Gente! Pessoa com deficiência também transa?

*Por Márcia GoriPois é! Sempre escuto esse tipo de comentários com muito espanto, e às vezes, indignada. Somente não entendo qual o problema da pessoa com deficiência ter sexualidade libido… não vejo o porquê de todo esse “auê”, sendo que a pessoa que não tem deficiência, muitas vezes não sabe nem para que serve a sua própria vagina ou o pênis e quando encontram uma pessoa com deficiência que sabe muito bem que fazer com os seus órgãos sexuais, aí aparece a indignação.

Vamos falar sério sobre sexo: você tem gozado ultimamente ? Você já transou em algum momento da sua vida com alguma pessoa que tenha deficiência ? Não estou falando aqui de opções sexuais, cada um tem a sua. Neste bate-papo estou falando de sexo, gostoso, quente, molhado. Sabe aquele sexo que você é jogado na parede, o parceiro ou parceira te faz sentir uma lagartixa ? Aquele sexo que você vai para o céu e não quer sair nunca mais de lá ?

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É esse mesmo ! Uma transa sem pensar no que vai acontecer dali a pouco, aquele que seu coração dispara, você sente o gosto e o cheiro da adrenalina. Você que tem uma deficiência já testou seus limites, já vivenciou seus orgasmos sem medo de ser feliz ? A sua deficiência te traz pudor, vergonha do teu corpo, medo de não conseguir receber e dar prazer ?

O que te impede de se soltar, de se tocar, de se masturbar, de olhar para o outro e dizer que tá com muito tesão ?

Normalmente quando não se tem deficiência passamos por processos de castração dos nossos desejos, da proibição, negação de algo que faz parte da nossa genética, todo esse processo é devido nossa educação religiosa, do sentimento do pecado, de achar que não somos merecedores de sentir prazer, assim como também a infantilização e a negação da sexualidade da pessoa com deficiência.

Quando você, pessoa com deficiência, está numa paquera, como você se comporta ? Você emite sinais, está interessado e aguarda qual será o próximo passo ? Por uma loucura maior, vai lá direto na fonte e dá o primeiro passo ? Ou fica com vergonha encolhidinho no seu canto, fazendo de conta que não tem interesse nenhum.

Eu mesma prefiro deixar bem claro que estou afim. E olha que a minha deficiência é de alta complexidade. Mas, isso não impede que eu queira transar e gozar muito. Direito meu de dar o toque para pessoa se achegar, bater um bom papo, ver se rola uma química e pronto ! Vamos para o motel ver no que vai dar, o sexo para nós não se resume só na cama, em gozar, em trepar a noite toda… Não se esqueçam que precisamos chegar até a cama, chuveiro, porque se não tiver acessibilidade, toda química vai por água abaixo. Aí, se você não tiver bom humor com a pessoa ao seu lado, tudo vira algo pesado e sem gosto.

Procure sempre se informar sobre o quarto antes de passar por uma situação dessas. Apesar que uma vez eu saí com um cara e foi engraçado, porque batemos em três motéis e nenhum tinha como eu entrar. A gente quase se resolveu no banco de trás do carro e olha que deveria ter sido assim mesmo, pois numa sociedade que nos priva de ter acesso a informações e acessibilidade, nos colocando na condição de menos, dá vontade de transar publicamente só para mostrar para todo mundo que temos vagina, pênis, nos masturbamos, fazendo sexo oral, anal e se nos der na telha, podemos ter prostitutas, porque não ?

Tem muita gente que, por debaixo dos panos, tem desejo por nós. Não são “devotees”, mas se sentem no direito de criticar esse público de “adoradores de pessoas com deficiência”, porque acham que eles são pervertidos… não ! Os “devotees” são pessoas normais, menos hipócritas, que na maioria das vezes, assumem aquilo que sentem sem pudor nenhum. Nos acham lindos, sensuais, bom para c****** para ir para cama e ser felizes. Qual o problema ?

O preconceito está na cabeça de cada um, não venha querer adequar a minha vida dentro de suas regras, porque o meu desejo é meu, o corpo é meu e é direito meu sentir e dar prazer para quem eu quiser. Ninguém tem o direito de barrar a sua sexualidade, mesmo que você, pessoa com deficiência, mexa só com os olhos, pois como um amigo meu dizia (Kronos):  “mesmo mexendo só os olhos, fazendo xixi ou cocô na hora do sexo, o direito é seu… e se o seu parceiro ou parceira topar, sexo bom é sexo sujo (hahaha)”.

Bom, terminando aqui. E agora, vou assistir um filminho pornô para aprender mais posições e claro, testar, porque senão não tem graça !

Até o nosso próximo encontro !!!

Márcia Gori é bacharel em Direito-UNORP, Presidente-fundadora da Ong “ESSAS MULHERES”, Idealizadora da Assessoria de Direitos Humanos – ADH Orientação e Capacitação LTDA, Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência – CEAPcD/SP 2007/2009, ex – apresentadora do Programa Diversidade Atual no canal 30-RPTV, ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/SP 2009/2011, ex-Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/SP 2009/2012. Idealizadora do I Simpósio sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência do NIS – Núcleo de Inclusão Social da UNORP, Seminário sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência na REATECH 2010 a 2015, co-realizadora do I Encontro Nacional de Políticas Públicas para Mulheres com Deficiência em 2012, capacitadora e palestrante sobre Sexualidade, Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência, modelo fotográfico da Agência Kica de Castro Fotografias.

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