Entidade denuncia preconceito contra pessoa com Diabetes

Se por um lado vimos o engajamento de muitas empresas contra preconceito, pluralidade de gênero, inclusão e empatia, por outro, estão se tornando comuns os relatos de discriminação no ambiente corporativo com pessoas que têm diabetes.

Desde o início da pandemia, o Correndo Pelo Diabetes (CPD), organização sem fins lucrativos, que tem como objetivo social estimular a prática regular de atividade física como ferramenta de promoção da saúde e inclusão da pessoa com diabetes, vem recebendo inúmeros relatos sobre esse tipo de discriminação, tanto que uma das áreas do site do CPD – Como Podemos te Ajudar – foi direcionada para receber histórias parecidas como essa que pode ser lida a seguir.

Um dos casos é de Fabiana Fernandes. Morando em Goiânia, assim como outros milhões de brasileiros, ela foi demitida durante a pandemia e diante da dificuldade de se recolocar, ampliou a busca por uma nova oportunidade e acabou sendo contratada por um shopping de Brasília.

No primeiro dia de trabalho, Fabiana colocou a bomba de insulina dentro do sutiã, um local menos visível. Mas a gerente viu o volume debaixo da blusa e perguntou se era um aparelho de pressão. Fabiana respondeu que não e explicou toda a condição do diabetes para as pessoas ficarem conscientes e até para saberem o que devem fazer caso aconteça algo.

“Assim que contei, minha gerente já fez uma cara de assustada e ficou muda. No dia seguinte, ela me pediu para não comentar com ninguém da empresa que eu era “diabética” porque poderia chegar aos ouvidos da dona e isso poderia ser um empecilho para minha contratação. Eu nem tive reação na hora e fiquei muito triste, mas não consegui me posicionar. Depois, mais calma, expliquei que isso não implica no meu profissionalismo, já que sou muito disciplinada, faço o controle da glicemia e sei os cuidados necessários que preciso tomar. Mesmo assim, ela pediu para eu não contar. Passei uns dois dias medindo minha glicemia escondida. Um dia quase tive uma hipoglicemia, mas precisei me virar sozinha e de forma rápida para que pudesse retornar ao trabalho sem ninguém perceber”, relata Fabiana.

Para Bruno Helman, fundador e CEO do CPD, “é inadmissível uma empresa com esse tipo de conduta, quando se era esperado a atenção com a qualidade de vida de seus colaboradores”.

Desfecho – Passados alguns dias, a gerente chamou Fabiana para um feedback de trabalho. Disse que estava muito satisfeita com o desempenho dela, mas caso não desse certo na empresa, ela indicaria a vendedora para outro lugar, em uma vaga de PCD – Pessoa com deficiência.

“Essa gerente é uma pessoa informada, faz gestão de pessoas e está se formando em Direito. Como pode ter esse tipo de atitude? Fiquei desnorteada com essa situação. Expliquei que diabetes não se enquadra em PCD e que PCD ou pessoas com DCNT (doença crônica não transmissível) não devem ser vistas como limitadas. Isso me desmotivou e só esperei encerrar meu contrato para sair da empresa, mesmo sabendo que eles queriam renovar”, desabafa Fabiana

Dados da Federação Internacional do Diabetes apontam que cerca de 463 milhões de adultos têm diabetes em todo mundo. Duas em cada três pessoas que vivem nos centros urbanos têm diagnóstico de diabetes.

“O diabetes mellitus tipo 1 não nos incapacita em nada. Ao contrário: somos pessoas que no dia a dia tomamos 158 decisões a mais do que uma pessoa sem esse diagnóstico. A informação e educação sobre esta condição, além da inclusão da pessoa com diabetes, fazem parte da nossa missão no CPD”, finaliza Helman.

 

Sobre o Correndo pelo Diabetes

O Correndo pelo Diabetes (CPD) é uma organização sem fins lucrativos, que tem como objetivo estimular a prática regular de atividade física como ferramenta de promoção da saúde e inclusão da pessoa com diabetes. Desde 2018, recebe o apoio da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e atualmente faz parte das ações do Departamento de Diabetes, Esporte e Exercício da SBD.

 

Serviço:

https://correndopelodiabetes.com/

https://instagram.com/correndopelodiabetes

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