Entendendo os Tipos de Tônus

muscular

Por Dr. Adriano Borges Amaral

O reflexo miotático é à base de todo fenômeno tonígeno, sendo que o arco reflexo miotático é muito breve, pois se limita a via aferente que conduz o estímulo até a coluna ventral da medula de onde emerge a via eferente pela raiz superior e nervo periférico, se dirigindo ao músculo. (TEIXEIRA, 1998).

Podemos obter dois tipos de respostas quando se pesquisa o reflexo miotático, cujo estímulo adequado é o estiramento muscular: fásico ou tônico.

A contração reflexa fásica caracteriza-se por ser brusca, clônica, de caráter cinético, capaz de provocar deslocamento do segmento correspondente. Esses reflexos são denominados profundos (aquileu, biciptal, patelar…).

A contração reflexa tônica é prolongada, intensa, e tem caráter estático. Tanto os reflexos tônicos como os fásicos sustentam as atividades posturais e participam na regulação dos movimentos. (SANVITO, 1998; GUYTON & HALL, 1996).

O arco reflexo miotático atua nos centros supra segmentares, que agem como facilitadores e inibidores da contração reflexa tônica ou fásica, que em casos de lesões determinam se há hipotonia ou hipertonia muscular por liberação de centros inferiores.

O sistema inibidor é formado por áreas corticais (4 e 6 de Brodman) e por alguns núcleos da base (paleoestriado e substância negra), pelo cerebelo e formação bulbo reticular, onde os impulsos são enviados para a medula pelo tracto retinoespinal inibidor no funículo lateral.

O sistema facilitador é constituído pelo núcleo vestibular lateral, neocerebelo, formação reticular, ponte e formação bulboreticular facilitadora. Os impulsos são enviados para a medula pelos vários tractos descendentes.

Quando ocorre desequilíbrio nestes dois sistemas, o resultado pode ser hipotonia ou hipertonia. No primeiro caso, sempre que houver predomínio das inibidoras, enquanto no caso das hipertonias ocorre predominação facilitadora.

Também serão observadas hipotonias todas as vezes que o arco reflexo miotático foi interrompido, como no caso das lesões nervosas periféricas. (SANVITO, 1998).

Alteração do Tônus

Hipotonia

Hipotonia ou flacidez é o termo usado para a definição da queda ou ausência do tônus muscular (postural). A resistência ao movimento passivo está diminuída, os reflexos de estiramento estão deprimidos e os membros são facilmente deslocados (frouxos), com frequente hiperestensibilidade das articulações. Os movimentos estão prejudicados pela fraqueza (paresia) ou paralisia. (O’SULLIVAN, 1990).

A hipotonia pode ser consequência de lesões em neurônios motores superiores que afetam o cerebelo ou nos tratos piramidais, causando uma queda das ações facilitadoras sobre os motoneurônios espinhais (gama e alfa).
Nos casos das lesões dos neurônios motores inferiores, que afetam o sistema nervoso periférico, levam também a sintomas como fraqueza muscular ou paralisia, fasciculações, hipotonia, hiporreflexia e atrofia.

Há casos de hipotonia temporária, chamado de choque medular, consecutiva a determinadas lesões agudas do cérebro ou da medula, e nos graus profundos do coma. Também a hipotonia muscular pode ser constitucional nos casos de acrobatas e bailarinos.

Hipertonia

Existem dois tipos de hipertonia reconhecidas: a espasticidade e a rigidez. São diferentes quanto à causa e à significância clínica. Existe, também, dois tipos mais raros de hipertonia: contra resistência (Gegenhalten) e rigidez alfa. (BRITTON ,2000)

Na espasticidade, há um aumento na resistência ao movimento passivo brusco. A resposta é dependente da velocidade, e, quanto maior for o alongamento, mais vigoroso será a resposta de um músculo espástico.

Na rigidez, a resistência fica aumentada para todos os movimentos, fazendo com que partes do corpo se tornem mais rígidas e imóveis. A rigidez normalmente é constante e não dependente da velocidade de um estímulo de alongamento. (SULLIVAM, 2000).

Quanto à utilização do termo rigidez descorticada, ou descerebrada, estas formas de rigidez referem-se à postura anormal associada ao coma, sendo assim, um tipo específico de hipertonia. Nestes casos, seria mais interessante a utilização do termo “postura descerebrada e descorticada”. (BRITTON, 2000).
Na postura descerebrada acontece uma grande variedade de distúrbios agudos e sub-agudos do tronco cerebral, constituindo em opistótonus, maxilares cerrados e membros em extensão rígidos.

Estas posturas são desencadeadas por quaisquer estímulos nocivos.

A postura em descorticação consiste em flexão dos membros superiores e extensão dos inferiores. São decorrentes de lesões da parte superior do tronco cerebral ou do mesencéfalo.

Tais posturas anormais surgem imediatamente após a lesão, ao contrário da espasticidade da hemiplegia cerebral ou de lesão medular. Essa rigidez pode estar presente continuamente, crescer ou diminuir, e estão associados à diminuição do nível de consciência. Tendem a se resolver à medida que o quadro clínico se restabelece e o coma diminui.

Dr. Adriano Borges Amaral é Terapeuta Manual (atua com os mais diversos métodos de terapia manual), Fisioterapeuta, Professor de Educação Física, Especialista em Fisiologia do Exercício, Mestre em Ciências do Movimento, Professor Universitário, Docente de Cursos de Terapias Manuais, Diretor Clínico da AFA Fisioterapia e Reabilitação, Criador do Protocolo Adriano Amaral para Cura da Hérnia Discal, Mentor e Criador do Método Toque Mágico de Terapia Manual, Idealizador e Instrutor do Programa Magic Therapy Touch, Autor e Mentor Sistema 3APCD – “Dor Nunca Mais”.

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