IFM – Instituto Felipe Matheus: enquanto houver vontade de lutar, haverá esperança de vencer

As Associações, Entidades e Institutos brasileiros sobrevivem com grandes dificuldades.

Muitas, infelizmente, não resistem e até encerram atividades. Outras, pelo vigor e garra de seus mantenedores mantêm abertas as portas para a sociedade, que muitas vezes não encontra na rede pública o amparo que recebe nas entidades filantrópicas.

Em Poá, na Grande São Paulo, não é diferente.

Fundado em 2013 o Instituto Felipe Matheus, ou melhor, Complexo Reviver, colabora com as autoridades, mas a reciproca não é a mesma.

Josenilda Maria da Silva, conhecida como sra Neide é presidente do Instituto que leva o nome do filho, que tem 13 anos e nasceu com Paralisia Cerebral Crônica. Ele não anda e não fala e necessita de cuidados especiais. “É uma criança de sorriso fantástico, carinhoso e muito amoroso”, diz a mãe.

Casada com Luciano Miguel e mãe também do Claudio, dona Neide comenta que o Instituto era um sonho desde após o nascimento do Felipe. “Sem condições financeiras, não tive condições de oferecer o tratamento que meu filho precisava. Era muito caro. Passei muitas dificuldades e vi também o sofrimento de outras famílias. Não tive condições. Com a ajuda dos amigos, só com quatro anos pude dar a primeira cadeira de rodas para o meu filho”.

Ao lado do esposo e, principalmente com o apoio do médico Hilton Medeiros de Moraes, que acompanha Felipe desde o nascimento, começaram a surgir às primeiras atividades do Instituto. A entidade assiste, em sua maioria, famílias de baixa renda. Com outros quatro diretores e um grupo de apoiadores, voluntários e colaboradores o Instituto está sediado em uma casa, no bairro Vila Julia, em Poá. Mas os atendimentos são extensivos para famílias de

Guarulhos, Mogi das Cruzes, Itaqua, Suzano, São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, São Miguel, Itaim, Itaquera, Paraisópolis e demais bairros daquela região da capital paulistana.

As atividades são de assistência, atendimento à saúde física, mental e psicossocial, direcionadas principalmente para os portadores de Paralisia Cerebral Crônica, Encefalopatia Crônica, Autismo e Síndrome de Down com o objetivo de proporcionar uma melhor qualidade de vida através de oportunidades concretas, a realizar procedimentos clínicos, exames, terapias convencionais e alternativas de qualidade de primeiro mundo.

Neide comenta que se sente “muito feliz em realizar o sonho das pessoas e poder ajudar. Quero fazer mais ainda. O que faço hoje é gratificante. Mas quero muito mais. Espero ter oportunidade de muito mais. Queria ajudar sempre em algo a mais. Às vezes não posso ajudar e nesses momentos me sinto impotente”.

Diariamente existem atendimentos na sede do Instituto. Por sinal, chegam a quase setecentos semanais. Gratuitamente as famílias contam com profissionais em Neurologia, Neurocirurgião, Pediatria, Clínico Geral, Psicologia, Acupuntura, Fisioterapia, Nutricionista, Psicopedagogo e Jurídico. “Nossos atendimentos são para as crianças, assim como para todos da família. Temos esse cuidado. Achamos importante assistir a todos”, afirma a Presidente do Instituto.

Uma parceria com a Faculdade Cruzeiro do Sul vai oferecer assistência odontológica aos assistidos pelo Instituto a partir deste ano.

A expectativa é de que as equipes multidisciplinares aumentem. A entidade espera contar, na medida do possível, com Ginecologista, Ortopedista, Oftalmologista, Musicoterapeuta, Fonoaudiólogo, Massoterapeuta e ampliar o atendimento de Enfermagem.

“Enquanto houver vontade de lutar, haverá esperança de vencer. Sonho com a ampliação do Instituto e dar esperança para as pessoas”, comenta a sra Neide.

Atualmente mais de 100 famílias estão na fila de espera para serem beneficiadas com os atendimentos realizados pelo Instituto. A sede fica em uma casa dividida em várias salas, mas já é pequena para o volume que tem atualmente de assistidos. E o mais grave é que o imóvel é alugado. “E muitas vezes temos grandes dificuldades de pagar o aluguel”.

Desde o ano 2018 a Entidade está legalmente constituída.

“Faltam equipamentos que poderiam colaborar nos atendimentos. Na casa onde funciona o Instituto tem espaço para ampliação, mas faltam recursos para as obras. A entidade recebe promessas! Mas até agora nada. Nós ajudamos as Autoridades. Mas as Autoridades não nos ajudam. Nunca recebemos nenhuma ajuda de órgão Municipal, Estadual ou Federal”, diz a sra Neide.

A direção do Instituto comprova a cada dia que a sociedade é quem ajuda a sociedade. Com o apoio de amigos e parceiros eles vencem os dias e as dificuldades. Aceitam doações de roupas, calçados, colchões, móveis, brinquedos, livros, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, informática, itens domésticos e outros diversos de utilidade. Também são com as doações recebidas de alimentos, fraldas e leite que podem ajudar as famílias.

Mas precisam também de equipamentos para as Pessoas com Deficiência que são atendidos pelo Instituto. Sempre há necessidade de cadeiras de rodas, banho, bengalas, muletas, andadores, botas e demais equipamentos do dia a dia do PCD.

“Se você tem alguma habilidade, talento ou desejo de ajudar, faça contato conosco”, finaliza a sra Neide.