Fundação Bunge desenvolve projeto de qualificação profissional no Mato Grosso

A Rede de Formação e Inserção de Jovens Aprendizes e Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho de Rondonópolis/MT, iniciativa da Fundação Bunge, é um grupo formado por representantes do Poder Público Municipal, Iniciativa Privada, entidades do Terceiro Setor e entidades de formação e capacitação de Rondonópolis, com o objetivo de promover a inclusão de Pessoas com Deficiência e Jovens Aprendizes no mercado de trabalho local, por meio de quatro pilares: Arquitetura da Rede, Qualificação, Empregabilidade e Sensibilização da comunidade local.

A partir de estudo e diagnóstico, a Fundação Bunge identificou que o município possuía uma defasagem entre a oferta de empregos e na capacitação dos candidatos, resultando em uma dificuldade de preencher adequadamente as vagas disponíveis, causando um impacto na economia local. A rede foi então lançada em outubro de 2018 com o objetivo de oferecer qualificação e inserção de jovens aprendizes e pessoas com deficiência no mercado de trabalho em Rondonópolis/MT. A iniciativa surgiu da necessidade de solucionar dois problemas que prejudicam o crescimento econômico e a inclusão social na região: dificuldade para preencher vagas de emprego disponíveis na região e o cumprimento de duas leis importantes – Lei da Aprendizagem, que determina que todas as empresas de médio e grande porte devem contratar de 5 % a 15 % de jovens entre 14 e 24 anos; e a Lei de Cotas (PcD) que garante a inclusão no mercado de trabalho de pessoas com algum tipo de deficiência.

Hoje já são mais de 40 organizações participantes focadas em articular os investimentos sociais e empresarias na região e fortalecer políticas públicas para jovens e pessoas com deficiência.

Desde então, a Rede vem promovendo diversas reuniões de trabalho e estruturando ações que melhorem o diálogo entre as entidades participantes, de forma a otimizar os recursos e gerar resultados concretos para a comunidade.

Em abril deste ano, como parte das ações da Rede, foi realizada a Semana da Inclusão de Rondonópolis, com a promoção de diversas atividades internas em empresas, ONGs e entidades da cidade, que promoveram discussões sobre diversidade. Além disso, foi realizado o seminário Pessoa com Deficiência e Jovens Aprendizes no Mercado de Trabalho que contou com cerca de 300 participantes entre empresários, autoridades, representantes de entidades, sindicatos e instituições profissionalizantes, além de líderes comunitários e pessoas interessadas no tema que discutiram oportunidades e desafios dos jovens e das pessoas com deficiência que vivem na cidade hoje em dia.

Nos debates, abertos ao público, estiveram presentes especialistas em Educação, Psicologia, Direito, Recursos Humanos, Direitos da Infância e Juventude, Políticas Públicas, além de jovens e pessoas com deficiência compartilhando os desafios do dia a dia.

Como resultado dos debates, comentários, questionamentos e conclusões promovidos durante a Semana de Inclusão de Rondonópolis/MT foi publicado o Manifesto da Inclusão – Pela integração de jovens aprendizes e pessoas com deficiência no mercado de trabalho de Rondonópolis/MT, documento que direciona as próximas ações do grupo de empresas e instituições que se uniram.

Entre os principais compromissos assumidos no Manifesto das 41 empresas, entidades do terceiro setor, instituições de formação e capacitação e membros do poder público que já fazem parte da Rede, estão:

 

  • Promoção da Lei da Aprendizagem, que determina que as empresas de médio e grande porte devem possuir uma porcentagem equivalente a 5 % e 15 % de jovens aprendizes em trabalho, e da Lei de Contratação de Pessoas com Deficiência nas Empresas, que aborda os Planos de Benefícios da Previdência e dá outras providências à contratação de pessoas com deficiência;
  • Reforçar que o trabalho é um instrumento indispensável para a construção do bom carácter e do bom desenvolvimento da autoestima e relações interpessoais, desde que não afete a integridade física e emocional dos colaboradores e, no caso dos jovens aprendizes, que não impeça o acesso à educação regular. Respeitar e ter empatia pelos jovens e pessoas com deficiência, compreendendo que cada um tem sua forma particular de realizar atividades do dia a dia;
  • Promover ações com objetivo de reter, interessar e engajar os jovens;
  • Avaliar jovens aprendizes e pessoas com deficiência através de capacidades e potenciais profissionais e técnicos e não pelas dificuldades que outras pessoas enxergam neles;
  • Promover conhecimento sobre diversas deficiências existentes, para que seja feito o encaminhamento correto a especialistas e para que se tenha o diagnóstico mais rápido, contribuindo no desenvolvimento individual;
  • Reconhecer a importância de tecnologias assistivas para a inclusão social, considerando a participação das pessoas com deficiência no processo de construção das tecnologias;
  • Reconhecer que para promover a diversidade é preciso ter cada vez mais pessoas diferentes na equipe, com pensamentos, características, competências, interações, habilidades e conhecimentos diferentes;
  • Ressaltar a importância do Benefício de Prestação Continuada (BPC), garantia mensal de um salário mínimo para o idoso com 65 anos ou mais e à pessoa com deficiência que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção, nem de tê-la provida por sua família;
  • Desmistificar o conceito de que a pessoa com deficiência não quer trabalhar por receber o BPC, posto que apenas 3,2 % das pessoas com deficiência recebem o benefício e que quando contratados, a lei prevê apenas a sua suspensão durante o período em que há vínculo empregatício;
  • Buscar soluções e alternativas para o problema da mobilidade no município, questão que exclui e segrega a população periférica.

FOTOS

Crédito: Fundação Bunge/Divulgação