Como a ficção pode influenciar e ajudar crianças e jovens com deficiências

Garoto, João Pedro Pacheco, 13 anos, com o desenho que fez de paulo gustavo

* Por Thaissa Alvarenga

Gostei muito de uma matéria na CNN sobre a Dona Hermínia, uma das mães mais conhecidas na dramaturgia brasileira, personagem dos filmes “Minha mãe é uma peça”, protagonizado pelo ator Paulo Gustavo (https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2021/05/06/obras-de-paulo-gustavo-ajudam-psicologos-a-tratar-autismo-de-criancas-e-jovens ). A reportagem que falava sobre o efeito terapêutico da personagem no tratamento de crianças e adolescentes diagnosticados com a síndrome do espectro autista, me fez refletir sobre a força do legado do Paulo Gustavo e lembrar de outras experiências.

Todos nós em algum momento da vida nos identificamos ou tivemos empatia com alguém que vimos na TV, no cinema ou em uma história em quadrinhos e isso nos marcou de alguma maneira. O uso de personagens para ajudar na comunicação em terapias também é algo comum entre as famílias e profissionais que convivem com pessoas com o transtorno do espectro autista ou outras deficiências.

A diferença é que determinados personagens no mundo de crianças com deficiências trazem um suporte para conquistas diárias que se tornam as 7 maravilhas do mundo: seja um pequeno passo para alguém com alguma paralisia física, ou uma simples palavra para alguém que se comunica de forma não verbal.

Para mim, com o nascimento do Chico que tem a Trissomia do 21(síndrome de Down), um mundo novo se abriu com muito aprendizado cheio de aventuras diárias. Na convivência descobrimos os significados dos gestos, dos choros, das sílabas e das palavras. Esse aprendizado me motivou a tornar isso uma “causa” e através dela poder ajudar outras pessoas com suas inquietações.

Os personagens de desenhos animados e animações muitas vezes nos auxiliaram no entendimento de um sentimento ou uma reação.

Ana Maria Elias Braga, mãe de meninos gêmeos autistas com 26 anos, contou sobre o falecimento do ator: “Para nós foi um choque, eles sempre tiveram muita dificuldade para entender piadas, ironias, humor de um modo geral, e “Minha mãe é uma peça” foi um divisor de águas. Primeiro se identificaram comigo (a mãe) e esse humor do Paulo Gustavo, eles entendiam perfeitamente.”

Não é só o carisma como o da Dona Hermínia, que ajuda na comunicação, mas também o crescimento de personagens com PCD nas HQs, séries e filmes são o resultado de um mundo mais inclusivo onde o diferente faz parte e o diferente é bom. A interação com o meio e com o outro de modo mais empático pode ser fruto da atitude de um super-herói ou de um apresentador de TV. Este olhar é o que nos leva à transformação do ambiente, não da deficiência. Por isso, celebramos a oportunidade de lançar as aventuras do Menino Maluquinho, de Ziraldo, com o Chico e Suas Marias. Já estamos na segunda aventura. Aproveite para garantir a sua. Acesse: nossoolhar.org.

*Thaissa Alvarenga é criadora da ONG Nosso Olhar e o portal de conteúdo Chico e suas Marias

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** Este texto é de responsabilidade exclusiva de seu autor, e não expressa necessariamente, a opinião do SISTEMA REAÇÃO – Revista e TV Reação.

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