Inclusão e Diversidade: 20 mil pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Cerca de 20 mil pessoas com deficiência incluídas no mercado formal de trabalho. Esse é o principal legado que está sendo construído pela “iigual”.

Quando Andrea Schwarz se tornou cadeirante aos 22 anos de idade, em outubro de 1998, nunca poderia imaginar que ao lado de seu namorado na época, Jaques Haber, criaria a “iigual”, uma consultoria focada na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e nem que seriam capazes de gerar tamanho impacto positivo na sociedade. 

Tudo começou a partir da experiência de vida do jovem casal e da vivência da Andrea como cadeirante. “Logo ela percebeu que continuava sendo a mesma pessoa, e que apenas havia adquirido uma nova necessidade específica de locomoção, mas percebeu que a sociedade passou a enxerga-la de forma completamente diferente. Parecia que ela havia se tornado invisível, que a cadeira de rodas havia tomado seu lugar de protagonismo em sua própria vida.

Ela descobriu que os lugares que costumava frequentar não eram acessíveis, que as oportunidades no mercado de trabalho eram quase inexistentes, que as pessoas a enxergavam com pena, que não haviam produtos e serviços pensados e desenhados para atender suas novas necessidades e, principalmente, percebeu que ela não era a única pessoa que tinha uma deficiência. Como ela, descobriu, haviam milhões de pessoas, muitas vezes em situações ainda menos privilegiadas”, afirma Haber.

A primeira ideia que Andrea teve, menos de 1 ano após ficar na cadeira, foi escrever um guia de acessibilidade da cidade de São Paulo, voltado para pessoas com deficiência e que trouxesse informações sobre acessibilidade dos principais estabelecimentos da cidade como centros culturais, restaurantes, shoppings, cinemas, entre outros. O objetivo era chamar a atenção para esse problema e mostrar que as pessoas com deficiência são consumidores e que estão carentes de produtos e serviços acessíveis e inclusivos.

Junto com Jaques Haber conseguiram patrocínio de algumas empresas para escrever o Guia São Paulo Adaptada, e para isso, tiveram que abrir uma empresa, o que daria origem a “iigual” nos moldes de hoje. 

Em 1999 o casal iniciou sua trajetória como empreendedores sociais. Enfrentaram inúmeras dificuldades para empreender com inclusão em uma época que o assunto era completamente institucionalizado e as empresas tinham dificuldade em entender os benefícios de serem mais inclusivas. “Na verdade até hoje é assim, mas há 20 anos as empresas não tinham vergonha em mostrar a falta de interesse no tema. Foram inúmeras vezes que escutamos que pessoas com deficiência não consumiam ou que não haviam profissionais qualificados”, afirma Andrea.

Para Haber: “vivenciar na pele a deficiência trouxe para Andrea uma força e uma resiliência, além de uma visão mais ampliada de mundo que foram essenciais para que ela se mantivesse firme na missão de incluir. Não à toa existe uma frase muito importante que simboliza a Convenção da ONU sobre os direitos das Pessoas com Deficiência: “Nothing about us without us” ou Nada sobre nós sem nós”.

Para Andrea, a sua empresa: “é uma empresa que nasceu de um propósito, por conta da minha experiência de vida. Nossa missão é trabalhar pela igualdade de oportunidades. Por isso o nosso nome é iigual, porque queremos falar sobre inclusão e diversidade sob o ponto de vista da igualdade e não das diferenças. Nós valorizamos as diferenças e acordamos todos os dias motivados em contribuir para um mundo mais igualitário onde todas as pessoas possam competir e serem vistas em igualdades de condições, independente de possuírem deficiência, ou da sua raça e etnia, idade, orientação sexual ou qualquer outra característica”.

Andrea já ministrou palestras em mais de mil empresas e faz um trabalho muito grande de geração de conteúdo em suas redes sociais, como no LinkedIn, Instagram e TikTok. Para Haber: “ela entendeu que o melhor caminho para incluir é normalizar a deficiência, mostrar que as pessoas são muito mais que suas deficiências, que além de suas limitações possuem diversos potenciais e que querem ser protagonistas de suas próprias vidas. Mais do que especiais ela mostra que as pessoas com deficiência querem ser consideradas normais”.

Já são 22 anos que Andrea vive sua deficiência, 21 anos à frente da “iigual”, metade da sua vida, já que Andrea fez 44 anos. São três livros publicados: Guia São Paulo Adaptada, Guia Brasil Para Todos e Cotas: como vencer os desafios da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. “Somos idealizadores do Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência, que foi realizado em conjunto com a Secretaria Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência de São Paulo e que teve 5 edições nacionais (de 2014 a 2018) e duas internacionais na ONU em NY”, finaliza Haber.

Hoje, além da “iigual”, Andrea e Jaques estão também à frente da EqualWeb, uma tecnologia de acessibilidade digital capaz de transformar qualquer site em um ambiente acessível e inclusivo. A história da “iigual” que se mistura com a história de vida do casal Andrea e Jaques mostram que a inclusão é um bom negócio para todos !

Só tem ganhadores com a inclusão !

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