Com teimosia e dedicação !

Amigos e amigas ! Espero encontrar todos vocês com Saúde e Paz. Com esta edição, findamos mais um ano de “Espaço Aberto”. Satisfeito de seguir aqui movendo nossas reflexões. Que Deus permita a todos nós seguirmos firmes no ano de 2020. Nesta edição vou destacar a bela história da “gigante” Alexandra Adams, uma jovem Surdocega do Reino Unido, e claro, ampliar, aprofundar o que ela descreve.

Com teimosia e dedicação, Alexandra Adams superou a desconfiança e, aos 25 anos, está prestes a se tornar a primeira médica surdocega do Reino Unido.

Com emoção, compartilho sua história. A leitura me inspira e alegra. Não a conheço, mas reflito sobre suas palavras ao perceber coincidências com as experiências vividas ao longo da minha formação profissional. Eu acredito firmemente que todas as pessoas surdocegas que alcançam o ensino superior têm experiências semelhantes.

Ela mostrou que sua vontade é mais forte que sua história clínica, afirma que, com teimosia e dedicação, supera a desconfiança. Concordo plenamente com suas palavras. Para mim, Alex Garcia, o ponto principal é “superar a desconfiança”. Não tenho o hábito de maquiar a realidade e, a verdade é que até hoje, quando digo que “sou uma pessoa surdocega”, um tsunami de desconfiança é despejado em mim, em nós. Sim, é uma verdade dura que penetra profundamente, mas também nos leva a continuar com mais força, com mais coragem.

Para Hellen Keller e Alexandra Adams, foi assim. É também para mim e para todas as pessoas surdocegas do mundo que vão além!

Penso que a desconfiança que gira em torno das pessoas com deficiência é muito mais forte para os surdocegos que “vão além”. Aos 43 anos, pergunto-me: não podemos ir mais longe? Os limites podem estar em nosso corpo físico, mas força, teimosia e dedicação estão em nossos corações e sempre nos impulsionam a mais.

Existem pessoas que, além da surdocegueira, têm outras deficiências associadas: física, intelectual ou autismo. É claro que ter uma deficiência associada à surdocegueira é falar de uma multiplicidade que torna cada situação muito mais complexa do que se imagina. Obviamente, eu sempre percebi que aqueles de nós que têm mais do que a surdocegueira são mais excluídos.

Portanto, ao longo dos anos, comecei a defender o seguinte:

1- Pessoas surdocegas mais frequentes

Na prática, pessoas surdocegas de menor complexidade são mais frequentes e visíveis; nesse grupo, há aqueles que apresentam resíduos muito funcionais e não apresentam outra deficiência associada.

2- Pessoas surdocegas menos frequentes

Na prática, pessoas surdocegas de maior complexidade são menos frequentes e invisíveis; Nesse grupo, estão os surdocegos pré-simbólicos totais e os surdocegos pós-simbólicos totais, ou que possuem resíduos não funcionais, e aqueles que têm uma ou mais deficiências associadas à surdocegueira.

Nesta perspectiva, considero que Alexandra Adams é uma pessoa surdacega mais frequente, certamente ela deve ter tido uma grande carga de teimosia e dedicação para enfrentar a desconfiança que gira ao seu redor.

Para aqueles de nós do grupo de surdocegos menos frequentes, essa desconfiança cresce exponencialmente e nos ensinou que nossa teimosia e dedicação devem crescer proporcionalmente a ela.

Além disso, as pessoas surdocegas menos frequentes são mais propensas ao abandono. É um risco sério que nos acompanha muito de perto, a mim, Laura Trejo, da Argentina, e a tantos outros que possuem condições adicionais à surdocegueira.

Eu precisava escrever esses detalhes porque aprendi com Foucault que “o conhecimento é o único espaço de liberdade de ser” e que “a atenção aos detalhes deve prevalecer porque os detalhes individualizam as pessoas”.

A breve história da gigante Alexandra Adams inspira e nos permite refletir. Para ler busque no Google a seguinte frase “Alexandra Adams a los 25 años”. Vale lembrar que a busca no Google vai te mostrar links em Espanhol.

Saudações e Feliz Natal e um Ano Novo repleto de realizações para Todos Nós !