Em Minas Gerais, 90% dos cuidadores de pessoas com deficiências múltiplas são mulheres

mulher brinca com criança em cadeira de rodas
Evidências científicas ajudarão no aprimoramento das políticas públicas para o segmento.

No estado de Minas Gerais, 90% das pessoas com deficiências múltiplas são mulheres. O dado foi apresentado durante o II Seminário on-line sobre a pesquisa “As condições sociais das famílias de pessoas com deficiência múltipla nas Apaes de Minas Gerais”. Há um predomínio de cuidadoras mães, seguidas em número menor por cuidadoras irmãs. Em terceiro lugar ficam os pais.

Segundo o estudo, o diagnóstico é resultado da observação de 980 famílias de 74 instituições da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) em Minas Gerais. Os resultados são de suma importância para subsidiar o desenvolvimento de políticas públicas voltadas a apoiar famílias de pessoas com deficiência múltipla.

“Uma das grandes, se não a maior obra deste Ministério, é a entrega deste diagnóstico. Chega de criar política pública em cima de achismos. Precisamos de dados, evidências. Acredito que esta pesquisa pode mudar muita coisa nas políticas públicas federais, estaduais e municipais em prol das famílias de pessoas com deficiência”, defende a titular do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), Damares Alves.

Dados

De acordo com a pesquisa, as famílias que apresentam membros com deficiência múltipla estão distribuídas da seguinte forma: 70% em regiões periféricas das cidades, 20% em zonas urbanas e 10% em zonas rurais.

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Em 77,55% dos lares não há presença de adaptação no ambiente. Apenas 22,45% das famílias contam com um ambiente adaptado e adequado para facilitar o cuidado e a autonomia das pessoas com deficiência múltipla.

Em resumo, os pesquisadores responsáveis pelo projeto apontaram nove questões importantes que devem ser observadas. Nas famílias estudadas, em geral, observou-se pobreza, alto grau de dependência econômica do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a maior parte das cuidadoras não possui renda própria, grande parte delas apresenta baixa escolaridade, há uma alta incidência de monoparentalidade feminina, ocorrência de sofrimento mental, boa parte das cuidadoras não divide o trabalho familiar com mais ninguém, em geral, as cuidadoras têm baixo índice de sociabilidade, e, por fim, constatou-se que há maior necessidade de apoio aos cuidados em famílias com maiores vulnerabilidades.

A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD/MMFDH), Priscila Gaspar, também participou do evento e explicou como foi elaborado o estudo. “Esse material foi desenvolvido por meio de um Termo de Fomento que o MMFDH assinou, em 2019, junto à Apae. O objetivo foi a realização de uma pesquisa para compreender as condições sociais das famílias que cuidam de pessoas com deficiência nas Apaes de Minas Gerais”, diz.

A pesquisa foi realizada ao longo de 2020 e início de 2021 e está em processo de finalização, o que deve ocorrer nos próximos meses. Os dados foram apresentados de forma on-line na última sexta-feira (19).

A produção científica tem a participação do MMFDH, em parceria com o Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Inclusão Social da Pessoa em Situação de Deficiência (NIEP), o Instituto de Ensino e Pesquisa Darci Barbosa (IEP-MG), e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Minas Gerais.

Os recursos para o trabalho foram disponibilizados por meio de emenda parlamentar do deputado federal Eduardo Barbosa (PSDB/MG), no valor de R$ 300 mil.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MMFDH

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