Disfunção intestinal Neurogênica – Intestino Neurogênico

  Maria Ângela Boccara de Paula

A disfunção intestinal neurogênica é uma das complicações de algumas doenças e lesões do Sistema Nervoso Central (SNC), que vem acometendo muitas pessoas, especialmente devido ao aumento da violência urbana e das lesões traumáticas, como os acidentes, bem como ao envelhecimento da população.

Pessoas com intestino neurogênico podem apresentar períodos de constipação intestinal, mas também de incontinência anal, porém neste artigo vamos falar da constipação.

A constipação intestinal causa desconforto e interfere na qualidade de vida, assim é muito importante a orientação e acompanhamento da equipe multiprofissional para que condutas adequadas sejam tomadas e problemas possam ser solucionados o mais precocemente possível. Estratégias educativas como vídeos e orientações escritas devem ser utilizadas para auxiliar no cuidado com o intestino neurogênico e contribuir para autonomia e independência do paciente.

O intestino neurogênico caracteriza-se pela perda da sensação de necessidade de evacuação ou a inabilidade para perceber a presença de fezes no reto. Ocorre devido ao bloqueio das mensagens enviadas entre aparelho digestivo e o cérebro através da medula espinal. O processo de reeducação intestinal favorece o funcionamento do intestino com regularidade, em um mesmo horário, facilitando assim as atividades fora de casa e contribuindo para melhorar a qualidade de vida.

A reeducação do intestino é possível com planejamento e dedicação da equipe de saúde e pessoal e deve ser iniciado o mais precocemente possível. Orientações importantes como esvaziar o intestino de forma regular e evitar o bloqueio das fezes (impactação e constipação) são informações essenciais que contribuirão para favorecer a saída das fezes. Observar a frequência das eliminações e a consistência das fezes também gera dados importantes que definem condutas a serem tomadas.

 Caso as eliminações sejam infrequentes, com intervalos superiores há três dias, e/ou fezes muito endurecidas é necessário certificar-se de que todas as orientações realizadas estão sendo efetivadas.

A ingestão de alimentos ricos em fibras se faz essencial, alimentos como frutas, verduras, cereais não devem faltar na dieta e os líquidos também compõem o conjunto de recomendações. Fibras demandam líquido para que seu efeito possa ser potencializado. Beber água é importante não só para o intestino neurogênico, como para prevenir infecções urinárias, problema também recorrente em pessoas com doenças ou lesões do Sistema Nervoso Central. É importante o consumo mínimo de seis a oito copos de água por dia, além de chás e sucos naturais. Bebidas gasosas devem ser evitadas, especialmente para evitar a formação excessiva de gases.

O uso de laxantes deve ter prescrição médica, geralmente são usados laxantes osmóticos, os irritativos são contraindicados.

Outra orientação importante é registrar as informações referentes as eliminações: quando foi a evacuação, horário, posição, método de estimulação e técnicas auxiliares realizadas, tempo para os resultados. Anotar também a quantidade, consistência e cor das fezes, presença de cólicas abdominais, dores, espasmos musculares ou sangramento.

Assim é importante criar o hábito evacuatório, procurando manter a regularidade e horários pré-selecionados e o acompanhamento multiprofissional.

*Maria Angela Boccara de Paula é Enfermeira Estomaterapeura e presidente da Associação Brasileira de Estomaterapia – www.sobest.org.br. Tem Doutorado em Enfermagem pela USP – Universidade de São Paulo, atuando principalmente em estomaterapia e saúde coletiva, assistência e também ensino e pesquisa. 

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