De 18 a 21 de março: Instituto apresenta 1ª edição virtual do ‘Festival Teatro Nosso’ no Dia Internacional da Síndrome de Down

Em Cena
Em 2020, por conta da pandemia do COVID, o Pirei na Cena, deparou-se com surtos e ansiedades, que levaram o grupo a refletir sobre isso e criar um experimento estético sobre loucura e isolamento social Imagem Divulgação

A arte pode e deve transformar a vida das pessoas. É essa a premissa que norteia o trabalho do Instituto Teatro Novo, que atua, há mais de 20 anos, desenvolvendo atividades culturais com pessoas com deficiência intelectual em Niterói, no Rio de Janeiro. A instituição teve origem na companhia Teatro Novo, formada por atores com deficiência, em especial autistas ou com Síndrome de Down, que, na função de atores e produtores de cultura, exercem influências significativas no imaginário coletivo dos espectadores.

A ideia de realizar a primeira edição do Festival Teatro Nosso surgiu da possibilidade de dar visibilidade ao potencial dos artistas teatrais com deficiência, convidando projetos artísticos do estado do Rio de Janeiro que trabalham com arte inclusiva para se apresentarem numa programação on-line, de 18 a 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down, além de trazer o debate sobre o capacitismo no teatro das pessoas com deficiência.

“A inclusão da arte no dia a dia de pessoas com deficiência intelectual transforma a vida delas completamente”, revela o psicólogo Rubens Emerick Gripp, que dirige o Instituto Teatro Novo e é especializado em Psicologia Clínica e Educacional, com mestrado em Ciência da Arte pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Ele explica que criar espetáculos com assuntos que não fazem parte da vida das pessoas com deficiência – meio ambiente e doenças como o câncer, por exemplo – faz com eles parem para pensar e organizem o próprio pensamento. Outro ponto importante nas atividades no grupo de teatro é a convivência com seus iguais. Isso faz com que eles aprendam a respeitar o outro, a esperar a vez, a viver em grupo. O teatro traz muitos benefícios para vidas das pessoas, e com pessoas com deficiência traz uma reflexão importante para sociedade,em especial para pessoas com deficiência:

“As pessoas que não têm deficiência não costumam parar para ouvir e dar atenção para os deficientes; mas, assistindo a um espetáculo feito por eles, elas ouvem. Então, é uma mudança de eixo nas relações”, destaca Gripp.

A programação do festival será aberta no dia 18 com uma live reunindo artistas participantes do festival num painel temático sobre “Capacitismo no Teatro”, às 20h, no Facebook, no Instagram e no YouTube do Instituto Teatro Novo.

No dia 19, às 20h, o Grupo de Teatro do Oprimido Pirei na Cena, coletivo teatral oriundo do Hospital de Jurujuba apresentará o espetáculo “Doidinho para trabalhar”, cujo tema da peça aborda a temática do mercado de trabalho para o usuário de saúde mental.

No dia 20, às 20h, será a vez do grupo Corpo Tátil – coletivo teatral que surgiu no Instituto Benjamin Constant, tradicional instituição de ensino para pessoas com deficiência visual localizada no Rio de Janeiro – com a encenação de “Dá um tempo pra falar de tempo”.

O grupo Teatro Novo encerrará o festival no dia 21, Dia Internacional da Síndrome de Down, às 19h, com a apresentação de ““O câncer, a pessoa e o remédio”. Todas as apresentações serão gravadas, sem público, no Teatro Municipal de Niterói, respeitando todos os protocolos de segurança com relação à pandemia da Covid-19.

A programação do Festival Teatro Nosso será gratuita, e as apresentações ficarão disponíveis no Facebook e no canal do YouTube do Instituto Teatro Novo depois das transmissões on-line.

As apresentações contarão com legendagem e tradução em libras.

A Neociclo Cultural, responsável pela produção, destaca também como missão do Festival realizar e promover atividades artísticas inclusivas e divulgar o importante trabalho teatral realizado por artistas com deficiência no Estado do Rio de Janeiro. Mas a proposta é ainda mais abrangente, sempre com foco na cidadania. Entre os objetivos, estão também fomentar a discussão do anti capacitismo, sensibilizar a sociedade sobre a necessidade de inclusão de pessoas com deficiência, demonstrar as capacidades dessas pessoas como promotoras de cultura e agentes socioeconômicos ativos. E mais: fomentar a cidadania por meio da ação de pessoas com deficiência, dar visibilidade para a produção artística e cultural de pessoas com deficiência por meio dos espetáculos e gerar renda aos atores com deficiência.

Fonte: www.odia.ig.com.br

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