COLIVING ACESSÍVEL – reunindo pessoas a partir de motivações econômicas, pessoais e disponibilidade de apoios

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A tendência de morar coletivamente está cada vez mais desenvolvida no mundo. No exterior as expressões Cohousing e/ou Coliving já estão traduzidas em casas concretas. No Brasil ainda é uma experiência recente e quantitativamente pequena, mas muito promissora. É inegável que a necessidade de reduzir custos e adotar um estilo sustentável de consumo e, consequentemente, de moradia, soma-se às exigências próprias dos dias atuais, caracterizadas pela grande diversidade dos modos de vida. Inseridos nesta “vibe”, a AME – Associação Amigos Metroviários dos Excepcionais está construindo residências visando a atender públicos com necessidades de apoio diversificadas. A primeira a ser inaugurada está voltada para pessoas de qualquer idade com necessidades de apoios tecnológicos e pessoais à mobilidade, na Vila Gomes Cardim, em São Paulo/SP.

Marco Antonio Pellegrini, um dos responsáveis pelo projeto na capital paulista afirma que  “as opções para quem precisa de cuidadores domiciliares por longos períodos são extremamente reduzidas e de alto custo. Tanto idosos como pessoas com deficiência que necessitam de apoio domiciliar desejam um estilo de vida que equilibre redução de custos, cuidados com qualidade e privacidade, sem abolir a convivência grupal e social. Nossa casa visa a racionalizar a vida, propiciando sustentabilidade financeira, para aqueles que precisam inclusive reduzir ônus com cuidadores domiciliares, associados ou não a apoios tecnológicos, além do custo de vida em geral. Compartilhando esses cuidadores, será possível oferecer assistência pessoal com qualidade para pessoas que não dispõem de recursos tão altos como os costumeiramente cobrados pelo mercado”.

De acordo com ele “as principais razões para a rejeição das outras possibilidades de redução de custo com cuidadores, estão relacionadas ao medo da privação da individualidade, a rigidez das normas institucionais e o desrespeito aos interesses e preferências dos moradores. Nossa casa será construída justamente a partir dessas necessidades objetivas e subjetivas dos moradores. Morar coletivamente não significa perder a privacidade. É perfeitamente possível em uma experiência de coliving ter espaços e tempos privativos, ao lado de momentos de convivência em grupo. Pretendemos que, inclusive, a decisão relativa a uma série de questões ligadas à administração do cotidiano seja feita com a participação de cada um e de todos. Esta consideração se inicia quando você, que estiver interessado, responder questões que permitirão conhecê-lo melhor. Fique tranquilo que estes dados serão absolutamente sigilosos!”.

Efeito estufa, aquecimento global, desertificação do nordeste brasileiro, aumento dos níveis dos mares não são questões longínquas. Estão acontecendo no nosso planeta e não temos outro, em curto prazo, para morar. Muitas ações ainda que pequenas possam ser assumidas e contribuir para a sustentabilidade do nosso mundo.

“Nossa casa, em conformidade com nosso tempo, adotará medidas cotidianas e simples, como seleção do lixo para reciclagem, reuso da água e outras atitudes de cuidado ecológico. Vale lembrar que estas medidas ainda por cima colaboram para reduzir custos de moradia. Morar coletivamente é uma tendência que pretende reencontrar a característica humana de viver em grupo, que fomos perdendo com o chamado progresso. Viver de forma compartilhada pode ser uma experiência muito gratificante, mas desde que estejamos morando com pessoas com afinidades. Com esta preocupação, nossa casa irá atender a grupos pré selecionados a partir de valores pessoais, crenças e interesses.

A seleção dos grupos será feita a partir da análise das respostas do questionário online e de reuniões com dinâmicas para conhecer melhor cada interessado. Oferecemos também assessoria na mediação de possíveis conflitos, embora acreditemos que a seleção inicial irá reduzir essas pequenas discordâncias. Essa assessoria ainda contempla o processo de estabelecimento de regras para o funcionamento cotidiano da casa, o que, possivelmente, também contribuirá para a redução de desentendimentos. Regras claras e decididas coletivamente é o melhor caminho para morar de forma compartilhada”, afirma Pellegrini. “Todos já devem ter ouvido falar que o ser humano é um ser social.

Mas no século XIX, a habitação predominante era individual ou unifamiliar, destinada a uma família ou grupo limitado de indivíduos. Neste século era sinônimo de pobreza viver coletivamente. Porém, hoje vivemos um momento no qual é muito bem vinda à possibilidade de ampliação do convívio e o resgate dos valores da vida comunitária, contrabalanceando um jeito de viver extremamente solitário no meio de multidões. Em nossa casa buscamos reencontrar o prazer da companhia e da troca de ideias e afetos, sem perder momentos de privacidade.

Para que se garanta autonomia e cuidado para pessoas com redução de mobilidade é muito importante associar, respectivamente, a possibilidade do uso de recursos tecnológicos juntamente com o serviço de cuidadores domiciliares. Nossa casa possui o melhor das duas estratégias: será oferecido um plano de tecnologia domótica assistiva, ou seja, recursos de automação da residência, ampliando autonomia dos moradores, sem perder a ajuda afetiva de assistentes pessoais de cuidado cotidiano. Todos esses serviços são planejados a partir do interesse e necessidade de cada futuro morador”, finaliza Marco Antonio Pellegrini.

Para conhecer mais detalhes e informações, acesse http://colivingacessivel.com.br/