Conheça outras modalidades praticadas por pessoas com deficiência

Montagem com fotos de três modalidades: handebol em CR, power soccer e surfe adaptado | Foto de power soccer; Katarine Almeida | Fotos HCR e surfe: divulgação

As modalidades paralímpicas são criadas a partir das convencionais e contam com adaptações que são desenvolvidas para que as pessoas com deficiência possam praticar e competir respeitando suas características. Atualmente, apenas 22 esportes são contemplados pelo programa dos Jogos Paralímpicos, que é estabelecido pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC, em inglês).  

No entanto, há uma série de outras modalidades que são praticados por pessoas com deficiência tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo. Estes esportes não fazem parte do programa dos Jogos Paralímpicos por decisão internacional e, pelo estatuto do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), não é possível repassar recursos para estas atividades ausentes do programa definido pelo IPC.

Futebol E Suas Adaptações 

A paixão nacional, futebol, possivelmente foi a modalidade coletiva mais adaptada para ser jogada por pessoas com deficiência. Atualmente, a única variação que representa o esporte nos Jogos Paralímpicos é o futebol de 5 (para atletas cegos).  Recentemente, o futebol de 7 (para paralisados cerebrais) foi removido pelo IPC da programação da principal competição paralímpica do planeta.  

Há ainda outras adaptações dentro deste esporte. O power soccer é o futebol para jogadores que utilizam cadeira de rodas motorizada. Esta modalidade não pertence ao programa dos Jogos Paralímpicos definido pelo IPC. Pode ser praticado por homens ou mulheres com deficiências severas, como tetraplegia, paralisia cerebral e distrofia muscular. São usadas cadeiras de rodas de competição específicas para a modalidade, que possuem forte aceleração, mas não podem ultrapassar os 10 km/h (velocidade máxima permitida pela regra internacional).  

A principal regra do power soccer tem como objetivo oferecer mais dinamismo ao jogo, é o 2 em 1. Esta regra impede que dois jogadores do mesmo time disputem a bola. Se isso acontecer, a equipe é punida com uma falta para o time adversário. A exceção é o goleiro dentro da sua área, que pode se aproximar do seu companheiro de equipe.   

Handebol Em Cadeiras De Rodas 

Os esportes coletivos adaptados para atletas em cadeira de rodas já são velhos conhecidos das pessoas com deficiência a exemplo do basquete em cadeira de rodas, primeira modalidade paralímpica praticada no Brasil. Uma outra adaptação que vem crescendo no país é o handebol em cadeira de rodas. Em 2019, A Seleção Brasileira realizou uma fase de treinamento no Centro de Treinamento Paralímpico, em são Paulo.   

Esta modalidade pode ser praticada por pessoas com deficiência nos membros inferiores, como paraplégicos devido à lesão medular, sequela de poliomielite, má-formação congênita ou outros fatores que provocam limitação física e motora.  

Os atletas são avaliados e classificados de acordo com o grau de comprometimento. As classes são semelhantes às do basquete em cadeira de rodas organizadas em uma escala de 1 a 4,5, sendo que, quanto menor o número, maior o comprometimento da deficiência do jogador.   

O handebol em cadeira de rodas é semelhante ao convencional. As regras são adaptadas para a característica dos jogadores que usam uma cadeira de rodas. Por exemplo, é proibido colocar a bola no colo e só pode dar até três toques na cadeira quando estiver em posse da bola. As partidas ocorrem em uma quadra de 20m por 40m. Há duas variações da modalidade a com times de sete jogadores e a com quatro. Pode ter equipes femininas, masculinas e mistas.  

Surfe Adaptado 

Para os amantes de água, o catálogo de modalidades está cada vez mais rico. Além da natação, do triatlo, da canoagem e do remo, o surfe adaptado vem crescendo no litoral brasileiro. A modalidade possui adaptações para ser praticada por todos os tipos de deficiências (visual, física, intelectual e auditiva).  

As pranchas são adaptadas para atender as particularidades de cada atleta. Além de levar em consideração o peso e altura do surfista, também são adaptadas de acordo com a deficiência. Há pranchas para quem surfa deitado, como tetraplégicos, com alças de segurança. Outra variação são as pranchas mais largas para quem surfa ajoelhado e pranchas com alto relevo e referências coloridas para os surfistas com deficiência visual. Já para quem surfa em pé, as pranchas são semelhantes as comuns.  

Um recurso importante é o apoio de instrutores que acompanham os atletas que precisam de auxílio para entrar e sair da água, subir na prancha ou até mesmo deslocar o equipamento, no caso de atletas com amputação de membros superiores. Essa assistência também é fundamental para atletas com deficiência visual que precisam de um guia para se orientarem no mar.  

Esportes Para Surdos 

Há uma grande variedade de modalidades para os atletas com deficiência auditiva, que também não integram o Movimento Paralímpico por decisão do IPC. No Brasil, o esporte para surdos é gerido pela Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS).  

Assim, os atletas surdos disputam os Jogos Surdolímpicos, uma competição exclusiva para eles em que a principal adaptação é a comunicação feita por meio de sinais. Modalidades como atletismo, badminton, karatê, natação, vôlei, futebol, tênis de mesa e até xadrez fazem parte do evento.  

Em 2019, um acordo entre a CBDS e o CPB permitiu que o CT Paralímpico sediasse a quinta edição do Campeonato Mundial de Natação para Surdos. Naquela ocasião, a competição contou com 250 atletas de 29 países.  

Fonte: Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

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