Devoteísmo: uma questão de escolha ?

O devoteísmo é um assunto muito polêmico e bastante controverso, sempre dividindo opiniões.

Devotee é um termo usado para se referir a quem se sente atraído sexualmente por pessoas com deficiência ou por alguma deficiência específica.

Há quem não veja mal nenhum nisso, mas há ainda quem abomine os devotees.

Essa fama ruim parece ter surgido de experiências onde “devotees” buscavam apenas satisfazer seus desejos e “taras”, ignorando sentimentos do outro.

Porém, sentir-se desejado faz bem para o ego e autoestima de qualquer ser humano (com ou sem deficiência), não é mesmo? Que tal tentarmos enxergar que pode haver algo positivo nessa história toda ?

O fato é que todo relacionamento envolve investimentos e riscos. A presença de uma deficiência não faz com que isso mude. Cabe a cada um decidir o que é bom para si e com quem quer se relacionar e viver nossas experiências.

Encontramos facilmente com devotees no mundo virtual, seja em redes sociais ou ainda das antigas salas de bate papo. Muitos buscam claramente um envolvimento sexual (virtual ou real) e já nas primeiras conversas deixam claro o desejo pela deficiência. Mas outros parecem buscar algum tipo de relacionamento amoroso ou até mesmo amizade.

Antes de escrever, resolvi conversar com algumas pessoas que se intitulavam devotees e, com autorização, deixo o trecho de algumas conversas:

“Acho um charme o homem cadeirante. Eles ficam com os braços fortes, não sei dizer, mas algo me encanta. Sempre tenho olhares atentos para os cadeirantes”…

C.B. – 25 anos

 “Tudo começou quando era adolescente. Na escola, uma menina da minha sala não tinha parte do braço, isso me chamava muita atenção. Depois de um tempo, fui percebendo que me excitava pensando nela, muito mais que em outras meninas e vi que era exatamente a amputação que me fascinava. No começo, achava muito estranho, mas depois conheci outras pessoas iguais a mim”…

G.H.O – 41 anos

“Não aceito, em minhas redes sociais, quem eu não conheço. Tem muito devotee por lá e eles ficam atormentando. Já logo de cara querendo saber da minha deficiência e pedindo para me ver na câmera. Isso me irrita (risos)”.

T.S – 23 anos (possui amputação da perna esquerda)

Minha opinião: antes de julgar alguém como bom ou ruim, conhecer cada indivíduo é a opção mais prudente para evitarmos pré-conceitos e situações desagradáveis

!

“O preconceito é um fardo que confunde o passado, ameaça o futuro e torna o presente inacessível”…

 Maya Angelou