Deficiência com destaque na moda

Muitas pessoas questionam: ‘afinal de contas quem foi a pessoa que definiu o que é corpo perfeito ?’

A resposta sempre vem ligada com o setor da moda, agora um nome mesmo nunca foi associado. Talvez por medo de saber que em algum momento esse assunto seria questionado.

Uma pesquisa profunda no assunto e vai se chegar ao “culpado”, porém para resumir os fatos, isso já foi dito em artigos anteriores, a mídia é a vilã dessa história.

A moda surgiu no século XV, início do renascimento europeu, com significado de costume. Ter variações nas características das vestimentas para diferenciar o que antes era igual, a pessoa usava um estilo de roupa desde a infância até sua morte.

Na história da humanidade o assunto corpo foi criando forças com as pinturas, primeira forma que o ser humano usou para comunicação, isso desde os primórdios. Com o passar dos anos, a imagem foi virando referencia no teatro, jornais, cinema, revistas, televisão, até ganhar as passarelas. O corpo acabou virando um “produto” e para sobreviver a cada dia aparece um padrão para abastecer esse mercado. Para ser belo é preciso ter determinada característica, precisa ser de determinada forma física, seguir tendência, usar tal produto, fazer dieta, recorrer a alguns procedimentos cirúrgicos e, mesmo assim, sempre vem alguém para dizer que você precisa ser parecido com outra pessoa.

O corpo acabou ganhando duas definições: corpo ideal e corpo real. Para compreender melhor esse ponto de vista nada melhor que exemplificar.

O corpo ideal é o considerado perfeito, padrão estético criado por uma sociedade dominante que vive do seguimento moda/beleza. Uma vez que a realidade não é existente nas mídias ainda é permitida a manipulação da imagem. Já o corpo real, que representa a maioria dos consumidores com deficiência, consiste em sua naturalidade e não segue nenhum padrão.

O corpo ideal, graças a Deus e com muito trabalho, está ficando no passado !

Nos tempos atuais, a moda vem compreendendo que precisa ser mais democrática para sobreviver e vem abrindo espaço para o corpo real. A diversidade, de forma tímida ainda, vem ganhando espaço, não por uma questão de assistencialismo, os esforços são para se manter como um produto vendável. A inclusão é uma realidade nas publicidades e passarelas em pequena escala. Reconhecer trabalhos que são realizados fora do dito grande porte, é uma tarefa que a sociedade precisa aprender a valorizar. Pequenas ações realizadas são necessárias e fundamentais para somar.

A representatividade vem ganhando força nesse mercado, pois só assim é possível estabelecer uma comunicação com o consumidor. Profissionais com corpos reais estão sendo requisitados com frequência para esse mercado de trabalho e vale a pena ressaltar que é preciso ter as qualificações necessárias para contratação (leia a edição Nº 119, páginas 84 e 85 da Revista Reação – 10 dicas para quem quer ser modelo profissional).

A moda não sobrevive sem um trabalho coletivo. Um precisa do outro para obter resultado e sucesso.