Educar para Respeitar !

Amigos e amigas… Bom estar aqui outra vez. Espero encontrar todos e todas com saúde e paz. Na coluna ‘Espaço Aberto’ desta edição não vou abordar o tema Pessoa com Deficiência, nem Pessoa Surdocega. Pretendo reflexionar com vocês algo que venho abordando e respondendo, ou tentando responder, nas inúmeras mensagens de e-mail que recebi nas últimas duas semanas. Vejamos: Segundo relata o jornalismo, corre na Câmara dos Deputados um projeto de lei que autoriza o uso de equipamentos não letais — como spray de pimenta e armas de eletrochoque — por professores das redes pública e privada, em todo o Brasil.

Ao ser questionado pelos leitores(as) sobre o que considerava a respeito disso, fui direto: o Mundo, a sociedade está em chamas !

Aprofundei-me na questão colocando a memória para trabalhar. Eu, Alex Garcia, Pessoa Surdocega, com Hidrocefalia e Doença Rara, iniciei minha caminhada educativa numa Escola Municipal, ali fiz a pré-escola. Logo depois, iniciei o ensino fundamental numa Escola particular, uma Escola Salesiana, coordenada por Irmãs.

Isso no ano de 1983. Nesta Escola Salesiana permaneci 8 anos. As Escolas Salesianas da época eram extremamente disciplinadoras e eu, apesar de minhas condições, não recebi “colher de chá” das Irmãs e das professoras. Diga-se de passagem, eu era a única pessoa com deficiência da Escola.

Na época cantava-se o Hino Nacional três vezes na semana e, se “apenas abrisse a boca” sem de fato cantar o hino, a Irmã pegava na orelha com aquela unha que só elas tinham. Minhas orelhas foram furadas umas 3 ou 4 vezes.

Em sala de aula o respeito era ensinado e cobrado com rigor. Como ? Se o aluno se comportava de maneira inadequada, a professora chamava a Irmã e esta colocava o aluno de joelhos sobre grãos de milho atrás da porta por alguns minutos. Era um castigo, sim um castigo ! Eu fui umas 10 vezes pra cima do milho por ser muito tagarela em sala de aula.

Muitos de vocês ao ler esta matéria vão considerar isso uma violência ou algo assim. Tranquilo, respeito a opinião de todos e todas. Para mim, estas ações foram necessárias – santos remédios a unha na orelha e mais ainda a dor nos joelhos por estar sobre o milho – pois sejamos francos, se não põe freio no tagarela, daqui a pouco este mesmo já vai fazer coisa pior !

As Irmãs através de seus métodos de “tortura” na verdade: Educavam para Respeitar!

Hoje, os valores estão mudados em nossa sociedade, de como já não mais se educa para o respeito.

É o filho que não respeita e não deve obediência a seus pais. Casais que fazem um compromisso e dias depois rolam as traições de toda ordem. Empregados que não cumprem suas obrigações (na verdade tem muito empregado que nem sabe porque está empregado). É o País tomado pelos “antros de prostituição moral”.

Então, autorizar professores a usar — spray de pimenta e armas de eletrochoque — na escola resolveria nossos problemas ? Não ! Creio que não. E hoje, a unha na orelha e o milho também não iriam resolver, pelo menos, não de maneira ampla, inserido num sistema de “Escola Pública”.

O que vislumbro é desenvolvermos mecanismos, e disciplinas, que abordem fortemente o Educar para Respeitar. O Respeito sempre foi e sempre será o centro da moralidade.

Obrigado por me aturarem ! Forte abraço e até a próxima !