Conheça brincadeiras inclusivas que divertem crianças com e sem deficiência. Livro mostra a importância do diversidade na infância

Joca e Dado se conheceram na escola e logo se tornaram inseparáveis. Juntos, inventavam brincadeiras diferentes e se divertiam sem parar. Incentivado pelo sociável e carismático Dado, o tímido Joca começou a se soltar e até batucadas improvisou com o amigo.

No convívio diário, ajudou Dado, que tem síndrome de Down, a aprender, entre outras coisas, o nome de cores. A história faz parte do livro “Joca e Dado: uma amizade diferente”, lançado este ano pela Editora Leiturinha e pelo Instituto Serendipidade. Escrito pelo empreendedor social Henri Zyberstajn, fundador do instituto, mostra a importância do convívio com a diversidade desde a infância.

Disponível para venda (https://loja.leiturinha.com.br/joca-e-dado), a obra, com tiragem inicial de 45 mil exemplares, é uma boa forma de ensinar, de forma lúdica, que nem todo mundo é igual — e que é essa diferença que torna o mundo mais rico.

— Aqui entra aspa do Henri falando da importância da brincadeira para a inclusão,  — diz Henri, que se inspirou na turma que tem em casa para escrever o livro. Ele é pai de Carolina, de 8 anos, Felipe, de 6, e de Pedro, que tem 3 anos e síndrome de Down.

Mãe do trio, a psicopedagoga Marina Zylberstajn vê, todos os dias, na prática, como o lúdico é uma ótima ferramenta de inclusão.

— Na brincadeira, crianças com e sem deficiência são todas iguais. Sempre há interesses em comum. A criança é muito rápida para perceber a diferença do outro e encontrar uma forma de interagir, com os recursos que ela já tem — diz Marina, que lista uma série de atividades que costumam fazer sucesso.

— Varia muito de faixa etária, mas não bola e faz de conta que não costumam ter erros. Massinha e tudo que envolve artes, como pintar caixas, colar adesivos, também são bem-vindos. É possível brincar com o que se tem em casa, fazer fortes, cabanas — diz.

Outra forma de conectar as crianças pode ser através dos “fidget toys”,  os brinquedos de inquietação, também conhecidos como antiestresse. Criados para os pequenos com Transtorno de Espectro Autista, eles fizeram sucesso há alguns anos na forma de spinners. Hoje, são os Bubbles ou Pop-It que viraram febre entre todas as crianças, com ou sem deficiência. De silicone colorido, em formatos variados, eles parecem um plástico bolha e apertá-lo costuma entreter por horas a fio.

Existem ainda inúmeras outras opções de brincadeiras inclusivas. Para facilitar, listamos algumas das recomendadas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que elaborou o Guia do Brincar Inclusivo, junto da Sesame Workshop, organização educacional sem fins lucrativos especializada na criação de conteúdo multimídia para o desenvolvimento da primeira infância.

Confira algumas ideias:

1) Para crianças com deficiência visual, revista os brinquedos com texturas ou use objetos que produzam sons. Usar cores fortes é estimulante para todos e ajuda quem tem baixa visão a perceber contrastes. Em brinquedos com escritos, faça as palavras também em braile. Nos casos de crianças com deficiência física,

há algumas adaptações simples, como prender o brinquedo no braço, usar materiais que não deslizam facilmente e pedir a alguém que movimente a cadeira de rodas durante o brincar.

2) Na Cesta — Corte o fundo de um galão de água e, preservando a alça, transforme-o em uma cesta. Pinte-a para deixá-la bem colorida. A ideia é que uma ou mais crianças arremessem a bola, que deve ser apanhada por quem segura o objeto (use bola com guizo para as crianças com deficiência visual). Se alguém tiver a mobilidade ou movimentos reduzidos, amarre a cesta à cadeira de rodas ou ao braço.

3) Caixa dos sentidos — Faça dois buracos na lateral de uma caixa de papelão de forma que permita a entrada de mãos. Guarde um ou mais objetos e feche. O jogador precisa tatear, ouvir e até cheirar para adivinhar o que tem dentro. Ganha quem descobrir tudo. Importante deixar um tempo de contagem flexível, pois  crianças com deficiência intelectual podem levar mais tempo para brincar.

4) Cores e texturas — Em uma caixa, coloque objetos coloridos e com texturas instigantes, como bola de tênis, brinquedos que produzem sons ao serem apertados, bolas lisas ou com texturas, esponjas de banho. Os objetos estimulam os sentidos e podem desencadear histórias e brincadeiras. Ofereça tapetes ou colchonetes para que as crianças brinquem à vontade no chão (inclusive as que têm deficiência física).

5) Piscina de bolinhas — As crianças, segundo o Guia do Brincar Inclusivo, se sentem muito bem nesse brinquedo, pois as bolinhas coloridas e macias estimulam os sentidos e acalmam. Aquelas com deficiência física podem precisar da ajuda de um colega ou do educador para se acomodarem. Importante: nas brincadeiras em que é preciso tirar a criança da cadeira de rodas, peça sempre orientação de como fazer isso à família ou ao profissional de saúde que cuida da criança.

6) Fui ao zoológico — Forme uma roda e uma criança, andando no interior do círculo, diz: “Fui ao zoológico

e vi uma girafa!” ou “Fui ao zoológico e vi um elefante!”. Em seguida, aponta para uma das crianças que, junto com os colegas ao lado, precisa “criar” o animal escolhido pelo colega (elefante e girafa). Para formar o elefante, por exemplo, a criança apontada estica um dos braços para frente, enquanto as duas ao seu lado abrem os braços curvados em sua direção, imitando as orelhas do animal.

Quem se atrapalhar na hora de criar o bicho e errar entra na roda e passa a apontar. Se houver uma criança surda, use pelúcias para que ela veja que animal foi escolhido pelo colega. Se a criança tiver movimentos reduzidos, um colega pode ajudá-la a mover os braços. No caso de haver uma criança com deficiência visual, quem aponta deve dizer o nome de quem foi apontado e todo mundo pode descrever o que está acontecendo.

7) Hockey macio —  Nesse jogo, os bastões são substituídos por macarrão utilizado na natação, pois o material é suave e macio. Use uma bola leve (com guizo, se for o caso) e improvise um gol, que pode ser um macarrão curvado fixado ao chão. No caso de crianças com mobilidade reduzida, prenda o macarrão em seu braço ou na cadeira de rodas. Peça que outro jogador empurre a cadeira do colega. O jogo pode ocorrer entre equipes ou individualmente (com obstáculos a serem ultrapassados para se chegar ao gol).

8) Pintura — É possível pintar grandes painéis, em papel pardo colocado no chão. Todos juntos! A tinta tem uma textura agradável e a experiência pode ser vivida também por crianças com deficiência visual. No caso de deficiência física, você pode prender o pincel na mão da criança, ou engrossar o cabo com borracha ou macarrão de natação fino. Varie o uso do pincel colocando a tinta em bisnagas de maionese.