Conheça 5 inovações em acessibilidade que estão transformando a vida de pessoas com deficiência

Lance do jogo entre Brasil e Canadá, pelo basquete em cadeira de rodas nos Jogos do Rio 2016. Cinco atletas disputam jogada com a cadeira de rodas em movimento no centro da quadra.
Foto: Washington Alves/MPIX/CPB
(Foto) – Lance do jogo entre Brasil e Canadá, pelo basquete em cadeira de rodas nos Jogos do Rio 2016. Cinco atletas disputam jogada com a cadeira de rodas em movimento no centro da quadra.
Nos últimos anos, o setor público e privado procuraram implementar mais soluções nas questões de acessibilidade. O primeiro motivo para o investimento no setor público é porque quase 25% da população brasileira (IBGE, 2010) se declara com algum tipo de deficiência, sendo assim, é uma parcela considerável da sociedade brasileira que enfrenta barreiras diárias de acessibilidade nas diferentes dimensões sociais. Por outro lado, no setor privado as empresas estão abrindo os olhos para esse público ao perceberam que têm perdido clientes por não criarem produtos e serviços com acessibilidade

Não apenas como consumidores, mas também como indivíduos que influenciam o seu meio de convivência, uma reação negativa causada pela falta de acessibilidade de um produto  ou serviço faz com que amigos e familiares que participam do seu convívio também acabem optando por não consumir aquela marca.

Ainda é discreto o movimento das empresas em busca de soluções mais acessíveis para consumidores que têm algum tipo de deficiência, mas ele está se acelerando. Já é possível encontrar no mercado iniciativas de acessibilidade buscando profissionais com conhecimento e experiências para tornar os produtos mais acessíveis, principalmente, na área de tecnologia, que continua a crescer mesmo em plena pandemia do Covid-19. Dentro desse contexto, um dos segmentos com maior potencial de crescimento econômico no futuro é o de inteligência artificial.

Como a tecnologia melhora a vida do ser humano

É uma tendência comum chegar à conclusão de que, quando falamos de tecnologia, nos referimos automaticamente às tecnologias da informação (TI), às máquinas, aos computadores e ao digital.

Entretanto, o termo “tecnologia” engloba a ideia de um conjunto de técnicas realizando um processo com um determinado objetivo. Logo, temos diversos exemplos de tecnologia, como a área de biotecnologia, responsável pela parte genética. Sendo inclusive o tema do Prêmio Nobel de Química de 2020. A área de Biotecnologia é vital para trazer melhorias para a saúde da população, assim como o setor de produção de alimentos, que também consiste em uma tecnologia.

As técnicas manuais também são consideradas tecnologias, uma vez que possibilitam a construção artesanal de produtos físicos. Existem muitas comunidades e sociedades naturalistas onde as pessoas usam fontes primárias da natureza e desenvolvem suas próprias tecnologias.

Todos os exemplos citados se enquadram como tecnologias e foram fundamentais ao longo da história do ser humano, em diferentes áreas do conhecimento, trazendo mais praticidade, velocidade e acessibilidade para a vida humana. Podemos dizer que a adaptação do ambiente às necessidades humanas é uma constante na história da humanidade. A questão é: as tecnologias criadas também levam em consideração as necessidades das pessoas com deficiência?

Com a TI é possível gerar legendas para vídeos por meio de algoritmos, também existem sistemas que traduzem o português para libras. O leitor de tela executa uma função de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, possibilitando a navegação web a partir da transformação de texto em áudio. Esses são alguns exemplos de novas aplicações tecnológicas que consideram a diversidade da experiência humana, criando novos acessos para corpos com deficiência.

Acessibilidade como inovação

Hoje em dia, são debatidos dois principais tipos de inovação: a incremental e a disruptiva.

A inovação incremental é uma melhoria feita a partir de um processo e tecnologia pré-existente. Não é algo necessariamente novo, mas que foi implementado, melhorou e gerou resultados positivos. Como exemplo, podemos citar os carros elétricos que diminuíram a quantidade de CO2 liberado na atmosfera por meio de uma alternativa de combustível. Painéis de energia solar também são outro exemplo: além de ser uma energia limpa, tem menor custo.

Quando pensamos em acessibilidade, sempre que um produto ou serviço é remodelado com o objetivo de atingir um público mais diverso, automaticamente, estamos praticando uma inovação incremental.

Já na inovação disruptiva se cria algo novo, fazendo assim uma nova linha de produtos ou serviços, ou transformando o mercado existente por meio da introdução dessa inovação disruptiva. Como exemplo, a criação dos smartphones foi um grande salto disruptivo na tecnologia, gerando um mercado de produção de aplicativos para celular, que por sua vez criou o mercado de aplicativos voltados para usuários com deficiências.

Dessa forma, constatamos que acessibilidade é sim uma forma de inovação, seja ela incremental ou disruptiva. Por meio dela, é possível democratizar o acesso a produtos e gerar novas possibilidades de trabalho, cultura e entretenimento para as pessoas. O desafio que ainda esbarramos em 2020 é comunicar essa mensagem, fazer com que a sociedade a enxergue dessa forma e o mercado a incorpore em suas práticas, no início de qualquer projeto.

A seguir, listamos cinco novas tecnologias acessíveis que estão transformando a vida de pessoas com deficiências, trazendo mais autonomia, conforto e informação.

1 – Impressora de Braille portátil

Leve, de baixo custo e cabe no bolso: Vrailler usa três chapas de plástico perfuradas, o papel é colocado entre as primeiras duas placas que formam a base. O usuário coloca uma série de pinos de plástico na placa-base formando o sistema Braille. A impressora vem com um guia de braille, tornando possível o uso por qualquer pessoa, mesmo as não familiarizadas com o código.

2 – Rodas que ajudam a passar por obstáculos com mais facilidade

Feitas para auxiliar cadeirantes que possuem movimentação do tronco, as “Loopwheels” foram projetadas para ajudar o usuário a passar por ruas irregulares, paralelepípedos, grama e trilhas regulares com menos esforço. Suas molas fornecem potência extra para subir ou descer lances e possibilitam um conforto maior ao absorver as vibrações do impacto com o chão.

3 – Cadeira de rodas especial para viagens aéreas

Dois estudantes da Universidade Americana de Sharjah criaram uma cadeira de rodas especial para viagens aéreas. Percebendo a dificuldade de passageiros que precisavam trocar suas cadeiras de rodas por uma do aeroporto, não podendo assim levar as suas em viagens longas. Aamer Siddiqui e Ali Asgar criaram o protótipo da Air Chair que pode ser usada desde o embarque, voo e desembarque sem problemas.

O design em formato de “C” permite que a cadeira deslize para o espaço pré-existente da poltrona do avião. A cadeira é pequena o suficiente para passar pelos corredores da aeronave. Seu design cuidadoso também foi pensado para complementar as funcionalidades da viagem de avião, como o sinto padrão de aeronave, e acesso a funcionalidades de entretenimento e segurança padrões da aeronave. Fora do avião, a cadeira de rodas funciona como qualquer outra, com controle manual ou eletrônico, a cadeira também é dobrável podendo ter o tamanho reduzido em 64%.

4 – Velcro como alternativa para botões 

Pessoas que têm dificuldade de abotoar e desabotoar calças e outras roupas com botões podem encontrar na substituição do botão pelo velcro um método mais fácil para se vestir. A troca é feita normalmente de forma caseira, por profissionais de costura ou familiares, pois são raras as marcas de roupas que oferecem opções com velcro.

5 – Estação de Aprendizagem Interativa

Uma estação de aprendizagem interativa chamada “TAPit” oferece ajuste motorizado de altura e inclinação de tela, além de outras funcionalidades, como recomposição resistente, monitor de reconhecimento de toque e fácil mobilização pelas rodas de nível hospitalar. Seu nível de customização torna a utilização em sala de aula muito mais simples e confortável.

Fonte: Por Por Redesign For All –  www.cpb.org.br
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