Entrevista Especial – Giovanna Maira

Aniversariante neste mês de outubro, vamos conhecer mais sobre essa bela cantora soprano, que também é compositora, instrumentista, atriz e escritora. Além de ser ainda, a primeira apresentadora de TV com deficiência visual do Brasil.

Ela é conhecida em todo País e internacionalmente pelo seu trabalho, grande talento e voz maravilhosa e privilegiada. Já se apresentou nos principais palcos da música brasileira e em outros vários diferentes países. Giovanna, além da carreira solo, também faz parte de um grupo chamado “A Bela e os Tenores”, composto por outros dois fabulosos artistas: Armando Valsani e Jorge Durian. O trio apresenta o programa “A Bella Itália”, na Rede Vida, aos sábados e com reprise durante a semana, para todo o País. O trio é tão famoso que possui até um cruzeiro marítimo com seu nome, onde fãs de todo o mundo podem embarcar e acompanhar seus shows. É com muito orgulho que a Revista Reação acompanha a carreira de sucesso dessa grande artista desde os tempos de menina, quando ainda se apresentava com seu teclado cantando sucessos da MPB no palco da Reatech no início da década de 2000. Agora, artista completa, madura e esbanjando talento e beleza, Giovanna Maira conquistou os palcos do mundo e nos dá a honra de estar conosco, com exclusividade nas páginas desta entrevista. Vamos conhecer melhor a nossa “Bela”:

Revista Reação – Quem é Giovanna Maira ?

Giovanna Maira – Nasci em Santa Cruz do Rio Pardo, interior de São Paulo. Sou pessoa com deficiência visual desde 1 ano e dois meses de idade, devido a um câncer nos olhos – retinoblastoma bilateral. Os médicos não conseguem constatar se é uma doença genética ou congênita. Como perdi a visão muito cedo, não guardo nenhuma memória visual. De acordo com os médicos é somente a partir de um ano e oito meses de vida que a criança começa a memorizar o que enxerga. Mas isso nunca me impediu de saber como são as formas e as cores, obviamente, do meu jeito.

RR – Descobriu a sua deficiência muito cedo. Como foi a sua infância ?

GM – Foi tudo muito normal. Fiz traquinagem como qualquer outra criança. Sempre fui muito esperta. A deficiência nunca me atrapalhou, nem me impediu de fazer o que eu queria. Andei de bicicleta na rua, brincava de pega-pega com meus primos… Enfim, posso dizer que não era nem um pouco quieta. Eu não me acidentava ! Acidentava as pessoas ! As pessoas ficavam boquiabertas com o que eu fazia ! Mostrava que, mesmo tendo algum tipo de limitação visual, podia correr, brincar, subir e descer degraus sozinha etc. Já na adolescência, meu relacionamento com os colegas de escola quase sempre foi ótimo. Foram poucas exceções, onde infelizmente, temos que enfrentar, mas tudo isso pode ser contornado. Só depende mesmo de mostrarmos que somos iguais e capazes de viver da mesma forma que as demais pessoas.

RR – Quando começou sua paixão pela música ?

GM – Foi muito cedo, logo após descobrir minha deficiência visual. Fomos aconselhados por um dos médicos, naquela época, a me envolver com a música. Seria uma maneira de ampliar meu mundo. E graças a Deus, foi isso que meus pais fizeram. Iniciei meus estudos de piano ainda aos 3 anos de idade, no Colégio Nossa Senhora da Misericórdia. Já aos 5 anos comecei a estudar teclado na escola Harp Som. Aos 12 anos ingressei no Conservatório Musical Villa Lobos, onde me formei em canto popular. Já cursei a Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), onde obtive o diploma em música, especializada em canto e arte lírica. Hoje a música é meu sustento, pois é minha profissão. Toco piano popular, teclado, um pouco de flauta doce e violão. É o que amo fazer !

RR – Qual a importância de ter vencido um concurso internacional de música ?

GM – Importantíssimo para mim. Essa vitória foi à realização de um sonho.  Isso aconteceu em 2006, quando venci o concurso “Rosemary Kennedy”,promovido anualmente pela Very Special Arts. Participei com a música “Can You Feel the Love Tonight”, de Elton John, da trilha do filme “O Rei Leão”. Após ter vencido a eliminatória nacional, concorri com participantes de outros 86 países até alcançar o primeiro lugar na disputa. Dessa vitória resultou o meu primeiro show internacional. Apresentei-me em Washington (EUA), no John F. Kennedy Center, em uma noite de gala, quando recebi a premiação.

RR – E a emoção da apresentação no Parapan, no Rio de Janeiro/RJ, como foi ?

GM – Fui regida pelo grande maestro João Carlos Martins, interpretei como solista a “Bachiana Nº 5”, de Villa-Lobos, acompanhada pela Orquestra Bachiana Jovem na abertura dos Jogos Parapanamericanos de 2007, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro/RJ. Foi muito emocionante, gratificante e uma grande responsabilidade ! Foi maravilhoso ! Um sonho !

RR – E a sua carreira musical ? Conte-nos um pouco mais.

GM – Já tenho dois álbuns lançados de forma independente. O primeiro – lançado em 2008, intitulado “Um Outro Olhar”, com músicas autorais e algumas regravações, e o segundo (em 2013) no estilo Crossover (mescla de música popular com clássica) de nome “A Look Beyond”. A ideia é instigar o ouvinte a olhar além, como sugere o título, fechando os olhos e deixando-se ser conduzido pelo som, descobrindo, através dele, novas maneiras de ver o mundo, assim como eu por toda vida tenho feito. Em 2017 lancei o terceiro álbum – “Hallelujah – A Bela e Os Tenores”. Já tive a oportunidade de me apresentar para dois presidentes da República. Em meu repertório toco de Metallica e Led Zeppelin, ao ‘tema da vitória’ do Ayrton Senna. Já tive a chance de me apresentar ao lado do cantor Daniel, do apresentador Gugu Liberato, Ronie Von, Raul Gil, Agnaldo Rayol e tantos outros importantes nomes da música. Também já estive, dentre algumas apresentações, no Domingão do Faustão, Criança Esperança, Mariana Godoy, Ary Toledo, Encontro com Fátima Bernardes, Domingo Show, Mais Você etc. 

RR – E no teatro, como é a Giovanna atriz ?

GM – Como atriz, recebi formação pela Oficina dos Menestréis, de Deto Montenegro e, atualmente, integro o elenco do Teatro Cego, produzido pela Caleidoscópio Comunicação e Cultura (São Paulo/SP), espetáculo teatral onde o público assiste a peças totalmente no escuro.

RR – Fale sobre o seu livro: “Escolhi a Vida” !

GM – Em 2016, lancei minha autobiografia – “Escolhi a Vida”- com capa em braile, fotos com audiodescrição e versão em e-book, acompanhada de EP de mesmo título. É um livro que motiva, inspira, impulsiona. Revelo minha história, num texto leve e fluído sobre a luta de meus pais, os obstáculos da inclusão social até meu encontro com a música. Também faço palestras/shows com o mesmo título por todo o Brasil.

RR – E “A Bella Itália” ? Como é o projeto, o programa e sua parceria com os dois tenores ?

GM – Desde 2018 acabei me tornando a primeira apresentadora em rede nacional com deficiência visual do Brasil. O programa vai ao ar semanalmente, aos sábados, às 19h, pela Rede Vida. Estou ao lado dos amigos e tenores Armando Valsani e Jorge Durian. Levamos ao público um pouquinho da Itália, com curiosidades, belas histórias e o melhor da música clássica mundial, trazendo ainda artistas de renome do cenário brasileiro para cantar os seus sucessos. Somando a esse clima típico familiar e alegre a que a Itália nos remete, temos também o quadro de culinária, em que são apresentadas as mais gostosas receitas “da mamma”, em um clima descontraído e com muito humor, música e comida boa !

RR – Como é cantar em alto mar ?

GM – Desde 2012 sou convidada para concertos especiais realizados em navios das empresas Msc, Royal Caribbean, Pullmantur e Allure of the Seas. Em fevereiro de 2020 realizamos o primeiro mini-cruzeiro “A Bella Itália”. Foi sensacional ! Pessoas de todo o Brasil e outras partes do mundo, vieram participar do nosso show em alto mar. Uma experiência fantástica e gratificante, com muito carinho e participação direta dos fãs do nosso programa de TV.

RR – Deixe uma mensagem sua, da nossa “Bela”, para quem acompanha a Revista Reação e é fã do seu trabalho !

GM – Aprendi, desde muito cedo, que o mundo, apesar de ser recheado de imagens e cores, também é repleto de maravilhas que os olhos não são capazes de enxergar. As pessoas com deficiência enfrentam muitos obstáculos em seu cotidiano. Mas sempre acreditem em seus sonhos! Mesmo se eles pareçam impossíveis de se realizar, acredite neles. Quando você realmente acredita, tudo conspira a seu favor para tornar seu desejo real. Nós estamos aqui para evoluir e para aprender todos os dias. A pessoa que adquiri uma deficiência, ou nasce com uma deficiência, tem que encarar os medos de qualquer outro ser humano adicionado aos medos e desafios de ter uma deficiência! Quando a gente acredita no nosso potencial, quando a gente tem fé na nossa capacidade e na nossa força de vontade, fica tudo mais simples de ser encarado e enfrentado.  Tenha fé!  Fé em si mesmo. Fé em Deus. Fé no seu potencial.

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