Desejo de mãe

Sempre quis ter um menino levado… sou mãe do Gabriel. Ele fez 20 anos em agosto, é autista e tem suas limitações e seus encantamentos. Nunca fiquei em luto ou me revoltei. Mas já briguei com Deus algumas vezes quando ele aprontava – e muito – na rua. Hoje, agradeço !

Não queria ter um filho neurótico. Fortaleço-me com a sua pureza, seu sorriso e seu jeito. Tornei-me um general, porque autista, como qualquer filho, precisa de limites.

Vejo a vida de outra forma, me emociono quando ele fala uma frase inteira e quando ele ajuda a vestir a roupa.

Por outro lado, me sinto culpada de não conseguir tratamento adequado para ele, que está afastado há 10 anos de uma escola . Moramos no Rio de Janeiro/RJ e aqui não existe uma escola especializada para autista baseada no método ABA, ou uma escola inclusiva onde os professores são capacitados nesse método.

Não existe inclusão para autista numa escola regular onde a escola não invista na capacitação, ou o próprio poder público.

Há pouco tempo, ouvi de um palestrante que o desenvolvimento de uma pessoa do espectro autista depende da quantidade de dinheiro que ela possui, porque infelizmente, não existem políticas públicas sérias e concretas para eles.

Meu filho poderia ter aprendido uma profissão, ele PODE muita coisa, mas eu não posso dar a ele o que merece. Eu não posso me mudar para outra cidade ou país para oferecer um tratamento digno e comprovadamente eficiente, baseados em evidências, como o ABA.

O que vejo, na cidade onde moro, são pais virando terapeutas, gastando o que têm ou o que não tem, com dívidas, torrando tudo em terapias que não dão os resultados esperados ou ainda muitos que mantém os filhos matriculados em escolas regulares, pagam mediadores para, na verdade, ficarem passeando no pátio com eles !

Meu filho fez 20 anos e esse ano não fiz homenagem no Facebook, porque estou desanimada. Tenho uma meta na minha vida: de construir uma escola para autistas na minha cidade, mas aqui, o autismo não é levado a sério. Meu LUTO hoje, é pela falta de políticas públicas e comprometimento dos governantes. É muito triste morar num país onde você deve ter muito “dinheiro” para garantir o desenvolvimento do seu filho autista.