CENHA Equoterapia é destaque em centro social que atende a 310 crianças e adolescentes/mês na Zona Leste da capital paulista

A equoterapia é uma ferramenta de reabilitação e inclusão cada vez mais usada para crianças, adolescentes e adultos que enfrentam dificuldades motoras e intelectuais. A terapia – também chamada de hipoterapia ou equoterapia – começou a ser mais difundida no Brasil na década passada e atualmente está disponível não apenas em clínicas de alto padrão, mas também em centros sociais e educacionais que trabalham com pessoas com deficiências há décadas.

A terapia é oferecida também pelo CENHA – Centro Social Nossa Senhora da Penha, entidade que desde 1965 atende a crianças e adolescentes com deficiência intelectual no Tatuapé, Zona Leste da capital paulista. O CENHA passou a oferecer a equoterapia a partir de 2004 e atualmente atende a uma média de 310 crianças e adolescentes por mês, com uma equipe formada por uma fisioterapeuta e duas psicólogas.

            “O cavalo proporciona movimentos em 3 dimensões ao praticante da equoterapia. Ela melhora o tônus muscular, fortalece os membros inferiores, a coordenação motora, ajuda na socialização e colabora no desenvolvimento da autonomia da criança”, diz Adriana Marinho Lopes, psicóloga do CENHA – e que trabalha na equipe de equoterapia há 5 anos. Adriana comenta que a equoterapia possui abordagens diferentes para crianças com deficiências diversas – a prática é diferente para crianças com autismo, paralisia e síndrome de down, por exemplo.

             “Os efeitos positivos podem se manifestar em meses, em um ano… Cada criança tem o seu tempo. O contato da criança com o cavalo ajuda muito, ele é imprescindível para a criança chegar à fase pré-esportiva. Isso se dá através do contato que se forma entre a criança e o animal, chamado de ‘horsemanship’: um termo em inglês que significa empatia e amizade entre o cavaleiro e o cavalo. Para uma criança com dificuldades motoras, montar um cavalo, um animal grande, pode ter ajuda grande na autoestima”, comenta a profissional.

            No CENHA, as sessões de equoterapia duram ao redor de 30 minutos. Em cada sessão, as crianças montam nos cavalos com a ajuda de condutores e são acompanhadas por psicóloga e fisioterapeuta. A entidade dispõe de quatro cavalos, alojados em baias, e também de uma pista.

            Atualmente, a necessidade mais urgente do CENHA é construir uma cobertura para a pista de equoterapia. “Quando chove, não é possível realizar as sessões de equoterapia. Precisamos de doações para a construção da cobertura, que também protegerá as crianças, os profissionais e os animais nos dias de sol forte e muito calor”, diz Cecília Hütter, Supervisora de Relacionamento do CENHA.

A entidade, que não é governamental e não é ligada a igrejas, também busca apoio financeiro através da atração de novos associados (doações podem ser feitas com a supervisão de Relacionamento ou através do link “Doação”, no site www.cenha.org.br.

 

Atendimento na Zona Leste

 

O CENHA atende atualmente a 450 crianças e adolescentes no bairro do Tatuapé, Zona Leste da capital paulista. Todos os atendidos têm deficiência intelectual e a maioria vem de famílias carentes da região. Quase todos os atendidos são alunos da rede municipal de ensino, que estudam em um turno e no outro frequentam o CENHA, onde contam com atendimento psicológico, terapêutico, café da manhã e almoço. Além disso, a entidade oferece equoterapia e hidroterapia em piscina térmica.

             Rosa Martins, diretora técnica do CENHA e que trabalha na entidade há 50 anos, explica que o Centro possui atualmente dois projetos com a Prefeitura de São Paulo: um através da Secretaria da Educação e outro com o Núcleo de Apoio à Assistência Social (CRAS).

            “Trabalhamos com crianças que sofrem várias limitações, inclusive paralisia cerebral e autismo. Quando as crianças chegam, passam por triagens. Fazemos reuniões todas as semanas, onde cada caso é discutido”, diz a diretora.

            Uma das dificuldades do CENHA é fechar o orçamento a cada mês – após a recessão de 2014-2017, as doações para a entidade caíram e a instituição opera com um déficit mensal estimado em R$ 100 mil. Vale destacar que ela é praticamente a única instituição terapêutica de grande porte a funcionar na Zona Leste da capital de São Paulo, uma região com 4 milhões de habitantes.