Instituto Moreira Salles avança projeto de acessibilidade em São Paulo, Rio de Janeiro e Poços de Caldas

Um dos maiores centros culturais do Brasil, o IMS – Instituto Moreira Salles, com unidades em São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ e Poços de Caldas/MG, está implementando o seu projeto: Educação e Acessibilidade. O projeto, que envolve o treinamento dos funcionários para receber pessoas com deficiência, construção de maquetes táteis dos centros e outras atividades, convida todos a visitarem as exposições do IMS. Em São Paulo, o IMS abriu a sua nova sede na Avenida Paulista em 2017, um prédio de 9 andares, cuja construção levou 4 anos e que conta com acessibilidade total, como: elevadores, legendas em Braile e todos os recursos físicos e táteis.

“O nosso projeto Educação e Acessibilidade não é compartimentado, ele é o mesmo para São Paulo, Rio e Poços de Caldas”, diz Denise Grinspum, coordenadora de Educação dos 3 centros culturais do IMS. Em termos de espaço e visitação, o IMS paulista recebe bem mais pessoas, uma média de 70 mil por mês, que o IMS carioca, que recebe 10 mil visitas mensais, e o mineiro, com 6 mil visitas por mês. Por ser o mais novo, o prédio do IMS Paulista nasceu com todos os ambientes proporcionando acessibilidade total. “A acessibilidade física e tátil já fez parte do projeto e construção em São Paulo”, diz Denise.

No IMS do Rio de Janeiro, que funciona na casa onde viveu o banqueiro e embaixador Walther Moreira Salles (1912-2001) no bairro da Gávea, construída em 1951, o projeto Educação e Acessibilidade existe faz mais tempo. Além das adaptações físicas feitas em 1999, quando a casa virou um centro cultural, os funcionários passaram por cursos para guiar pessoas com deficiência visual e foi construída uma maquete, feita por dois arquitetos bolsistas do IMS na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A construção da maquete, em etapa final, levou 18 meses. “A terceira etapa do projeto, que começou no Rio, agora chegou a São Paulo: pranchas sensoriais, guia de Libras, maquetes. Nosso objetivo é construir também uma maquete do IMS Paulista, para que as pessoas com deficiência visual e visão reduzida tenham essa experiência tátil”, comenta Denise.

A construção de uma maquete é algo complexo na arquitetura. Detalhes mínimos como plantas, telhas, pisos das escadas e dimensão dos ambientes precisam ser manufaturados em escala reduzida.

“Assim como em São Paulo, a arquitetura é um destaque no IMS do Rio. Temos uma ótima consultora, a Amanda Tojal, que é especializada na acessibilidade aos museus”, explica Denise. Segunda ela, o projeto no IMS do Rio, feito não pela consultora, mas pelos arquitetos bolsistas da UFRJ, envolveu várias etapas, como o levantamento da planta baixa original da casa na Prefeitura do Rio de Janeiro.

Para a etapa da construção da maquete e do acesso das pessoas com deficiência visual ao IMS Carioca, a professora aposentada e com deficiência visual – Cida – foi contratada pelo instituto para orientar o atendimento ao público especial. “Fizemos uma parceria com o IBC do Rio, com uma reunião mensal na qual os funcionários aprenderam a fazer uma condução segura das pessoas com deficiência visual pela casa da Gávea durante as exposições”, explica Denise. A casa está em um terreno de 10 mil metros quadrados de área e o acesso nem sempre seria fácil, uma vez que foi um imóvel residencial dos anos 1950 adaptado para ser um centro cultural.

Denise informa que a maquete, em etapa final de construção, ficará exposta na Sala dos Azulejos do IMS do Rio de Janeiro. “Queremos estar com tudo pronto para a Semana Nacional da Inclusão, que acontece em dezembro”, diz.

 

Exposições

Em São Paulo, o novo prédio do IMS está localizado muito perto de uma das esquinas mais movimentadas da América Latina, a das avenidas Paulista e Consolação. O fluxo diário no local é de centenas de milhares de pessoas.

“Abaixo desta esquina passam duas linhas de metrô, acima passam mais de 50 linhas de ônibus. Tudo isto foi levado em conta quando os arquitetos projetaram o IMS Paulista. A ideia é que o prédio seja uma continuação da rua, da Avenida Paulista. Todo o acesso é feito por escadas rolantes e elevadores” diz Joana Fernandes, coordenadora do Centro Cultural do IMS.

Assim os visitantes encontram um centro cultural aberto, que se estende por 9 andares e tem pelo menos dois espaços para exposições, cine teatro, biblioteca, café, mirante e livraria, entre outros ambientes. O café, a livraria e o mirante ficam no quinto andar, já pensado para ser uma “praça” de reuniões desde o projeto. O mirante possui uma vista privilegiada da Avenida Paulista. O projeto do edifício, feito pelo escritório Andrade Morettin Arquitetos, conquistou em 2017 o prêmio de Melhor Obra de Arquitetura da Cidade de São Paulo, concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

A biblioteca da IMS tem 20 mil exemplares sobre Fotografia e é uma das mais completas da América Latina sobre o tema. “É uma das poucas bibliotecas especializadas em fotografia na América do Sul”, ressalta Joana.

Já o acervo do IMS, que fica no Rio de Janeiro, é impressionante para qualquer padrão. Apenas em fotografia, o acervo tem 2 milhões de fotografias, negativos, filmes e máquinas e equipamentos fotográficos. Em 2017, o IMS comprou o acervo dos Diários Associados, com 1 milhão de itens. “O acervo dos Diários está sendo catalogado”, diz Joana. Os Diários Associados, do magnata Assis Chateaubriand (1892-1968), formaram a maior rede de jornais impressos do Brasil entre 1925 e 1970.

“O IMS tem quatro tipos de acervos: fotografia, iconografia, música e literatura”, completa Joana. A entrada no IMS é franca. O prédio tem estacionamento apenas para carros de pessoas com deficiência e possui cadeira de rodas.

Mais informações: www.ims.com.br