Campeão mundial de natação paralímpica treina de olho em recorde nos Jogos Paralímpicos de Tóquio

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Divulgação
O atleta de natação paralímpica, Wendell Belarmino, vencedor dos 50m livre na classe S11 no último campeonato mundial, realizado em 2019 em Londres, utiliza o parque aquático do Colégio Presbiteriano Mackenzie Brasília (CPMB) para se preparar para os Jogos Paralímpicos de Tóquio, que serão realizados de 24 de agosto a 5 de setembro. Wendell é um nome a ser batido e nadará para derrubar o recorde mundial dos 50m livres, registrado em 25 segundos e 33 milésimos. Patrocinado pelo Mackenzie, o desportista é o primeiro nadador paralímpico brasiliense consagrado campeão mundial e o primeiro brasiliense a vestir a touca da seleção brasileira de natação paralímpica.

“Em Tóquio, o melhor dos mundos seria bater o recorde mundial. Estou a 92 centésimos e a minha meta é pelo menos me aproximar da marca, que foi atingida pelo chinês Yang Bozu, nos Jogos de Londres, em 2012. Meus principais oponentes serão os atletas russos e os chineses, mas eu nadarei pelo recorde”, explica Wendell.

O Mackenzie, que tem tradição em incentivar o esporte, apoia o atleta desde o início de 2020. Em agosto do ano passado, decidiu mergulhar junto com o nadador em busca do ouro paralímpico e do recorde mundial. Wendell tem se dedicado por pelo menos três horas em treinos dentro e fora da água, todos os dias da semana. A rotina tem sido intensa. “O Mackenzie acreditou em mim, no meu potencial e me ofereceu uma estrutura sensacional. A piscina é excelente. Aqui tenho tudo o que preciso para treinar”, elogiou.

Wendell nada desde os cinco anos de idade, mas só encontrou incentivo para se tornar um atleta profissional do esporte quase uma década depois, mesmo com todo o potencial apresentado por ele ao longo da vida. “A Natação está na minha vida há muito tempo. Comecei aos cinco anos para o desenvolvimento respiratório e motor. Aos 12, retornei para as águas tentando fugir do ócio e tomei gosto, mas o lugar onde eu treinava não me apoiava competitivamente. Eu insisti, participei de um torneio, fui encontrado pela Federação Paralímpica de Natação – que me convidou para outra competição – e conheci o Marcão”, complementou Wendell.

O técnico Marcos Lima Espírito Santo, o Marcão, acompanha o nadador desde 2015, auxiliando-o na conquista de diversas medalhas e também a chegar ao topo do planeta entre os competidores da classe S11 – a classe voltada para deficientes visuais com maior comprometimento. O Brasil é uma potência paralímpica e, por isso, é possível encontrar atletas de alto nível em todas as regiões do país. Alguns moram em São Paulo e treinam diariamente no Centro de Treinamento Paralímpico, onde também é a sede administrativa do Comitê Paralímpico Brasileiros desde 2017. Outros, como Wendell Belarmino, com boas condições de treinamento, conseguem manter uma rotina em suas cidades e vão à capital paulista periodicamente para as fases de treinamento.Em 2019, nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, Wendell apareceu para o mundo com quatro medalhas de ouro, nos 200m medley, nos 50m livre, nos 100m livre e nos 100m borboleta, além de duas pratas nos 400m livre nos 100m peito. No Mundial, disputado no mesmo ano, além da medalha de ouro nos 50m livre, também chegou à prata nos 4x100m livre e ao bronze nos 100m livre. Em 2020, a pandemia cancelou não só os campeonatos e compromissos internacionais de Wendell, adiando inclusive o sonho do ouro paralímpico, como também interrompeu os treinamentos.

“Com a pandemia do coronavírus, ficamos sem lugar para treinar porque todas as piscinas estavam fechadas. Em junho, a convite do Comitê Paralímpico, passamos quase dois meses em São Paulo, onde encontramos um espaço seguro para prosseguimento à preparação. Como o Wendell é patrocinado pelo Mackenzie, e mora na Capital Federal, fizemos um contato com o professor Walter Eustáquio Ribeiro, diretor do CPMB, e com o professor Adaílton, coordenador de Esportes do Mackenzie Brasília, que nos receberam de braços abertos, imediatamente. Mais ou menos em julho, com a redução dos números de casos e a reabertura gradual dos espaços coletivos, eles também abriram o espaço para mais atletas com índice para chegar aos Jogos Paralímpicos”, comentou Marcos.

Um dos nadadores que acompanha Wendell nos treinos, e que também foi recebido pelo Mackenzie Brasília, é Élcio Cunha Pimenta Júnior, de apenas 17 anos, que trabalha para atingir o índice paralímpico e chegar a Tóquio, neste ano, também na categoria S11. A preparação inclui treinos dobrados e muita academia. “Meu objetivo é chegar a Tóquio, mas também liderar o próximo ciclo que será iniciado após as paralimpíadas deste ano”, pontuou o atleta, que já está de olho em Paris 2024.

Élcio também era amante das piscinas quando criança e descobriu a possibilidade de se tornar um atleta profissional inspirado em Wendell, que o convidou para treinamentos enquanto cursavam inglês juntos. “Quando eu descobri a possibilidade de uma pessoa cega competir na natação eu decidi que queria isso pra minha vida. E por isso eu me dedico ao máximo. O esporte mudou a minha vida”, completou.
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