Como ocorre a Espasticidade?

espasticidade

Por Dr Adriano Borges Amaral

Clinicamente, a espasticidade é reconhecida por alguns sinais:
Padrão característico de comprometimento de certos grupos musculares; Responsividade dos músculos ao estiramento e Reflexos tendinosos muito aumentados.

A espasticidade afeta principalmente os grupos musculares anti-gravitários, isto é, os flexores dos membros superiores e os extensores dos membros inferiores. Os membros superiores possuem uma tendência em assumir uma postura flexionada em pronação, e os membros inferiores geralmente ficam em extensão e adução, porém isto não é regra. (BRITTON, 2000).

A espasticidade nos membros superiores predomina nos músculos flexores, com postura em adução e rotação interna do ombro, flexão de cotovelo, fonação do punho e flexão dos dedos. Nos membros inferiores a espasticidade predomina nos músculos extensores, com extensão e rotação interna do quadril, extensão do joelho, com flexão plantar e inversão do pé. Esta postura característica recebe a denominação de atitude de Wernicke-Mann. (TEIVE, 1998).

Estas posturas são normalmente vistas no lado comprometido, ou em ambos, dependendo da patologia, e devem ser sempre reconhecidas por toda equipe multiprofissional.

O estiramento do músculo espástico é resultado do aumento de ganho do reflexo miotático e da redução de seu limiar, dependente da velocidade de estiramento. À medida que o avaliador realiza o movimento no músculo, maior será o aumento do tônus muscular, podendo tornar uma resistência tão intensa a ponto de interromper substancialmente o movimento. Este é um fenômeno clínico denominado bloqueio. Se a flexão passiva do membro superior, ou extensão do inferior continuar, a resistência ao movimento pode desaparecer (Britton, 2000).

Os reflexos tendinosos são patologicamente vigorosos, com tendência para outros músculos, produzindo contrações reflexas em outros músculos ou grupos musculares.

Os sinais associados á espasticidade são a resposta do canivete e o clônus. Quando um músculo espástico é estirado, passiva e lentamente, a resistência diminui em um ponto específico na faixa do movimento, que se denomina de sinal do canivete, devido à analogia com a abertura da lâmina do canivete. A forte resistência inicial a essa abertura dá lugar ao movimento mais fácil da lâmina.

Se for aplicado um alongamento contínuo e uniforme, ocorre redução abrupta dessa resistência.

Os aferentes do GII, receptores cutâneos e sub-cutâneos de tato e pressão, são os responsáveis pelo sinal do canivete.

Quanto ao clônus, em casos de lesões das vias descendentes permitem que ocorram reflexos de estiramento repetitivos desencadeados pela dorsiflexão passiva do pé.

Algumas vezes a hipertonia está associada a reflexos tônicos de estiramento hiperativos. Esses reflexos não contribuem para a hipertonia muscular, pois os registros eletromiográficos da atividade muscular não são maiores nos músculos espásticos. (EKMAN, 2000.).

Para CASALIS, (1990), as manifestações clínicas da espasticidade expressam-se basicamente pela exaltação funcional das atividades reflexas monossinápticas miotáticas. Essa manifestação ocorre devida à lesão no sistema córtico-retículo-espinal ou justapiramidal.

Clinicamente os sinais se caracterizam por exaltação do tono muscular e dos reflexos osteotendinosos:
Aumento da resistência do músculo ao estiramento

Esta resistência é diretamente proporcional à velocidade do estiramento. Quanto mais rapidamente se alonga o músculo, maior será sua reação de oposição. Tal característica nos permite diferenciar clinicamente rigidez de espasticidade. No caso da espasticidade, velocidades mínimas desencadeiam o processo espástico.

Diminuição da resistência muscular após certo grau de estiramento

Após a contração muscular reflexa, provocada pelo alongamento brusco do músculo (nem sempre este estiramento é mantido), se percebe a diminuição brusca desta resistência, que se caracteriza pelo sinal do canivete. Para BORDAS, (1976), este fenômeno seria desencadeado por estimulação das fibras aferentes II, do fuso muscular, durante o estiramento muscular prolongado.

Distribuição desigual no território muscular afetado
Também este item diferencia espasticidade de rigidez extrapiramidal, como visto anteriormente.
Na paralisia, ou paresia espástica, ocorre um desequilibro de inibição e excitação dos neurônios motores da medula espinal.
A seguir um resumo do quadro clínico na espasticidade proposto por BOTELHO, (1999), cujos sintomas positivos ou de liberação das vias piramidais são:
Hipertonia muscular, dependente da velocidade;
Fase de relaxamento muscular anormal;
Sinal do canivete (diminuição brusca da resistência ao movimento, após a contração muscular reflexa, por estimulação das fibras aferentes II, do fuso muscular, durante estiramento muscular prolongado);
Clônus (reverbamento do reflexo miotático monossináptico não inibido, no músculo alongado e no seu antagonista);
Rigidez (lesão extrapiramidal);
Espasmos flexores e extensores (automatismos medulares);
Hiperatividade do reflexo miotático ou de estiramento;
Hiper-reflexia cutânea;
Hiper-reflexia autonômica;
Reflexo de Babinsk e reflexo de tríplice flexão (retirada).
Sincinesias piramidais (abdução do membro inferior na fase de balanço da marcha e dorsiflexão com inversão do pé, que acompanham a flexão do quadril no hemiplégico).

Os sintomas negativos são:

  • Debilidade muscular;
  • Propensão à fadiga;
  • Início lento do movimento;
  • Reduzido recrutamento de unidades motoras;
  • Destreza reduzida.

• Dr. Adriano Borges Amaral é Terapeuta Manual (atua com os mais diversos métodos de terapia manual), Fisioterapeuta, Professor de Educação Física, Especialista em Fisiologia do Exercício, Mestre em Ciências do Movimento, Professor Universitário, Docente de Cursos de Terapias Manuais, Diretor Clínico da AFA Fisioterapia e Reabilitação, Criador do Protocolo Adriano Amaral para Cura da Hérnia Discal, Mentor e Criador do Método Toque Mágico de Terapia Manual, Idealizador e Instrutor do Programa Magic Therapy Touch, Autor e Mentor Sistema 3APCD – “Dor Nunca Mais”.

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