Em Campo Grande, MS, incluídas na vacinação, pessoas com deficiência comemoram o início do alívio

Deficiente auditiva, Graziela contou com ajuda da intérprete de libras Manuela Cáceres.
Henrique Kawaminami

O ginásio Guanandizão, em Campo Grande, MS,  era só alegria na manhã deste sábado, quando um novo grupo passou a ser prioridade nesta etapa da vacinação na Capital. A partir deste sábado, 27, a imunização está sendo feita também em pessoas entre 18 e 60 anos que tenham comorbidades, mediante entrega de laudo.

Na lista entraram pessoas autistas, com deficiência mental, auditiva ou visual, síndrome de Down, paralisia cerebral, distrofia muscular ou traqueostomizados. Também foram incluídos transplantados, renais crônicos em diálise ou pacientes oncológicos com doença ativa e em tratamento.

Foi com ajuda da intérprete Manuela Cáceres, de 34 anos, que conseguimos conversar com Graziela dos Anjos Melo Rocha, que tem deficiência auditiva. Aos 40 anos, ela saiu do Bairro Santo Antônio para tomar a primeira dose da vacina. O sentimento era de felicidade que dava para ver através dos olhos.

“Estou muito feliz, a covid está muito perigosa. Precisamos cuidar da nossa saúde e das pessoas. A vacina nos deixa mais seguros, estou feliz porque a sociedade pensou neste grupo de surdos, nossa comunidade também é importante”, dizia. Sobre a picadinha, Graziela respondeu que “doeu um pouquinho”, mas que a felicidade era maior.

Manuela, a intérprete, é uma das duas profissionais que está auxiliando na comunicação dos surdos. Profissional desde 2013, ela explica que foi convocada para o trabalho e tem um imenso prazer em estar ali. “A comunicação é muito importante, sem ela não temos nada. Minha mãe é surda, eu cresci com isso e sei que existe uma grande dificuldade e só de saber que eles podem ser compreendidos aqui eu fico muito feliz”, fala.

Acompanhada do filho, Lucas Amorim Mota, de 18 anos, que tem síndrome de Down, dona Josefa Pinheiro Amorim Mota, de 53 anos, era só alegria. Os dois vieram do Aero Rancho para o Guanandizão segurando a ansiedade.

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“Eu tô feliz e ansioso, não estou com medo”, disse o jovem. A mãe fala da importância de ver o filho tomar logo a primeira dose. “Ele é de um grupo de risco, foi bom adiantar para ele ficar imune logo. Eu fico feliz, porque ele está imune, se contrair a doença, será mais fraca. A vacina significa pra gente esperança de dias melhores. Lá em casa ninguém pegou, graças a Deus”, comemora Josefa.

Vestidos com uma camiseta que identificava o motivo de estarem ali, Diva Elena Duarte, de 52 anos, estava com o filho autista Felipe Silvino, de 24. Os dois eram só felicidade e Felipe já planejava o que poderia fazer depois de ser imunizado. “Estou muito feliz, nem doeu. Estou sentindo falta de sair de casa, quero ir ao cinema”, pedia.

Promotora de eventos, Diva conta que tem sido difícil manter o filho em casa já que ele ama festas, sertanejos e, como Felipe mesmo falou, ir ao cinema. “Eu não via a hora dele ser vacinado, estou mais tranquila por saber que ele vai correr menos riscos, seguimos tomando todos os cuidados. Ele é a coisa mais preciosa que eu tenho na vida”, declara.

Ah, e a “caracterização” dos dois era a antecipação ao dia 2 de abril, quando se comemora o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

Felipe recebendo a primeira dose da vacina. Jovem não vê a hora de poder ir ao cinema. (Foto: Henrique Kawaminami) – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

“São pessoas que não usam máscara, então temos essa consciência de que, por exemplo, o cego, os olhos de uma pessoa com deficiência visual é a mão e nesse momento a mão dificilmente pode ter esse tipo de cuidado específico e acabamos tendo uma maior chance de contaminação. Estamos dando prioridade para esse público”, afirmou José Mauro Filho, Secretário Municipal de Saúde.