CRENÇAS LIMITANTES NA INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Por Nilton Oliveira Gonçalves

O QUE SÃO CRENÇAS

Na sua essência, crenças são postulados que carregamos pela vida, verdades que trazemos e tratamos como definitivas, que nos norteiam, decorrentes de nossas experiências de vida, relacionamentos e mesmo, hereditariedade.

Crenças que não nos desafiam, nem ferem evoluções de entendimentos, não devem necessariamente ser questionadas.

Por outro lado, aquelas que oprimem seu crescimento enquanto ser humano, bem como as que não acompanham evoluções, mudanças de tendências, ou colocam em risco novas possibilidades, quanto a estas, precisamos questioná-las.

A quebra de paradigmas, a superação a essas crenças, são os desafios que a vida nos impõe.

CRENÇAS LIMITANTES

De certa forma, crenças já são algo que nos limita, pois nos impõe informações como verdades definitivas – e seu questionamento, como algo que irá nos afrontar, bem como as verdades que trazemos na vida.

As crenças tidas como efetivamente limitantes, são construídas a partir de um conjunto de experiências, ou de uma experiência única que tenha tido um forte impacto negativo em determinada área de nossas vidas. Essas crenças moldam a forma como iremos ver e interpretar os fatos futuros, como também irá afetar diretamente em nossas escolhas e decisões.

Quando um determinado evento começa a ocorrer constantemente e trazendo fortes impactos negativos, nosso cérebro produz pensamentos generalizados com relação a tal fato. Tomamos esses pensamentos como verdades absolutas e começamos a adequar o nosso comportamento de acordo com essas verdades.

O grande problema é que o cérebro opera esse comportamento em nosso inconsciente e cria pensamentos distorcidos e, por vezes, até mesmo falsos.

O fato é que ter um inconsciente impregnado de crenças limitantes nos impede de evoluirmos e crescermos em busca das conquistas.

COMO SE ORIGINAM

Estudos apontam a possibilidade de divisão de crenças, conforme sua origem e tipos. Vejam quais são elas, a seguir:

Hereditariedade: são aquelas que representam tudo o que a pessoa escuta dos pais e observa em seu sistema familiar. Falas como “você não faz nada direito”, “você deixa tudo pela metade”, “você nunca vai conseguir ninguém”, “seu irmão é muito melhor”, permanecem registradas ao longo de toda a vida. A mesma coisa acontece quando uma pessoa vivencia situações de traição, brigas por dinheiro, excesso ou ausência de regras, relação com comida e injustiças.

Vivências Pessoais: essas crenças são criadas com base nas experiências individuais de cada pessoa. Apesar de terem origem hereditária, só se tornam verdade porque foram vividas. Por exemplo, em casos nos quais uma pessoa é mandada embora do emprego ou não passasse no vestibular, podem desenvolver a crença de incapacidade. Ou quando uma pessoa tem seu relacionamento interrompido pelo companheiro, é fácil acreditar que nunca alguém irá gostar de você de verdade.

Relacionamentos Sociais: são aquelas impostas pela mídia ou pela sociedade. Existem algumas crenças sociais que são muito comuns a todos nós ou, pelo menos, a pessoas próximas a nós, como: “o mundo é muito perigoso”, “só as pessoas ricas são felizes”, “a sociedade só vai te aceitar se você for magro”, entre tantas outras coisas.

EXEMPLOS DE FRASES (E PENSAMENTOS) LIMITANTES

  • “Nunca vou conseguir dinheiro suficiente” ou “não tenho dinheiro para nada”;
  • “Só é possível ganhar dinheiro fazendo coisas erradas”;
  • “Não tenho tempo para nada”;
  • “Não sou bom o suficiente”;
  • “Melhor não tentar, para não pagar mico”;
  • “Só as pessoas ricas são felizes”,
  • “A sociedade só vai te aceitar se você for magro”;
  • “Sou muito velho para isso;
  • “Não consigo aprender isso”;
  • “Nunca vou conseguir alcançar meus objetivos, nem realizar meus sonhos”;
  • “É impossível me organizar”;
  • “A culpa não é minha que as coisas só deem errado”;
  • “Eu não mereço sucesso”.

CRENÇAS LIMITANTES NO PROJETO DE INCLUSÃO DE PCDs

  • “Contratar um PCD, é ter outro funcionário quase que exclusivo para atender a essa pessoa”;
  • “Melhor correr o risco da fiscalização, a gastar tempo e dinheiro na contratação de um PCD”;
  • “Nada que se faz por obrigação (a lei de cotas) costuma dar certo”;
  • “Se a pessoa não tem um membro, como dizer que ela é igual a mim?”

ROMPENDO SUAS CRENÇAS LIMITANTES

Nosso cérebro necessita de tempo para começar a incorporar pensamentos positivos, que venham romper com as limitações impostas pelas crenças prévia e longamente arraigadas em nossas mentes e vidas.

Você precisa condicioná-lo a pensar de uma nova forma – mas acima de tudo, acreditar no rompimento de antigas convicções, de pensamentos negativos.

E como se faz isso? Em primeiro lugar, questionando antigas verdades, tidas como absolutas.

Não se ressignifica pensamentos e convicções de um dia para o outro!

Ora, peguemos a frase “Se a pessoa não tem um membro, como dizer que ela é igual a mim?”… São tantos e tão profundos os cases de sucesso de pessoas PCDs, que para desmontar esta ideia prévia basta permitir-se ouvir o mundo ao seu redor, e assim, com relação às demais crenças limitantes quanto á contratação de PCDs

É preciso ter paciência, e resiliência!

FUNDAMENTAL TENTAR OLHAR PARA DENTRO DE SI MESMO (A) E BUSCAR A ORIGEM DAQUELA CRENÇA, PARA PODER FAZER COM QUE DEIXE DE EXISTIR. ALIÁS, HÁ QUE SE COLOCAR UM PROPÓSITO PARA O FIM DA CRENÇA, POIS SEM OBJETIVO, DIFICILMENTE VOCÊ CONSEGUIRÁ QUEBRÁ-LA.

Crie uma crença fortalecedora. Troque aquela frase ou situação negativa por uma que lhe dará forças para continuar lutando até atingir o objetivo que você determinou.

  • Nilton Oliveira Gonçalves é mentor do Projeto Egalas de Inclusão e Diversidade (www.egalas.com.br)