Educar para revolucionar !

Sandra Ribeiro

 

  • Por Kica de Castro 

A moda faz parte da história do mundo desde o século XV, início do renascimento europeu. Já a roupa surgiu bem antes, no período Paleolítico, usando recursos naturais, através da manipulação de caules e plantas. O homem do tempo da “Pedra Lascada” inventou uma das mais fantásticas descobertas da humanidade. Vejam só: a roupa foi criada com um tema atual, ecossistema !!!  
Muito além de ser apenas indumentária humana, a roupa faz parte do conceito da moda que abrange muito mais que vestuário. É definida como um conjunto de opiniões, gostos, tecidos, cores, assim como modos de agir, viver e sentir coletivos.

A moda é um assunto mundial, passou a criar sua própria linguagem, mudando comportamentos e alterando a mais básica expressão de uma sociedade.

Não é por acaso que esse tema ganhou espaço no meio acadêmico e virou estudo de pesquisa e transformador na ciência humana. Sua classificação é considerada arte e também ciência.

Com a chegada dos anos 40 e as grandes atrizes de Hollywood, a moda dita o que é padrão de beleza corporal, e vai mudando as características físicas até estacionar nos anos 90, quando surge a cruel ditadura que o corpo, para ser belo, precisa ter apenas uma característica física e ter exata altura e demais medidas.

Desde então, entrar no conceito de beleza é uma luta diária para valorizar a pluralidade dos corpos.

Em tempos atuais, a moda precisa passar por um novo processo de reeducação para 

continuar a sua evolução. Com tantas belezas físicas existentes, não tem como determinar um padrão corporal. Podemos sim ter um tipo físico da nossa preferência, mas aí é uma questão de gosto, onde cada indivíduo tem o seu. Devemos respeitar, mas rotular jamais.

O coletivo RElab Criativo, vem para esse cenário de educar para poder integrar e revolucionar, desde 2019.  Nesse momento com a proposta de um novo vocabulário nos temas:  acessibilidade, design universal, sustentabilidade,  resgate da ancestralidade e moda. 

São pontos simples para exercitar a reflexão. Ao invés de usar a palavra inclusão, passou-se a usar a palavra interação. No lugar da diversidade podemos falar pluralidade – fato de existir em grandes quantidades, de não ser único.

Mudar o termo de Moda Inclusiva para Moda Plural faz todo sentido. 

Parando para avaliar, são atitudes simples que transformam o mundo. Hoje é impossível falar que pessoas com deficiência é um segmento formado por minorias, afinal, 46 milhões de pessoas com deficiência no Brasil são capazes de escrever qualquer história.

 

Anny Souza tetrapplegica

“A minha moda é de acordo com o meu gosto pessoal e não por imposição do mercado de consumo.”

Anny Souza – Modelo com tetraplegia de Salvador/BA

 

Déborah Fontenele paraplegia

“Se for para ser julgada pelas roupas que uso, a definição é mulher empoderada.” 

Deborah Fontenele – Modelo com paraplegia de Goiânia/GO 

 

Mariozane Machado Silva

“Eu gosto da definição de que corpo bonito é aquele que tem gente feliz dentro.”

Mariozane Machado Silva – Lutadora de boxe com amputação de membro inferior. 

 

Sandra Ribeiro

“A moda precisa ser democrática e promover a interação.” 

Sandra Ribeiro – Relações Públicas – Poliomielite  

 

 

* Kica de Castro é publicitária e fotógrafa. Tem uma agência de modelos exclusiva para profissionais com deficiência, desde 2007. Apresentadora do programa Viver Eficiente e consultora colaboradora do coletivo RELab Criativo. 

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Instagram: @vivereficiente