Inclusão na SPFW: “Cicatriz ou amputação não te faz melhor que ninguém”

Modelo participou de desfile da coleção do estilista Vitorino Campos na São Paulo Fashion Week. Paola Antonini desfilou na Galeria Ovo, no dia 14/03, pela coleção de inverno de Vitorino.

A vida da mineira mudou na madrugada de 27 de dezembro de 2014, quando um motorista a atingiu enquanto colocava malas no carro que ela iria viajar com o namorado. Treze horas de cirurgia não puderam salvar uma das pernas de Paola da amputação.

A modelo não desistiu de seus objetivos e não se deixou abater pela nova condição física. Continuo usando shorts, saias e vestidos, looks que a levaram a muito sucesso no Instagram, mais de 1 milhão de seguidores.

Confira uma rápida entrevista com Paola, publicada no site da Revista Donna:

Como você se sente sabendo que é um exemplo para tantas mulheres a usar o que tem vontade?

Comigo sempre foi com muita naturalidade. Desde que sofri a amputação, nunca tive vergonha de sair com minha prótese. Pelo contrário, acho legal minha perninha cinza e penso: por que não? Não sabia como as pessoas iriam reagir, mas acabou que tive um retorno muito legal. As pessoas olham, perguntam, mas eu nunca me incomodei com isso. Acho que é legal que as pessoas se acostumem com o diferente, para se tornar cada vez mais comum. O que eu sempre falo para as meninas é para elas não terem vergonha. Ter uma cicatriz, ser acima do peso, ter uma amputação, isso não te faz pior do que ninguém, não te deixa mais feia do que ninguém. Sua beleza é mais do que isso. Aproveite sua vida e não encasquete com besteira.

 

E você acha que a moda é inclusiva?

Estamos indo no caminho. Nos desfiles já podemos ver mais inclusão, mas o caminho ainda é longo, falta muito. A moda precisa retratar a realidade, e a realidade do mundo não são pessoas altas, com corpos perfeitos. Existe uma diversidade muita grande, e eu espero ver daqui um tempo na passarela muitas modelos plus size, com algum tipo de deficiência. Espero que um dia não seja uma surpresa ver na passarela uma modelo amputada, que seja algo normal.

 

E qual a importância para você de ver pessoas que não se encaixam nos chamados padrões na passarela?

Existem padrões há muito tempo, mas eles precisam ser quebrados, e existe uma pressa para que isso aconteça. Vemos mulheres tristes e infelizes com o próprio corpo, ou em depressão porque se comparam muito com o padrão, acham que se não estiverem nele não estão bem, e não é isso. Independente de qual seja a sua diferença, isso realmente não é nada. Existe uma necessidade muito grande, e eu luto muito por isso, para as pessoas se aceitarem mais. Uma menina precisa olhar para uma modelo e pensar que é igual a ela e se identificar, saber que ela pode trabalhar com o que ela quiser, que tudo é possível. Acho que já está se encaminhando para isso, mas na moda o caminho é um pouquinho maior. Todo mundo deveria ser feliz do jeitinho que é.

Fonte: http://revistadonna.clicrbs.com.br/comportamento-2/na-spfw-modelo-que-teve-perna-amputada-fala-sobre-inclusao-uma-cicatriz-ou-amputacao-nao-te-faz-pior-que-ninguem/