Instituto Jô Clemente lança Programa EMPREENdi, que capacitará famílias de pessoas com deficiência intelectual para entrarem no universo do empreendedorismo

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O Instituto Jô Clemente, antiga Apae de São Paulo, apresenta um novo projeto para auxiliar na formação de renda das pessoas com deficiência intelectual e seus familiares. O Programa EMPREENdi – Empoderamento das famílias com pessoas com deficiência, projeto desenvolvido pelo Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (CEPI) da Instituição, visa contribuir com a inclusão das famílias de pessoas com deficiência intelectual que se encontram em situação de vulnerabilidade social por meio do empreendedorismo.

Nas famílias em que um dos membros possui deficiência intelectual, normalmente, um outro membro da família precisa se dedicar ao acompanhamento das terapias, o que dificulta sua entrada no mercado de trabalho. Com a pandemia, o cenário ficou mais complicado, devido à impossibilidade de busca de emprego e renda. Por isso, em parceria com a Fundação Casas Bahia, Sebrae-SP, Junior Achievement, CEU e Instituto Gente o projeto EMPREENdi é lançado, com expectativa de auxiliar 200 famílias a abrirem seus próprios negócios e saírem da condição de vulnerabilidade, além de gerar inclusão social.

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As fases do projeto se organizam em: convite, apresentação do programa às famílias, descoberta de perfil – empreendedor ou não -, realização dos cursos que poderão ser: Empreenda Rápido – Descomplique e/ou Enfrentar Crises; Ideação de Negócios e Mulheres Empreendedoras, Mentoria realizada pelo CEPI, Registro no MEI e Crédito no Banco do Povo. Outro benefício do projeto é que as famílias em situação de vulnerabilidade social selecionadas, que estão na curva de formação, já estão recebendo cestas básicas doadas ao IJC pela Fundação Mapfre e Ação Social para Igualdade das Diferenças (ASID).

“O Programa EMPREENdi é mais uma forma de assegurar às pessoas com deficiência intelectual e suas famílias mais segurança financeira e renda. A inclusão profissional é um dos pilares para transformarmos e garantirmos uma sociedade mais justa a todos. Essa é mais uma iniciativa que lideramos para levar oportunidades e escolhas para essas pessoas”, explica Edward Yang, gerente do Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (CEPI) do Instituto Jô Clemente.

A primeira turma de 200 famílias foi selecionada no bairro de Heliópolis, zona sul da capital paulista. A expectativa é que as famílias desta primeira fase finalizem a consultoria até dezembro de 2022. Após o treinamento, os negócios poderão ser abertos tanto no próprio bairro, como em outras regiões, nos mais variados tipos de negócio. “Esperamos que ao final do treinamento essas famílias tenham mais autonomia e segurança para mudarem suas histórias e conquistarem condições mais dignas de vida”, completa Glenda Aref Salamah de Mello Araujo, Analista de Formação do CEPI.

“Essa será a primeira vez que Fundação Casas Bahia atuará em apoio a este público. Nas famílias que possuem filhos ou dependentes com deficiência intelectual, há sempre uma dedicação exclusiva para acompanhar a pessoa em seu tratamento, o que dificulta a permanência em um trabalho formal, se agravando principalmente em famílias que se encontram em regiões periféricas. Temos um olhar diferenciado para a diversidade nesses locais e, conhecendo a realidade atual dessas famílias, fazer parte disso se tornou crucial para nós”, completa Natalia Menezes, gerente da Fundação Casas Bahia.

Mães de pessoas com deficiência intelectual em situação de vulnerabilidade socioeconômica participam do Programa EMPREENdi

Maria de Fátima Soares da Silva, 36, é mãe de Alice, que frequenta o Serviço de Estimulação e Habilitação do Instituto Jô Clemente. Segundo ela, que foi selecionada para participar do Programa EMPREENdi, ações desse tipo são muito importantes. “Eu não trabalho com carteira assinada há cinco anos e, desde que a Alice nasceu, comecei a empreender. Atualmente, vendo langerie. Quando morava na Bahia, tinha um bom retorno financeiro, mas aqui em São Paulo, principalmente depois da pandemia, está mais difícil. Meu esposo é motorista de aplicativo e a situação também está bem complicada agora, por causa da pandemia. Ele tira cerca de R﹩ 400 por mês e nós estamos sendo abastecidos por cestas básicas doadas pelo IJC, igreja e escola. O meu objetivo de participar do projeto é ter uma ajuda, um apoio financeiro para poder me reerguer”, diz. “Está sendo muito bom, porque estou aprendendo muitas coisas. O projeto está me proporcionando a chance de obter conhecimento sobre como cuidar de um negócio próprio e gerar renda. Quando me chamaram para participar, fiquei muito feliz. Eu, que sou mãe, me preocupo e luto pela minha filha e meu marido e é bom saber que estou sendo amparada, empoderada, encorajada, estimulada e ensinada. Me alivia saber que não estamos esquecidos”, completa.

Ana Azevedo, 49, é mãe de Fabiana, uma adolescente de 13 anos com síndrome de Down que, desde o nascimento, é acompanhada pelos profissionais do Instituto Jô Clemente. Segundo ela, o Programa EMPREENdi foi uma grata surpresa. “Eu soube do projeto por uma ligação que recebi do IJC dizendo que estavam selecionando famílias para serem capacitadas. Esse programa está sendo de grande valia, porque além de tirar todas as minhas dúvidas, me impulsionou ainda mais a realizar o meu objetivo. Gostaria de continuar empreendendo, visto que já trabalhei com brechó e deu muito certo. Agora a Fabiana faz dois cursos de culinária e confeitaria, através dos Chefes Especiais, e eu faço artesanato também. Eu gostaria de juntar essas duas habilidades, minha e dela, e realizar esse sonho de ser dona de casa, mãe e empreendedora através desses cursos, para empoderar mais ainda nossa vida”, comenta.