Golfe começa a fazer adeptos do Brasil

O Estado de São Paulo tem a principal equipe composta por lesionados medulares, impulsionados pela Associação Esportiva São José, em São José dos Campos/SP, mas já existem adeptos do esporte por todo o país.

A Federação Paulista de Golfe (FPG), inclusive, em agosto de 2016, foi a primeira Federação do Brasil a criar o departamento de Golfe Adaptado, por iniciativa do presidente Antonio Carlos Padula,  que hoje está a cargo da diretora Juracy Barros. Para 2017 foram destinados R$ 10 mil para o departamento pela FPG, verba que será usada para aulas de atletas na Associação.

Profissional de Educação Física especialista em treinamento específico para golfistas pelo Titleist Performance Institute, Juracy já era preparadora física no esporte há alguns anos, quando um amigo que trabalhava com pessoas com deficiência em canoagem e handbike lançou o desafio. “Desse momento em diante, começou todo o trabalho para desenvolver e fomentar o golfe adaptado em São José”, conta a treinadora.

O Clube abraçou a ideia e, em 2011, autorizou Juracy a trazer amigos cadeirantes para começar a treinar. Hoje, cinco atletas treinam lá e há outros quatro treinando no Estado. “Por ser um trabalho pioneiro, tem toda a problemática deste momento, como em qualquer coisa onde falta informação. Temos que lidar muito com a desinformação, porém já avançamos”, ela explica.

Já foram feitos três torneios, o próximo será realizado no segundo semestre, ainda sem data definida. As equipes são formadas por caminhantes, um profissional golfista e um cadeirante.

“O golfe adaptado já está bem desenvolvido em outros países da Europa, Ásia e nos EUA e existem campeonatos mundiais, Parapan e, futuramente, entrará nas Paralimpíadas. Temos total ambição de participar de todos”, garante Juracy.

As cadeiras de rodas comuns danificam os greens, locais onde as bolas são embocadas e que possuem uma grama muito delicada, explica a treinadora: “A adaptação foi criar greens provisórios, não oficiais, para treinos e competições. Percorrer o campo com as cadeiras também exige adaptações”. Existe uma cadeira esportiva projetada exclusivamente para a prática do esporte, mas só existe um exemplar aqui no Brasil que pertence justamente a um dos atletas que treinam na Associação. “Temos muito o que avançar, estamos longe do que acontece em outros países, a começar por respeito e acessibilidade, mas já avançamos e seguiremos avançando”, diz Juracy. “Gostaria de agradecer a todos que amam o esporte e nos ajudaram em todos estes anos de luta e agradecer aos notáveis guerreiros cadeirantes golfistas que desafiam os campos de golfe sobre rodas, um time de notáveis pioneiros”, conclui.