E AS FAMÍLIAS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA ?

Nos últimos tempos tenho tido a oportunidade de conhecer muitas famílias de pessoas com deficiência, onde posso trocar experiências e acabo descobrindo muitas semelhanças em nossas rotinas. Mas uma coisa é quase unânime em todos os casos: as principais atenções estão voltadas somente para a pessoa com deficiência, por motivos óbvios, mas muitos familiares e responsáveis deixam de se cuidar neste processo e não recebem nenhum tipo de acompanhamento. São inúmeros os relatos que venho recebendo sobre a falta que faz ter alguma forma de apoio, principalmente psicológico, para estas pessoas. A atenção, os altos gastos financeiros e os cuidados exigidos podem alterar completamente a rotina destas famílias, sobrecarregando um ou mais membros que, geralmente, se dedicam grande parte do dia a pessoa com deficiência, não sobrando tempo ou recursos para que eles próprios se cuidem, causando prejuízos à sua própria saúde física ou mental. Para que se consiga uma qualidade de vida melhorada para estas famílias é essencial que haja um suporte psicológico ofertado pelo governo, inclusive na forma de lidar com sentimentos negativos que possam se manifestar, como medo, ansiedade, aflição ou até mesmo na incidência de sinais de depressão, muito comuns nesta sociedade moderna em que vivemos. É verdade que ainda precisamos avançar muito nas políticas voltadas às pessoas com deficiência, porém as famílias destas pessoas também precisam de políticas claras de amparo que as possibilitem o cuidado com suas próprias vidas e bem estar. Diante dessa necessidade iminente, iniciei uma luta pelo acesso destas pessoas ao atendimento da rede pública municipal, através do Projeto de Lei Nº 783/2018, que prevê que o Poder Público Municipal deverá disponibilizar atendimento psicológico para os responsáveis, atendentes pessoais e familiares das pessoas com deficiência, preferencialmente, no mesmo dia, horário e equipamento que o ente familiar ou assistido. Para que ele possa levar a pessoa com deficiência para o tratamento e aproveitar este tempo, para também se cuidar. São muitos ainda, os nossos desafios, mas sem dúvida, prezar pela saúde física e mental de todos cariocas, deve ser uma prioridade. E pelo que temos visto, isso não acontecerá se a sociedade não se mobilizar e cobrar soluções.

 


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