pessoas com deficiência. Os esforços são para absorver este público em nossos estabelecimentos comerciais e industriais e também compartilhar com instituições como o SINE – Agência do Trabalhador – onde também são divulgadas as vagas abertas e realizada intermediação de candidatos”.

No calendário oficial da Cooperativa, uma das maiores do setor no Brasil, está o apoio ao SINE na realização do Dia D, em alusão ao Dia da Inclusão Social e Profissional das Pessoas com Deficiência e dos Beneficiários Reabilitados do INSS, que ocorre em setembro.

Os cooperados, ao visitarem as instalações da entidade se deparam com profissionais que ocupam as vagas oferecidas pela Entidade. O jovem Moacir Coproski Bedin, de 25 anos, possui neurofibromatose facial tipo dois, uma doença genética que causa um tumor benigno. Ele trabalha na Copagril há 6 anos, estando lotado na Unidade Industrial de Rações, em Marechal Cândido Rondon/PR. Moacir conta que, antes de ser funcionário da cooperativa, ele fazia bicos entregando panfletos de casa em casa. “Na Copagril tive a oportunidade de ter a carteira de trabalho assinada pela primeira vez. Minha vida ficou muito melhor”, conta.

A trajetória de Moacir também lhe deu novas expectativas, “depois que eu terminar o curso de Qualidade quero fazer o curso técnico de Enfermagem. Mas não quero sair daqui. Aqui eu me sinto em casa” conclui.

Outro funcionário que aproveitou a oportunidade há mais de 15 anos é Erno Krummenauer, de 61 anos. Ele teve paralisia infantil que acometeu o seu braço esquerdo. “Antes eu trabalha de boia-fria e pintor, desenvolvia trabalho braçal, somente com um braço e isso me esgotava muito. Gosto muito de recepcionar as pessoas, adoro o que eu faço ! Pra mim é um privilégio trabalhar aqui na cooperativa”, finaliza.

 

Pessoas com Deficiência e agronegócio:

uma semente para reflexão

Artigo assinado por Ana Paula Porfírio da Silva, pesquisadora do IEA – Instituto de Economia Agrícola, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo afirma que “a agricultura é de fato justa ao ofertar produtos para todos os seres humanos indistintamente. Existe, porém, um desequilíbrio na relação com as pessoas com deficiência ao se considerar que a utilização da mão de obra de tais pessoas no sistema de produção agropecuário é praticamente inexistente e ela é, infelizmente, a realidade brasileira. Em suma, há o fornecimento (também) para as pessoas com deficiência, mas isso é feito sem a participação da pessoa com deficiência no sistema de produção”.

Ainda de acordo com a pesquisadora “estudo feito por uma universidade americana, em 2003, levantou que a principal causa para esta baixa inserção deve-se à crença, por parte de um terço do total de empregadores entrevistados, da qual as pessoas com deficiência não podem efetivamente realizar as tarefas do trabalho exigido; o segundo motivo para a não contratação de pessoas com deficiência foi o medo do custo de instalações especiais”.

“O mundo busca o desenvolvimento sustentável e a inclusão de pessoas é condição sine qua non para este modelo, que por definição prevê a integração entre economia, sociedade e meio ambiente e que o crescimento econômico deve levar em consideração a inclusão social e a proteção ambiental” aponta a pesquisadora do IEA.